Oriente Próximo

O Irã venceu. E ponto final

O editorial do Estadão revela, além da cumplicidade com genocidas, a dificuldade que o imperialismo tem em entender a crise em que está mergulhado

Povo iraniano comemora nas ruas a vitória contra o imperialismo

A falsa paz, editorial do Estadão publicado nesta sexta-feira (29) é a voz decrépita de uma burguesia que custa a aceitar a própria decadência e suas derrotas.

O jornal inicial dizendo que “há sinais de que um acordo entre Estados Unidos e Irã pode estar próximo. O presidente americano, Donald Trump, fala em entendimento. Os mercados oscilam entre alívio e cautela. As monarquias do Golfo pressionam por estabilização. Depois de meses de guerra, inflação energética e sobressaltos nos mercados globais, a perspectiva de alguma normalidade voltou a exercer enorme atração política.”

Sobre os acordos, é preciso dizer que foram os EUA que pediram pelo cessar-fogo, o mesmo que fizeram na Guerra dos Doze Dias, entre 13 e 24 de junho de 2025, quando o Irã respondeu aos ataques covardes do Estado de “Israel”.

As monarquias do Golfo estão desesperadas, pois não há nada que possam fazer contra o poderio militar iraniano, e o imperialismo também não pode oferecer proteção.

O jornal é obrigado a reconhecer que “a guerra expôs vulnerabilidades profundas. O Estreito de Ormuz continua sendo o principal gargalo energético do planeta. Seguradoras elevaram prêmios, cadeias produtivas sofreram abalos e aliados americanos descobriram, mais uma vez, quão vulneráveis permanecem suas cidades, refinarias, portos e usinas.” Ormuz, no entanto, é apenas parte do problema, pois o governo iraniano provou que não é capaz apenas de interromper a passagem de petróleo pelo estreito, é capaz de interromper a produção das monarquias.

Choque de realidade

O editorial diz que “nas últimas semanas, os objetivos americanos foram encolhendo. No início da guerra, a retórica era de transformação estratégica do Oriente Médio, desintegração das capacidades iranianas e queda do regime. Hoje, as discussões giram em torno de cessar-fogo prolongado, reabertura de rotas marítimas, alívio gradual de sanções e novas rodadas de negociação”.

Como sempre, utilizam esse discurso arrogante de “transformação estratégica”, que nada mais é que um eufemismo, pois o que se pretendia era apertar ainda mais a sola da bota sobre os povos da região.

Essa realidade, porém, tem se transformado radicalmente desde a vitória do Afeganistão e o fortalecimento do Eixo da Resistência.

A preocupação do Estadão é que, nas novas rodadas de negociação se observe que “existe um limite além do qual a recalibração perde o caráter de prudência e se aproxima da capitulação. Esse limite tem nome e sobrenome: bomba atômica”.

Essa questão da bomba atômica é uma falácia que já virou até piada, pois os sionistas repetem há trinta anos que o Irã está a trinta dias de construir uma bomba.

Além do antigo governo ter dito abertamente que não perseguia uma bomba, o que era comprovado pelas inspeções e acordos, o Irã não precisa de armas nucleares, o uso de mísseis balísticos e hipersônicos pode destruir as monarquias petrolíferas e fazer o mundo mergulhar em uma crise econômica sem precedentes.

Os mísseis do Irã arrasaram os “israelenses” que, além dos corriqueiros ataques covardes contra civis, não conseguiram basicamente nada, ficaram apagados enquanto os EUA, apoiados por diversos países, atacavam o Irã sem conseguir interromper sua capacidade de resposta.

Apoiando crimes

É preciso deixar que os fascistas falem, pois assim acabam se entregando, como no trecho que diz que “se havia uma justificativa plausível para a guerra, era impedir que um regime fundamentalista, patrocinador de terroristas e abertamente hostil ao Ocidente preservasse a capacidade de produzir um artefato nuclear.” – grifo nosso.

O imperialismo promoveu contra o Irã uma guerra de agressão, um crime contra a humanidade, portanto. E sempre se utilizam de mentiras para “justificar” seus crimes.

Enquanto o Estadão apoia o genocídio na Faixa de Gaza, acusa o Irã de patrocinar terrorismo, o que é um verdadeiro escárnio.

Acusam o Irã de ser “abertamente hostil ao Ocidente”, mas quem atacou quem? Há mais de dois séculos o Irã não ataca nenhum país sem ser antes agredido. A desculpa utilizada pelo jornal não passa do mais abjeto cinismo.

Esquecendo-se de que o Irã é um país soberano, o Estadão diz que, com relação aos acordos, “nesse ponto o acordo em discussão permanece nebuloso. As informações disponíveis sugerem fórmulas provisórias: diluição parcial do urânio enriquecido, moratórias, inspeções futuras e mecanismos indefinidos de monitoramento. Em alguns cenários discutidos publicamente, o material enriquecido permaneceria sob controle iraniano”. Acontece que o Irã não tem de permitir monitoramento ou inspeção, pois quem está exigindo isso são países que nem mesmo honram acordos, são genocidas. O país foi atacado duas vezes em meio a negociações, e futuros inspetores servirão apenas para espionar, como tem acontecido.

Apesar de não mandar nada, o Estadão diz que “um acordo sério exigiria parâmetros claros e rigorosos sobre enriquecimento, fiscalização, armazenamento de material sensível e consequências automáticas para violações”. Acordo sério? De que esse jornal está falando? Deve ser algum tipo de piada. Os sionistas, a quem defende, não cumprem um único acordo de cessar-fogo, seja em Gaza ou Líbano. Aliás, contra o Irã, sim, pois têm medo. E esse jornal burguês, com sua cumplicidade, se cala.

O Estadão diz que “o Irã certamente não venceu o conflito, mas provou que possui meios para impor custos maiores do que sua força militar poderia causar”. Deve ser mesmo muito difícil admitir a surra. Ou melhor, as surras, pois é preciso contabilizar a Guerra dos Doze Dias.

Por falar em custos, os gastos militares dos Estados Unidos na guerra contra o Irã ultrapassaram US$ 95 bilhões desde 28 de fevereiro, segundo o site Iran War Cost Tracker. E isso não é nada se comparado a uma guerra de longa duração que tem tudo para se transformar em uma guerra regional.

Como diz o próprio jornal, “bastaram ataques seletivos, ameaças intermitentes e incerteza contínua para impactar energia, transporte marítimo, inflação e expectativas financeiras ao redor do mundo.”

Com o rabo entre as pernas, o Estadão diz que “não há solução simples. Retomar grandes operações militares comportaria riscos enormes. Uma campanha indefinida de bloqueios e escoltas navais consumiria recursos exorbitantes. A hipótese de guerra ampla contra um país de quase 93 milhões de habitantes permanece politicamente tóxica e estrategicamente incerta”.

Num último suspiro de arrogância, o jornal escreve que “encerrar a guerra pode ser necessário. Encerrá-la preservando a possibilidade de um Irã nuclear seria outra coisa.” O problema é que, se os iranianos resolverem produzir armas nucleares, o que seria muito sensato, será impossível impeií-los.

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