Resistência Palestina

‘O Espinho e o Cravo’ será lançado hoje no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte

Editora Democritos leva a obra de Iahia Sinuar a novas capitais; romance escrito nas prisões sionistas apresenta quase quatro décadas da luta do povo palestino

A campanha nacional de lançamento de O Espinho e o Cravo, romance autobiográfico de Iahia Sinuar, terá neste sábado (30) duas novas atividades. A obra, publicada em dois volumes pela Editora Democritos, será apresentada ao público do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, dando continuidade ao circuito iniciado em São Paulo e que já passou também por Brasília.

No Rio de Janeiro, o lançamento ocorrerá às 16h, no Sinaerj, localizado na Avenida Treze de Maio, nº 13, 8º andar, no Centro. Em Belo Horizonte, a atividade será realizada às 19h, no CENARAB, na Rua Desembargador Barcelos, 102, no bairro Calafate.

Os eventos integram a campanha de divulgação da edição brasileira de uma das obras mais importantes produzidas por uma liderança da resistência palestina contemporânea. Escrito por Sinuar durante o período em que esteve preso nas cadeias de “Israel”, O Espinho e o Cravo acompanha, por meio da história de uma família palestina, o período que vai da Guerra dos Seis Dias, em 1967, até a Segunda Intifada.

Com cerca de 800 páginas, divididas em dois volumes, o romance apresenta a ocupação de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental; a vida nos campos de refugiados; a formação política da juventude palestina; a organização das diferentes tendências da resistência; a repressão sionista; e a luta dos prisioneiros políticos dentro das cadeias israelenses.

Trata-se de uma obra literária, mas também de um documento histórico e político. O livro permite ao leitor brasileiro entrar em contato com a luta palestina não por meio da versão falsificada da imprensa imperialista, mas a partir da experiência de um povo que combate diretamente a ocupação sionista.

Iahia Sinuar nasceu em 1962, no campo de refugiados de Khan Iunis, na Faixa de Gaza. Sua família era originária de Ascalão e foi expulsa durante a Nakba de 1948. Formado em Língua e Literatura Árabe pela Universidade Islâmica de Gaza, tornou-se uma das principais figuras da resistência palestina. Preso por “Israel” em 1988 e condenado à prisão perpétua, Sinuar escreveu o romance durante o encarceramento.

Um dos aspectos mais marcantes da obra é justamente sua origem. O manuscrito foi produzido nas prisões sionistas e preservado clandestinamente pelos próprios prisioneiros palestinos. Para impedir que o texto fosse confiscado e destruído pelos carcereiros israelenses, os presos copiaram, dividiram e esconderam trechos da obra. A edição brasileira, portanto, apresenta ao público um livro que sobreviveu graças à organização coletiva dos presos políticos palestinos.

Depois dos lançamentos deste sábado, a campanha seguirá para Curitiba. Na capital paranaense, o evento será realizado no dia 13 de junho, às 16h, no Sindipetro, localizado na Rua Lamenha Lins, 2064, no Rebouças. A atividade dará continuidade ao circuito nacional de apresentação da obra, levando o livro a novos setores interessados na defesa da Palestina.

Antes de chegar ao Rio de Janeiro e a Belo Horizonte, O Espinho e o Cravo foi lançado em São Paulo e em Brasília. Em São Paulo, a atividade ocorreu no Centro Cultural Benjamin Péret, no dia 9 de maio, marcando o início da campanha nacional. O lançamento contou com a participação de Henrique Áreas, apresentador da Causa Operária TV; Juca Simonard, integrante do trabalho de tradução, edição, notas e revisão; e Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.

Na ocasião, foi destacado que se tratava de um livro inédito em português, lançado de forma impressa pela Editora Democritos em colaboração com o jornal Clandestino. Simonard explicou que o trabalho editorial partiu da primeira tradução realizada pelo Clandestino, posteriormente comparada com o original em árabe e com versões em outras línguas, em um esforço para aproximar a edição brasileira o máximo possível do texto original.

O editor também chamou atenção para o valor histórico do livro. Embora seja um romance, a obra percorre quase 40 anos de história da Palestina. A narrativa começa em 1967, com a Guerra dos Seis Dias, quando “Israel” ocupou Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Sinai e Golã, e acompanha os desdobramentos dessa derrota para o povo palestino. Na história, o pai e o tio do protagonista vão lutar contra os sionistas e desaparecem, ponto de partida para a vida da família sob a ocupação.

Durante o lançamento em São Paulo, foi ressaltado que a obra mostra não apenas os grandes acontecimentos políticos, mas também a vida cotidiana da população palestina nos campos de refugiados: as brincadeiras das crianças, a escola, a alimentação, os casamentos, o trabalho das famílias e as formas encontradas para sobreviver sob a opressão. Esse é um dos aspectos que dá força ao romance, pois permite compreender a Palestina para além das estatísticas de mortos, bombardeios e prisões.

O livro também apresenta a reorganização política da resistência palestina após 1967. A narrativa acompanha o fortalecimento do Fatá, da Organização para a Libertação da Palestina, da Frente Popular para a Libertação da Palestina, do Bloco Islâmico, da Jiade Islâmica e, posteriormente, do Hamas. A história da família fictícia criada por Sinuar permite mostrar como diferentes tendências políticas se desenvolveram no interior da própria luta nacional palestina.

Outro tema central discutido no lançamento paulista foi a vida dos presos palestinos. O Espinho e o Cravo descreve o tratamento desumano aplicado pelo sionismo nas cadeias, mas também mostra a organização dos prisioneiros, suas greves de fome e a transformação das prisões em verdadeiras escolas políticas da resistência. As cadeias israelenses aparecem, no livro, não apenas como locais de tortura e repressão, mas como espaços onde militantes se formaram e se organizaram.

Rui Costa Pimenta destacou, em sua intervenção, a importância política da literatura. Segundo ele, um romance escrito por alguém que participou diretamente dos acontecimentos permite compreender a mentalidade de uma época, as reações da população local e os pequenos debates políticos do dia a dia, elementos que muitas vezes não aparecem em livros puramente históricos ou jornalísticos. Para o dirigente do PCO, a obra de Sinuar é uma contribuição extraordinária para a compreensão da luta palestina.

Pimenta também afirmou que a publicação brasileira de O Espinho e o Cravo é um serviço prestado à causa palestina. A edição em português permite que o público brasileiro tenha acesso a uma obra pouco divulgada internacionalmente, escrita por uma das figuras centrais da luta contra o sionismo. Não se trata, portanto, apenas de vender um livro, mas de divulgar a palavra dos próprios combatentes palestinos.

Em Brasília, o lançamento ocorreu na quinta-feira (28), no Sebinho Livraria, Cafeteria, Bistrô e Restaurante, na Asa Norte. A atividade reuniu ativistas, apoiadores da causa palestina, representantes de movimentos sociais, lideranças religiosas e colaboradores do Partido da Causa Operária. A mesa foi composta por Sayid Marcos Tenório, do Instituto Brasil-Palestina; Antonio Carlos Silva, da Direção Nacional do PCO; e Pedro Burlamaqui, do Diário Causa Operária. Também esteve presente Expedito Mendonça, pré-candidato ao governo do Distrito Federal pelo PCO.

Sayid Tenório abriu a atividade apresentando ao público um panorama sobre Iahia Sinuar. Destacou sua trajetória política, sua formação, sua importância para o desenvolvimento do Hamas e seu papel como uma das figuras centrais da resistência palestina contemporânea. Sua exposição situou o livro dentro da vida de seu autor, não como uma obra literária comum, mas como a expressão de uma experiência concreta de luta.

Antonio Carlos Silva tratou mais diretamente do conteúdo do romance e das condições em que foi escrito. Explicou que a obra reconstitui a luta palestina a partir da história de uma família, atravessando quase quatro décadas de enfrentamento contra a ocupação. Também destacou o valor histórico do manuscrito, preservado pelos prisioneiros palestinos em meio à repressão sionista.

Pedro Burlamaqui apresentou uma discussão política sobre a importância do livro para a juventude e para todos os povos oprimidos. O editor do DCO destacou que Sinuar tinha apenas 25 anos quando teve início a Primeira Intifada, momento decisivo da luta palestina e do surgimento do Hamas. A juventude do dirigente palestino mostra como os processos revolucionários formam seus quadros no calor da luta, em condições de enfrentamento direto com o inimigo.

Burlamaqui também relembrou Natália Pimenta, importante dirigente da esquerda brasileira, que no dia do lançamento completaria 41 anos. Ao mencionar sua trajetória, destacou a relação de Natália com a luta do povo palestino e com a defesa internacional dos povos oprimidos contra o imperialismo.

Com os lançamentos no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, a campanha nacional de O Espinho e o Cravo avança em um momento de enorme importância para a luta palestina. Diante do massacre em Gaza e da propaganda incessante da imprensa imperialista em defesa de “Israel”, a publicação da obra de Iahia Sinuar cumpre um papel fundamental: apresentar ao público brasileiro a história da Palestina contada por seus próprios combatentes.

A obra está disponível por R$270,00, em dois volumes, com acesso à versão digital. Os interessados podem adquirir o exemplar pelo telefone (11) 99741-0436 ou pelo sítio oficial da Editora Democritos.

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