Na noite da última quinta-feira (28), a Editora Democritos promoveu em Brasília o lançamento de O Espinho e o Cravo, romance autobiográfico de Iahia Sinuar (1962–2024), uma das principais lideranças da resistência palestina. O evento ocorreu no Sebinho Livraria, Cafeteria, Bistrô e Restaurante, na Asa Norte, e reuniu ativistas de diversos movimentos sociais, líderes religiosos, colaboradores e apoiadores da causa palestina na capital federal.
A atividade dá continuidade à campanha nacional de divulgação da edição brasileira da obra, que foi dividida em dois volumes e teve seu circuito iniciado na cidade de São Paulo, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP). O lançamento em Brasília contou também com a presença de Expedito Mendonça, pré-candidato ao governo do Distrito Federal pelo Partido da Causa Operária (PCO).

Escrito originalmente ao longo das décadas em que Sinuar esteve preso em frentes sionistas, o livro utiliza a trajetória de uma família palestina para traçar um panorama histórico de quase 40 anos de luta contra a ocupação israelense — desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, até a Segunda Intifada.
O manuscrito da obra possui um valor histórico fundamental: foi preservado clandestinamente pelos próprios prisioneiros palestinos, que dividiram, copiaram e esconderam os trechos para impedir que fossem confiscados e destruídos pelos carcereiros.

O evento foi apontado pelos participantes como um importante espaço de debate político e solidariedade internacional. Um dos organizadores entrevistados por nossa equipe destacou a pluralidade do público presente e o impacto do alcance digital da campanha:
“O evento foi muito positivo pela mobilização de setores que são identificados com a defesa da causa palestina, ativistas, diversos movimentos, líderes religiosos e pessoas interessadas em conhecer a obra. Muita gente não conhecia, mas veio pela propaganda que tem sido feita nas redes. A conversa ajuda a estimular o conhecimento sobre essa obra espetacular.”
A obra foi descrita como “espetacular” por um dos presentes, que destacou ainda que o livro coloca a resistência palestina como centro da luta contra o imperialismo. Leila Swad. por seu turno, elogiou “esse trabalho maravilhoso desenvolvido pela equipe do PCO”, classificando como um “exemplo que todos devem seguir” de traduzir e difundir a palavra dos que lutam pela libertação da Palestina.

Para o morador de Brasília, Hajj Juliano Khalidi, a atividade cumpriu um papel informativo importantíssimo diante do cenário atual do Oriente Médio, classificando como “fantásticas as explicações sobre a atual situação da Palestina”.
Um dos presentes ressaltou que a publicação preenche uma lacuna essencial deixada pelos meios de comunicação tradicionais. Segundo ele, o lançamento “esclarece vários pontos que a mídia burguesa tenta ofuscar e tenta desvalorizar a luta do povo palestino”.
O impacto da narrativa literária e a sobrevivência do texto geraram reflexões profundas nos leitores locais. Um dos presentes definiu o valor político e social da publicação como “indescritível e imensurável“, apontando a resistência histórica do povo palestino através da arte:
“A própria existência desse livro, o fato de ele estar aqui publicado, de ele existir desde 2004, é a prova mais concreta possível de que a resistência é imparável, indestrutível.”
Ana, colaboradora que acompanha as atividades do comitê de solidariedade junto ao PCO, relatou o forte impacto de conhecer as condições sob as quais as páginas foram redigidas. “A apresentação foi excelente, ela mostrou a dificuldade com a qual o Sinuar escreveu esse livro. Foi bastante impactante para a gente escutar essa história”, afirmou. Ela concluiu defendendo que a superação do atual regime de opressão é o único caminho para que as populações locais voltem a coexistir pacificamente, como já ocorreu historicamente.





