A Nigéria autorizou uma operação militar conjunta com os Estados Unidos que matou 175 pessoas no nordeste do país, segundo comunicado das Forças Armadas nigerianas. As vítimas foram apresentadas por ambos governos como integrantes do Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP, na sigla em inglês), grupo que atua na região do Lago Chade.
A operação foi realizada ao longo de vários dias, com participação do Comando dos Estados Unidos para a África, o Africom. A própria organização militar norte-americana confirmou que os ataques foram feitos “em coordenação com o Governo da Nigéria” e que não houve baixas entre soldados norte-americanos ou nigerianos.
Segundo o porta-voz militar nigeriano, major-general Samaila Uba, até 19 de maio de 2026 as avaliações indicavam que 175 integrantes do Estado Islâmico haviam sido “eliminados do campo de batalha”. A operação teria destruído postos de controle, depósitos de armas, centros logísticos, equipamentos militares e redes financeiras usadas pelo ISWAP.
Entre os mortos estariam dirigentes importantes do grupo. A lista divulgada inclui Abd al-Wahhab, apontado como responsável por coordenar ataques e propaganda; Abu Musa al-Mangawi; e Abu al-Muthanna al-Muhajir, ligado à produção de propaganda do ISWAP. Dias antes, em 16 de maio, outra ação conjunta matou Abu-Bilal al-Minuki, apresentado pelos governos dos dois países como o “número dois” global do Estado Islâmico. O Africom comemorou a operação dizendo que a morte dos alvos reduz a capacidade do grupo de planejar ataques contra “os EUA e seus parceiros”.
A presença dos EUA na Nigéria foi intensificada depois da crise diplomática criada por Donald Trump, que acusou o país africano de permitir uma suposta matança em massa de cristãos. O governo nigeriano negou a acusação e afirmou que os grupos armados atacam pessoas de diferentes religiões. Mesmo assim, Trump passou a pressionar por maior presença militar no país.
No início de 2026, os Estados Unidos enviaram militares à Nigéria sob o pretexto de treinamento e assessoria. A operação que agora matou 175 pessoas mostra que a presença norte-americana passou para um nível mais direto: inteligência, escolha de alvos, apoio operacional e ataques cinéticos.
A Nigéria enfrenta uma crise gravíssima desde 2009, quando a insurgência de Boko Haram se consolidou no nordeste do país. Depois vieram divisões internas, entre elas o ISWAP, ligado ao Estado Islâmico. A região do Lago Chade tornou-se um dos centros da guerra, atingindo Nigéria, Níger, Chade e Camarões.
Segundo a ONU, a insurgência já deixou mais de 40 mil mortos e mais de 2 milhões de deslocados apenas no nordeste nigeriano. A crise destruiu escolas, centros de saúde e vastas áreas agrícolas, criando uma situação social desesperadora para milhões de trabalhadores e camponeses.
O presidente Bola Tinubu afirmou que a operação mostra uma “colaboração efetiva” entre Nigéria e Estados Unidos. Na realidade, mostra o grau de submissão do governo nigeriano à política militar norte-americana.
A Nigéria é o país mais populoso da África, uma potência regional e um dos maiores produtores de petróleo do continente. Justamente por isso, é alvo permanente de pressão estrangeira.
A luta contra grupos armados não pode ser entregue ao imperialismo. A Nigéria precisa expulsar a tutela militar estrangeira e recuperar o controle integral de seu território. Nenhum país que permite operações dos EUA em seu solo pode dizer que decide sozinho seu próprio destino.





