Começou o período de campanha eleitoral. A burguesia impõe que, em um país com mais de 220 milhões de habitantes e 8,5 milhões de quilômetros quadrados, quem disputa o pleito tem apenas 45 dias para levar sua mensagem a toda a população. O tempo de televisão, o fundo eleitoral e o acesso aos meios de comunicação estão repartidos, quase que exclusivamente, entre os partidos que sustentam a ordem existente. O essencial da disputa, portanto, já está condicionado antes mesmo do início da campanha.
As eleições, da maneira como são organizadas, são profundamente antidemocráticas.
O pleito de outubro não vai alterar absolutamente nada na vida do povo brasileiro. O que está em disputa é quem vai administrar um Estado submetido ao imperialismo, aos bancos e ao latifúndio, seja qual for o nome que saia das urnas. É por isso que é preciso combater a ilusão eleitoral e a corrida desenfreada por cargos, que impedem o desenvolvimento de uma política independente da classe operária.
A experiência dos últimos 20 anos demonstra isso. Foram quase duas décadas de governos do PT, sem que a situação econômica e social do País sofresse uma mudança fundamental. O desemprego, os baixos salários, a dívida pública que drena o orçamento, a destruição da indústria nacional e a dependência diante do capital estrangeiro continuaram durante todos esses mandatos. A proposta da esquerda de mudar o País respeitando as regras do jogo impostas pela burguesia mostrou-se um completo fracasso e um beco sem saída para o povo brasileiro. A política de conciliação de classes fracassou, não é alternativa minimamente viável.
O único caminho viável para as massas trabalhadoras é a luta pelo seu próprio governo, pelo seu próprio regime político.
O caminho é a revolução, a derrubada da burguesia e a expropriação dos parasitas que sugam o sangue dos trabalhadores. Fora disso, há apenas diferentes formas de administrar o mesmo regime.
A mudança só virá por meio de uma gigantesca mobilização popular de caráter revolucionário. É para essa tarefa que a classe operária precisa se preparar, porque as eleições são um jogo de cartas marcadas e esse terreno viciado da burguesia não foi feito para os trabalhadores saírem vitoriosos. A vitória virá das ruas, não das urnas.





