O partido do pateta Javier Milei foi derrotado em todas as 26 eleições municipais realizadas na província de Santiago del Estero. A La Libertad Avanza recebeu apenas 8% dos votos na soma provincial, contra 66% da Frente Cívica por Santiago, dirigida pelo senador e ex-governador Gerardo Zamora.
A derrota ocorreu quando uma nova pesquisa apontou que 65% dos argentinos desaprovam o regime de Milei e 61,9% votariam por uma mudança de governo. Os dois fatos são manifestações do mesmo problema: a crescente rejeição popular à política de choque aplicada pela prostituta do imperialismo que ocupa a cadeira presidencial na Casa Rosada.
A Frente Cívica venceu em todos os departamentos de Santiago del Estero. A distância entre a coalizão provincial e o partido de Milei chegou a 58 pontos percentuais.
Na capital, Mario Benavente foi eleito prefeito com 60,53% dos votos. María Beatriz Yunes, candidata da La Libertad Avanza, obteve 12,29%. Em La Banda, segunda maior cidade da província, Llamil Abdala venceu com 51,60%.
Em outros municípios, os candidatos presidenciais tiveram votações ainda menores. Na cidade de Frías, a La Libertad Avanza recebeu 2,46% dos votos. Em Termas de Río Hondo, ficou com 4,48%. Em Añatuya, chegou a 11,15%.
A eleição confirmou o controle político exercido há mais de duas décadas por Zamora e pela Frente Cívica, uma aliança das oligarquias formada por setores do peronismo, do radicalismo e por grupos locais. Não se trata, portanto, de uma força que represente uma oposição ao regime político argentino. Ainda assim, a dimensão da derrota sofrida por Milei revela a facilidade com que um setor tradicional da política burguesa conseguiu derrotar o partido presidencial.
Após a divulgação dos resultados, Zamora declarou: “Santiago del Estero não está à venda, a pátria não se entrega e as Malvinas são argentinas”. A frase procurou apresentar a coalizão provincial como adversária da política entreguista do governo nacional, embora seja pura demagogia.
A rejeição a Milei não está limitada a Santiago del Estero. Pesquisa divulgada pelo jornal Página/12 apontou que 64% dos entrevistados defendem uma mudança na orientação política da Argentina. O peronismo aparece com 31,3% das intenções de voto, enquanto a La Libertad Avanza registra 28%.
A principal causa do desgaste é a economia. Segundo o levantamento, 53,9% dos argentinos consideram que a situação econômica piorou desde a posse de Milei. A propaganda da Casa Rosada sobre a redução de determinados índices não corresponde à vida da maioria da população, atingida pela queda do poder de compra, pelos cortes nos serviços públicos e pela ofensiva contra os direitos trabalhistas.
Milei chegou ao governo prometendo resolver a crise por meio de um ataque frontal ao Estado. Sua política, porém, consiste em transferir para os trabalhadores todo o custo da crise do capitalismo argentino, entregando como nunca antes as riquezas nacionais aos bancos, grandes proprietários e ao capital estrangeiro.
Também é expressiva a oposição à entrega do território argentino. A pesquisa apontou que 77% rejeitam a flexibilização da compra de terras por estrangeiros. A tentativa de abrir áreas estratégicas e recursos naturais ao capital imperialista encontra resistência até mesmo entre pessoas que apoiaram algumas das medidas econômicas do governo.
A oposição popular à venda das terras ajuda a explicar o êxito da palavra de ordem utilizada por Zamora. Ao afirmar que Santiago del Estero “não está à venda”, o dirigente provincial procurou aproveitar uma insatisfação que ultrapassa os limites da província e atinge um dos pontos fundamentais do programa de Milei: a entrega dos recursos nacionais aos grandes monopólios internacionais.
A política neoliberal do presidente não é apenas impopular. Ela é também profundamente explosiva. O governo concentra, num período muito curto, ataques que normalmente seriam distribuídos ao longo de vários anos. A redução dos salários, a destruição dos serviços públicos, a ofensiva contra as aposentadorias e a entrega das riquezas nacionais criam condições para uma revolta de grande alcance.
Por essa razão, uma parcela da oligarquia e da burguesia argentina, embora ainda minoritária e politicamente mais fraca, não confia inteiramente na condução de Milei. Esses setores não se opõem aos objetivos de sua política. Temem, porém, que a brutalidade da terapia de choque provoque uma mobilização que não se limite a derrubar o presidente, mas se volte contra toda a classe dominante.
A Frente Cívica de Santiago del Estero procura ocupar esse espaço. Parte do regime e vinculada aos partidos tradicionais, apresenta-se como uma alternativa mais moderada para conter o descontentamento e impedir que ele se transforme numa luta independente dos trabalhadores.
Para setores da burguesia, o problema de Milei não é atacar excessivamente os trabalhadores, mas fazê-lo de uma maneira que pode colocar em risco o próprio regime. A derrota completa da La Libertad Avanza em Santiago del Estero e os elevados índices de desaprovação indicam que a terapia de choque já começa a produzir uma reação popular capaz de ultrapassar os cálculos eleitorais da classe dominante.





