MATRIA

MATRIA denuncia chantagem da esquerda para obter voto das mulheres

Associação Matria critica partidos que ignoraram as reivindicações feministas durante quatro anos e agora exigem apoio eleitoral em nome da democracia

A Associação Matria — Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil — publicou, em 1º de outubro, uma denúncia contra a chantagem eleitoral praticada por setores da esquerda para conquistar o voto feminino. No artigo O voto das mulheres tem dono?, a entidade questiona a atitude de políticos que passaram quatro anos desprezando reivindicações feministas e agora exigem que essas mesmas mulheres votem neles para impedir a vitória da direita.

A publicação foi inspirada em reflexões da associada Anne Rammi e aponta uma contradição na política da chamada esquerda progressista. Durante o governo Lula, mulheres que questionaram determinadas políticas relacionadas à identidade de gênero enfrentaram hostilidade, acusações e processos judiciais. Com a chegada das eleições, os partidos que participaram dessa política passaram a cobrar o apoio das mulheres em nome da defesa da democracia.

O principal conflito diz respeito à substituição do sexo pela identidade de gênero como critério para políticas públicas. A Matria defende que o sexo biológico continue sendo considerado na organização de presídios femininos, competições esportivas, estatísticas de violência e direitos específicos das mulheres. Segundo a entidade, quem procura discutir esses assuntos frequentemente é tratado como inimigo político.

Entre os casos mencionados está o de Isabella Cêpa, feminista que recebeu asilo na Europa depois de enfrentar perseguição judicial por declarações contrárias à inclusão de pessoas do sexo masculino nas cotas eleitorais destinadas às mulheres. A associação também denuncia a hostilidade contra representantes feministas durante a 5ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres e relata casos de perseguição em universidades.

A organização resume sua denúncia afirmando: “Nossa voz é inconveniente, mas nosso voto é necessário.”

A Matria sustenta que não houve disposição dos dirigentes políticos para discutir as divergências durante os quatro anos de governo. Entretanto, diante da possibilidade de uma derrota eleitoral, reaparece o argumento de que as mulheres precisam deixar suas reivindicações de lado para salvar a democracia.

A denúncia tem uma particularidade: a entidade não representa exclusivamente mulheres de direita. Em setembro, publicou um manifesto assinado por feministas vinculadas a diferentes partidos, incluindo PT, PCdoB, PSOL, PDT e PCO. Segundo a associação, 63% de suas 460 integrantes identificam-se politicamente com a esquerda.

O Partido da Causa Operária foi também uma das organizações que assumiram publicamente compromissos com a associação. Rui Costa Pimenta e outros candidatos do Partido assinaram uma carta que apresenta oito reivindicações em defesa dos direitos das mulheres e das crianças. A assinatura provocou ataques de militantes identitários contra o PCO, inclusive durante um debate na Universidade Federal do Rio de Janeiro, quando seu candidato ao governo estadual, Luan Monteiro, foi hostilizado.

A polêmica permite observar uma característica da campanha da frente ampla. Em vez de conquistar apoio mediante a discussão das reivindicações populares, seus defensores frequentemente apresentam o voto em seus candidatos como uma obrigação moral. Quem se recusa a acompanhá-los passa a ser responsabilizado antecipadamente por uma possível vitória da direita.

A Matria compara esse procedimento à chantagem praticada em relações abusivas. Primeiro, afirma-se que tudo será diferente; depois, exige-se mais uma oportunidade; por fim, quando a exigência é rejeitada, a mulher passa a ser acusada de egoísmo ou irresponsabilidade.

A entidade rejeita especialmente a ideia de que as reivindicações feministas devam aguardar o fim das eleições. Afinal, se durante o governo essas mulheres não foram ouvidas e durante a campanha são obrigadas a permanecer caladas, não existe momento em que seus interesses possam ser efetivamente defendidos.

A associação considera que os partidos precisam responder por suas próprias decisões políticas, em vez de atribuir aos eleitores a responsabilidade por eventuais derrotas. A cobrança de fidelidade eleitoral, segundo a entidade, não substitui o atendimento das reivindicações apresentadas pelas mulheres.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.