O advogado Marco Aurélio de Carvalho, ao tratar dos inquéritos abertos contra Fábio Luís Lula da Silva, reconheceu publicamente que há setores da Polícia Federal empenhados em interferir nas eleições de 2026. Fez questão, porém, de ressalvar que isso não abala sua confiança no diretor-geral da corporação. A ressalva trata como problema de alguns delegados aquilo que é um problema da própria instituição.
A Polícia Federal mantém há décadas vínculos estreitos com o aparato de espionagem do imperialismo norte-americano. Entre 1999 e 2004, o jornalista Bob Fernandes publicou na Carta Capital documentos que mostravam a DEA financiando operações da corporação e depositando recursos em contas de delegados, além de a CIA financiar integralmente uma base de espionagem eletrônica em Brasília. O chefe do escritório do FBI no País à época resumiu a situação ao afirmar que “os Estados Unidos compraram a Polícia Federal”.
Os vínculos chegam também ao Mossad. A corporação deteve em Guarulhos e deportou o professor palestino Muslim Abuumar, em 2024, com base em informações repassadas por órgãos sionistas e norte-americanos. Prendeu Lucas Passos Lima ao retornar de uma viagem ao Líbano, em uma investigação iniciada a partir de informações do FBI e que contou também com a participação do Mossad. Recebeu ainda de “Israel” listas de prisioneiros palestinos libertados para impedir sua entrada no País.
Foi essa mesma corporação que desempenhou papel central na Lava Jato, forneceu munição para o golpe de 2016 e manteve Lula preso por 580 dias em sua superintendência em Curitiba. Nada disso levou o PT a mudar de orientação. De volta ao governo, voltou a dar mais recursos à Polícia Federal. Em 30 de julho, Lula sancionou a lei que destina parte da arrecadação das casas de apostas ao Funapol, fundo de aparelhamento da corporação, autorizando ainda o repasse de até R$200 milhões do Tesouro Nacional em 2026. Dar mais dinheiro e poder a uma polícia profundamente ligada aos órgãos de espionagem estrangeiros significa armar ainda mais uma polícia política do regime.
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Agora, os inquéritos contra o filho do presidente, relatados no Supremo por André Mendonça, repetem um método já utilizado contra o próprio Lula: suspeitas transformadas em escândalo, vazamentos para a imprensa e associações forçadas com outros casos. O governo alimenta a própria força que pode ser usada contra ele.
A Polícia Federal não passa a obedecer ao governo Lula porque recebe mais recursos públicos. Quando a burguesia e o imperialismo considerarem necessário retirar novamente o PT do governo, esse mesmo aparato poderá ser mobilizado contra aqueles que hoje o alimentam. Lula já foi vítima desse mecanismo e, mesmo assim, continua entregando mais dinheiro e poder a essa polícia filial da CIA, do FBI e do Mossad.





