Moradores do Leme relataram instabilidade no fornecimento de energia elétrica na Zona Sul do Rio de Janeiro desde a madrugada de terça-feira (23), em trechos das ruas General Ribeiro da Costa e Anchieta. A nova ocorrência aconteceu cinco meses após um apagão que atingiu parte do Leme e de Copacabana por mais de 45 horas, reabrindo cobranças contra a concessionária Light.
O problema mais grave apontado por moradores é o recebimento de energia em apenas uma fase, situação que provoca oscilação e pode danificar equipamentos eletrônicos. Em um edifício da Rua General Ribeiro da Costa, o elevador foi desligado preventivamente para evitar risco aos moradores e prejuízo ao condomínio. A falha afetou também serviços essenciais em prédios residenciais.
A incerteza sobre a normalização fez alguns condomínios iniciarem tratativas para contratar geradores próprios. A medida revela o grau de desconfiança de moradores diante de uma rede que já havia apresentado falha prolongada no verão. A contratação particular transfere aos consumidores o custo de manter serviços básicos quando a concessionária não assegura estabilidade.
A Light informou que a ocorrência está ligada à rede subterrânea de distribuição. A empresa classificou o reparo como mais complexo, por exigir atuação especializada para identificação e correção do ponto de falha. Segundo afirma, equipes técnicas foram enviadas ao local e geradores foram acionados preventivamente para reduzir impactos.
Em janeiro, milhares de consumidores enfrentaram quase dois dias sem energia em áreas do Leme e de Copacabana. Depois daquele episódio, a Defensoria Pública do Estado do Rio ingressou com ação civil pública contra a Light, cobrando respostas sobre a interrupção prolongada e seus efeitos sobre a população.
O novo caso mostra que a rede subterrânea segue sendo ponto crítico da distribuição no bairro. A falta de energia, mesmo parcial, atinge idosos, pessoas com dificuldade de locomoção, moradores que dependem de elevadores, equipamentos domésticos, portões eletrônicos e sistemas de bombeamento. Em prédios, a oscilação também pode afetar bombas, interfones e sistemas de segurança.
A concessionária afirma atuar para restabelecer o serviço “o mais breve possível”, mas os moradores continuam submetidos a falhas que atingem rotinas básicas, sem nenhum sinal de que a empresa privatizada possa apresentar um plano de prevenção de apagões. Cinco meses após o apagão prolongado, a repetição de instabilidade no Leme reforça que o problema não é pontual para quem depende diariamente da rede elétrica da Light.




