Guerra no Oriente Próximo

Jato iraniano realizou operação heroica contra base dos EUA

Caça F-5 do Irã atravessou defesas norte-americanas e bombardeou base dos EUA no Cuaite, informou a NBC

Um caça F-5 iraniano atravessou o sistema de defesa aérea dos EUA e bombardeou a base norte-americana Camp Buehring, no Cuaite, nos primeiros dias da guerra dos EUA e de “Israel” contra o Irã. A informação foi divulgada pela NBC News neste domingo (26), com base em três autoridades norte-americanas, dois assessores do Congresso dos EUA e uma pessoa com conhecimento sobre os danos causados às bases.

Segundo a reportagem, os danos sofridos por instalações militares norte-americanas na região do Golfo Pérsico foram muito maiores do que o governo de Donald Trump reconheceu publicamente. As bases atingidas tiveram “danos extensos”, que devem custar bilhões de dólares para serem reparados.

A ofensiva iraniana foi uma resposta à campanha de bombardeios lançada pelos EUA e por “Israel” contra o Irã em 28 de fevereiro. Após os ataques imperialistas, as Forças Armadas iranianas retaliaram rapidamente e atingiram dezenas de alvos em bases norte-americanas em sete países da Ásia Ocidental.

As autoridades ouvidas pela NBC News afirmaram que os ataques iranianos atingiram depósitos, centros de comando, hangares de aeronaves, infraestrutura de comunicação por satélite, pistas de pouso, radares modernos e dezenas de aeronaves. O American Enterprise Institute (AEI), centro de estudos conservador em Washington, chegou a conclusão semelhante sobre a extensão dos danos.

O ponto mais importante revelado pela reportagem foi o ataque do F-5 iraniano contra Camp Buehring. A base era protegida por baterias de mísseis Patriot, interceptadores de curto alcance, radares avançados e uma rede permanente de vigilância regional. Mesmo assim, o caça iraniano conseguiu se aproximar em baixa altitude e realizar o bombardeio.

Segundo a NBC News, o ataque foi feito com uma bomba comum, isto é, sem sistema sofisticado de orientação. A aeronave conseguiu passar pelas baterias Patriot e pelos sistemas de defesa de curto alcance que deveriam criar zonas sobrepostas de interceptação.

A publicação Defence Security Asia observou que o caso representa problemas sérios para a doutrina militar dos EUA. O fato de um F-5 iraniano, uma aeronave antiga, ter explorado essa brecha mostra os limites dos radares, o tempo de reação dos centros de comando e a dificuldade de identificar aviões rápidos em baixa altitude durante uma guerra.

O êxito da operação iraniana desmente diretamente as declarações repetidas de Trump de que a Força Aérea do Irã havia sido “completamente obliterada”. Mesmo depois dos bombardeios dos EUA e de “Israel”, o Irã manteve capacidade de empregar aviões de combate e atingir uma instalação militar norte-americana fortemente protegida.

O ataque também marcou um fato raro na história militar recente dos EUA. Segundo duas autoridades norte-americanas ouvidas pela NBC News, foi a primeira vez em muitos anos que uma aeronave inimiga de asa fixa atingiu uma base militar dos EUA.

O último caso conhecido de um avião de guerra inimigo atingir com sucesso uma grande base norte-americana ocorreu em 1953, durante a Guerra da Coreia. Na ocasião, a Força Aérea da Coreia do Norte realizou um ataque noturno em baixa altitude contra a ilha de Cho-do, eliminando dois soldados dos EUA. Desde então, por mais de 70 anos, o imperialismo norte-americano manteve quase total superioridade aérea sobre suas bases.

O caça usado pelo Irã provavelmente foi o HESA Kowsar, versão nacional iraniana do F-5 Tiger II, desenvolvido originalmente pelos EUA. A aeronave é classificada como caça de terceira geração e tem origem em um projeto do fim da década de 1950, produzido em grande escala nos anos 1960. O Irã desenvolveu o Kowsar por meio da engenharia reversa dos F-5 fornecidos pelos próprios EUA antes da Revolução Iraniana.

Além do ataque do F-5, VANTs iranianos também atingiram instalações norte-americanas nos primeiros dias da guerra. Em 1º de março, um ataque contra um centro de operações táticas perto do porto de Shuaiba, no Cuaite, eliminou seis militares dos EUA e deixou mais de 60 feridos.

O porto de Shuaiba fica próximo de Camp Arifjan e de Camp Buehring, instalações centrais para a logística militar norte-americana no Golfo Pérsico. Atingir essa região significa afetar diretamente a capacidade dos EUA de movimentar tropas, equipamentos, combustível e suprimentos para suas operações na Ásia Ocidental.

Em 4 de abril, 1.500 marinheiros foram retirados de volta aos EUA de sua base naval no Barém depois que a instalação foi atacada por mísseis e VANTs iranianos no início da guerra. O Barém abriga a 5ª Frota da Marinha dos EUA, uma das principais bases da presença naval norte-americana na região.

A combinação de ataques com mísseis, VANTs e aeronaves tripuladas obrigou as defesas norte-americanas a responder a ameaças de diferentes tipos ao mesmo tempo. Analistas afirmaram que isso revelou falhas na proteção das bases, na logística e na capacidade de manter forças avançadas sob ataques prolongados.

Os danos relatados pela NBC News incluem estruturas de comando, pistas, hangares, radares e sistemas de comunicação por satélite. São componentes essenciais para a operação militar norte-americana. A reconstrução dessas instalações exige equipamentos especializados, contratos complexos e tempo prolongado de reparo.

A reportagem afirma que o custo total dos reparos deve chegar a bilhões de dólares. As perdas também atingem a capacidade militar dos EUA em outras regiões, pois recursos que poderiam ser usados em outros planos do Pentágono terão de ser deslocados para reconstruir bases atingidas pelo Irã.

O caso de Camp Buehring tem importância especial porque mostra que as bases norte-americanas no Golfo Pérsico não são intocáveis. A operação do F-5 iraniano atingiu diretamente a imagem de superioridade militar absoluta vendida por Washington e mostrou que, mesmo diante de sistemas caros e avançados de defesa, o Irã conseguiu alcançar uma instalação estratégica dos EUA.

A guerra aberta pelos EUA e por “Israel” contra o Irã foi apresentada por Trump como uma ação capaz de destruir rapidamente a capacidade militar iraniana. A retaliação de Teerã mostrou o contrário. As bases norte-americanas na região sofreram ataques em larga escala, tiveram infraestrutura destruída, militares mortos e aeronaves danificadas.

A operação do caça iraniano contra Camp Buehring entra, assim, como um dos episódios mais importantes da guerra. Um avião antigo, desenvolvido a partir de tecnologia que os próprios EUA forneceram ao Irã antes da Revolução, atravessou as defesas do imperialismo e bombardeou uma base norte-americana. Uma demonstração da capacidade militar da República Islâmica e da vulnerabilidade da presença dos EUA na região.

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