A crise do futebol italiano atingiu novo patamar com a eliminação da seleção da Itália da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva após derrota em partida nesta terça-feira (31). A derrota para a Bósnia e Herzegovina nos pênaltis, nos playoffs, selou mais uma ausência da Azzurra no principal torneio do futebol mundial e desencadeou uma série de renúncias no comando da federação e da própria delegação da equipe nacional.
O primeiro a deixar o cargo foi Gabriele Gravina, presidente da Federação Italiana de Futebol desde 2018. Pressionado nos últimos dias, inclusive por integrantes do governo italiano, Gravina renunciou na quinta-feira (2), encerrando um período em que acumulou a responsabilidade por um dos piores ciclos da história recente da seleção. A Itália, que esteve na Copa pela última vez em 2014, no Brasil, falhou novamente nas eliminatórias para a Rússia, para o Catar e agora para a próxima edição do Mundial.
Logo após a saída de Gravina, Gianluigi Buffon também anunciou seu desligamento. O ex-goleiro ocupava desde agosto de 2023 a função de chefe de delegação da seleção italiana. Em declaração pública, Buffon disse que apresentou a demissão um minuto após a partida contra a Bósnia, num gesto impulsivo nascido da dor da derrota. Posteriormente, afirmou sentir-se livre para tornar a decisão definitiva depois da renúncia de Gravina.
Buffon declarou que o principal objetivo de sua passagem pela função era levar a Itália de volta à Copa do Mundo, o que não foi alcançado. A fala expressa o tamanho do fracasso. O ex-goleiro era um dos pilares da geração campeã de 2006 e o recordista absoluto de partidas com a camisa da seleção, com 176 jogos entre 1997 e 2018. Sua presença na estrutura da equipe representava uma tentativa de recuperar parte da autoridade perdida pelo futebol italiano, mas o ciclo terminou em mais uma eliminação.
A sequência negativa é inédita para uma seleção campeã mundial. Pela primeira vez, uma equipe que já levantou a taça da Copa fica fora de três edições consecutivas do torneio. Isso explica a turbulência aberta no país. Na véspera da renúncia, o ministro do Esporte e da Juventude, Andrea Abodi, já havia pedido mudanças na federação e cobrado diretamente a saída de Gravina.
Para um país acostumado a figurar entre os centros do futebol internacional, trata-se de um colapso esportivo de grandes proporções.



