Nesta quarta-feira (14), o programa Plantão Irã, da Causa Operária TV (COTV), teve como destaque as ameaças da Itália de enviar navios para o Estreito de Ormuz. O programa apresentado por Victor Assis e Pedro Burlamaqui, que se define como um diário de notícias sobre a “guerra de agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã”, destacou ainda a fragilidade política do governo de Benjamin Netaniahu.
O programa iniciou-se com a crise interna no regime israelense. Pedro Burlamaqui relatou que partidos haredim (judeus ultraortodoxos) estão pressionando pela dissolução do knesset (o parlamento de “Israel”) e pela antecipação das eleições, motivados pelo fracasso do governo em aprovar a lei de isenção militar para o grupo.
Burlamaqui citou indiretamente o líder espiritual Dov Lando, que teria instruído a derrubada do parlamento por não haver mais confiança em Netaniahu. Somado à crise política, o comentarista mencionou ataques cibernéticos realizados pelo grupo Rachel Cor, que teria infiltrado sistemas de telecomunicação israelenses em retaliação à criminosa operação que assassinou integrantes do Hesbolá e civis libaneses.
Victor Assis, ao analisar a situação, apontou que a imagem de invencibilidade de “Israel” está se esvaindo:
“A grande vantagem de Israel para conseguir dominar a região é justamente a sua vantagem tecnológica… Na medida em que Israel não consegue mais demonstrar tanta superioridade, está dando o recado de que é um estado vulnerável.”
O programa seguiu abordando a aproximação diplomática secreta entre “Israel” e os Emirados Árabes Unidos. Segundo Burlamaqui, o governo Netaniahu confirmou visitas secretas do primeiro-ministro ao país árabe, enquanto o jornal Wall Street Journal revelou que o chefe do Mossad, David Barnea, também viajou aos Emirados Árabes para coordenar operações de inteligência contra o Irã.
Victor Assis avaliou que existe um movimento para transformar os Emirados na principal base do imperialismo na região após Israel. Ele afirmou indiretamente que a liderança dos EAU parece ser mais “cooptável” que a de outros vizinhos, servindo para criar intrigas na imprensa internacional ao colocar um país árabe contra o Irã.
Sobre o Líbano, o programa exibiu imagens de ataques israelenses contra veículos civis e edifícios residenciais. Burlamaqui mencionou que o Hesbolá denunciou a capitulação do governo libanês nas negociações mediadas pelos Estados Unidos em Washington, que exigiriam o desarmamento total do grupo.
Citando o Xeque Naim Qassem, secretário-geral do Hesbolá, Burlamaqui destacou o agradecimento do líder ao apoio “contínuo e sincero” do Irã nas últimas décadas. Victor Assis reforçou essa conexão:
“No Eixo da Resistência prevalece solidariedade internacionalista e revolucionária, a compreensão de que se o imperialismo está atacando um povo e é vitorioso, o próximo vai ser você.”
Um dos pontos centrais foi o anúncio de que a Itália enviará navios caçaminas para o Estreito de Ormuz, juntando-se a França e Inglaterra. O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, justificou o envio como uma medida preventiva caso a paz se rompa.
Em resposta às pressões externas, o parlamento iraniano finalizou o “Plano para Segurança e Desenvolvimento do Golfo Pérsico”. No entanto, o que mais chamou a atenção foi o plano de i”ação recíproca” que prevê retaliação direta contra Donald Trump, Benjamin Netaniahu e comandantes do Centcom pelo assassinato de lideranças iranianas.
Assis comentou a audácia da medida:
“É realmente inédito você ter um país com essa firmeza que o Irã está tendo no lidar com os Estados Unidos, de declarar abertamente que vai favorecer a perseguição ao presidente norte-americano.”





