Forças navais sionistas sequestraram, entre a noite de quarta-feira (29) e a madrugada de quinta-feira (30), dois membros da coordenação internacional da Flotilha Global Sumud, entre eles o brasileiro Thiago Ávila. A operação ocorreu em águas internacionais do Mediterrâneo, ao largo da costa de Creta, na Grécia, durante a interceptação de 22 embarcações da missão civil organizada para furar o bloqueio à Faixa de Gaza.
Ao todo, 175 ativistas de cerca de 20 países foram detidos pela ocupação sionista. A maioria, 173 pessoas, foi desembarcada na ilha de Creta entre quinta e sexta-feira (1º). Dois participantes, no entanto, foram sequestrados por “Israel”: Thiago Ávila, brasileiro e integrante do Comitê Diretor da Flotilha Global Sumud; e Saif Abukeshek, palestino radicado em Barcelona, com nacionalidade espanhola.
Das 53 embarcações que iniciaram a missão, 31 conseguiram escapar da operação sionista e seguem rumo à Faixa de Gaza com ajuda humanitária. A Flotilha Global Sumud é apresentada pelos organizadores como a maior missão humanitária civil já organizada para romper o bloqueio ao território palestino.
A interceptação ocorreu a cerca de 1.000 quilômetros tanto de Gaza quanto do território ocupado por “Israel”, demonstrando que se trata de sequestro em águas internacionais. A nota conjunta divulgada por Brasil e Espanha, em 1º de maio, classificou a ação como “sequestro”, “flagrantemente ilegal” e uma “afronta ao Direito Internacional”.
Os governos brasileiro e espanhol exigiram o retorno imediato de seus cidadãos, com garantias de segurança e acesso consular. A nota também afirmou que a ação sionista pode ser acionada em cortes internacionais e configurar delito nas jurisdições nacionais.
Thiago Ávila já havia participado de outras iniciativas contra bloqueios imperialistas e sionistas. Em 2025, esteve em uma flotilha anterior interceptada por “Israel”, junto a Greta Thunberg e Ada Colau. Em março de 2026, participou da Flotilha “Nuestra América” a Cuba, em solidariedade contra o bloqueio energético imposto pelo governo Trump.
Saif Abukeshek, por sua vez, integrava a coordenação internacional da flotilha. Segundo as informações divulgadas pelos organizadores, ele estava em um barco de observação e nem sequer tinha previsão de seguir até Gaza.
O Ministério das Relações Exteriores de “Israel”, por meio do porta-voz Oren Marmorstein, acusou Abukeshek, sem apresentar provas, de ser “suspeito de afiliação a organização terrorista”. Também acusou Ávila de “atividade ilegal”, sem detalhar a acusação.
A situação de Thiago Ávila é particularmente grave. Informação repassada ao deputado João Daniel (PT-SE) por seu gabinete, em ofício de urgência ao chanceler Mauro Vieira, afirma que o brasileiro pode ser enquadrado por terrorismo em “Israel”, crime cuja pena prevista pode chegar à execução por enforcamento.
A Global Sumud Flotilla denunciou 40 horas de “crueldade” a bordo de uma embarcação militar sionista em águas gregas. Segundo os ativistas, as forças de “Israel” recusaram o fornecimento adequado de comida e água, além de agredir participantes que resistiram pacificamente à separação de Ávila e Abukeshek do restante do grupo.
Os relatos apontam espancamentos, participantes algemados e arrastados pelo convés, narizes quebrados e costelas fraturadas. Também foram relatados disparos de arma de fogo durante o tumulto. Cerca de 34 feridos foram hospitalizados após o desembarque, incluindo cidadãos dos EUA, Austrália, Colômbia, Itália e Ucrânia. A versão mentirosa apresentada pelo chanceler sionista Gideon Saar foi de que os ativistas “saíram ilesos”.
A reação diplomática não ficou restrita a Brasil e Espanha. Em 30 de abril, 12 países divulgaram declaração conjunta condenando os ataques sionistas à Flotilha Global Sumud como violações flagrantes do direito internacional humanitário. Assinaram o documento Brasil, Turquia, Bangladexe, Colômbia, Jordânia, Líbia, Malásia, Maldivas, Mauritânia, Paquistão, África do Sul e Espanha.
Lara Souza, esposa de Thiago Ávila, está sem comunicação com o marido desde a tarde de quarta-feira. Mobilizações pela libertação imediata dos sequestrados ocorreram em diversas cidades. Na Itália, mais de 60 ações de emergência foram realizadas no dia 29.





