Oriente Médio

‘Israel’ instalou ao menos duas bases clandestinas no Iraque

Instalações foram utilizadas para encurtar a distância entre a Palestina Ocupada e o Irã durante as guerras de agressão travadas pela entidade sionista

“Israel” instalou pelo menos duas bases militares secretas no Iraque, segundo revelações feitas por autoridades iraquianas e regionais. As instalações ficavam no deserto ocidental iraquiano e foram usadas para apoiar operações militares contra a República Islâmica do Irã, inclusive durante a guerra de 12 dias de junho de 2025.

O caso veio à tona depois da morte de Awad al-Shammari, pastor beduíno de 29 anos, que teria descoberto uma das bases ao passar pela região de al-Nukhaib, no deserto iraquiano. Segundo familiares e testemunhas, ele saiu em 3 de março para comprar mantimentos e, horas depois, seu veículo foi encontrado queimado e perfurado por tiros.

De acordo com o relato de três testemunhas ouvidas pelo jornal norte-americano The New York Times, o caminhão de al-Shammari foi perseguido por um helicóptero, que disparou repetidas vezes até o veículo parar no meio da areia. Antes de perder contato com a família, o pastor teria comunicado ao comando militar iraquiano que havia visto soldados, helicópteros, tendas e uma pista de pouso.

A família afirma que ele foi morto porque encontrou uma instalação militar que não deveria existir oficialmente. O corpo foi localizado dias depois, queimado, ao lado do veículo destruído. Os parentes enterraram al-Shammari perto do local, sob uma lápide simples.

Segundo autoridades regionais citadas pela reportagem, “Israel” começou a preparar pelo menos uma dessas instalações ainda no fim de 2024, antes da guerra de 2025 contra o Irã. O objetivo era identificar pontos remotos do Iraque para encurtar a distância entre “Israel” e o território iraniano.

A base descoberta por al-Shammari teria sido usada para apoio aéreo, reabastecimento e atendimento médico. O Exército israelense se recusou a comentar a existência das bases e também não respondeu sobre a morte do pastor.

Segundo as autoridades citadas, pelo menos uma das bases era conhecida pelos Estados Unidos desde junho de 2025, ou talvez antes. As forças armadas norte-americanas têm tanta influência no aparato militar iraquiano que, durante a guerra dos 12 dias em 2025 e a guerra atual envolvendo Estados Unidos, “Israel” e Irã, autoridades iraquianas afirmaram que o governo norte-americano pressionou o Iraque a desligar seus radares para proteger aeronaves norte-americanas. Com isso, o país ficou ainda mais dependente dos próprios Estados Unidos para detectar movimentações militares hostis.

Depois da morte de al-Shammari e do ataque contra tropas iraquianas que tentaram se aproximar da região, o Parlamento do Iraque exigiu explicações dos chefes militares. Em 8 de março, comandantes foram obrigados a apresentar uma reunião confidencial a parlamentares.

Um dos deputados presentes, Hassan Fadaam, afirmou que “Israel” havia estabelecido pelo menos mais um posto avançado no Iraque. Segundo ele, a base de al-Nukhaib foi apenas “a única descoberta”. Outro funcionário iraquiano confirmou a existência de uma segunda base, também no deserto ocidental.

O major-general Ali al-Hamdani, comandante das Forças do Eufrates Ocidental, afirmou que o Exército iraquiano já suspeitava havia mais de um mês da existência de uma presença israelense no deserto. Segundo ele, comunidades beduínas vinham comunicando atividades militares estranhas na região. Mesmo assim, o Exército não se aproximou imediatamente. As tropas realizaram apenas monitoramento à distância e pediram informações aos norte-americanos. Não receberam resposta.

No dia seguinte ao relato de al-Shammari, unidades iraquianas foram enviadas para reconhecimento. Quando chegaram perto da área, foram atacadas. Um soldado iraquiano morreu, dois ficaram feridos e dois veículos foram bombardeados. As forças recuaram.

O comando iraquiano divulgou publicamente que “forças estrangeiras” haviam atacado seus soldados e afirmou que apresentaria reclamação ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Em sigilo, segundo oficiais iraquianos, o chefe do Estado-Maior, general Abdul-Amir Yarallah, telefonou para os norte-americanos. A resposta foi que a força não era dos Estados Unidos. Para os comandantes iraquianos, isso significava que era israelense.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a deste Diário

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