A Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica anunciou uma ampliação estratégica do perímetro defensivo iraniano no Estreito de Ormuz, na terça-feira (12). A medida redefine a passagem como um arco operacional de 500 quilômetros, com vigilância reforçada sobre águas e interesses do país. A nova definição amplia a área antes associada ao entorno das ilhas de Ormuz e Hengam e passa a incluir uma faixa que vai de Jasque e Sirique até além das ilhas de Queixome e Grande Tumb.
A estratégia naval apresentada pelo contra-almirante Mohammad Akbarzadeh, vice-político da Marinha dos Guardiões, marca uma mudança no modo como Teerã define a área operacional do estreito. Segundo ele, o que antes era tratado como uma zona limitada passou a ser entendido como uma extensão contínua, em forma de crescente, capaz de cobrir as rotas marítimas mais sensíveis para a segurança iraniana. A autoridade afirmou que o Estreito de Ormuz deixou de ser visto apenas como uma passagem de 20 a 30 milhas e passou a abranger uma profundidade de 200 a 300 milhas, o equivalente a cerca de 500 quilômetros.
A ampliação fortalece a presença naval iraniana em uma região decisiva para o comércio mundial de energia. O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais importantes do planeta e concentra parcela expressiva dos carregamentos globais de petróleo e gás. Ao reposicionar a área como um “crescente” operacional, o Irã afirma que pretende impedir incursões hostis e garantir que qualquer navegação sensível se submeta às regras determinadas pela República Islâmica.
Akbarzadeh declarou que as Forças Armadas acompanham cuidadosamente todos os movimentos na região e não permitirão qualquer agressão contra as águas territoriais ou os interesses nacionais. A mensagem reforça a posição de Teerã de que o estreito não será tratado como espaço livre para pressão militar estrangeira. A autoridade também afirmou que a defesa da integridade territorial é uma linha de compromisso das Forças Armadas iranianas, que responderão com todos os meios diante de violações.
A nova estratégia aparece em meio ao endurecimento do controle iraniano sobre a passagem marítima. O Corpo de Guardiões declarou que a única rota segura pelo estreito será o corredor designado pela República Islâmica e advertiu que embarcações que se desviem desse trajeto poderão enfrentar resposta decisiva. A orientação eleva o grau de controle iraniano sobre a circulação naval e transforma a passagem em instrumento direto de defesa e de pressão contra forças consideradas hostis.
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz a embarcações hostis, em vigor desde o início de março, foi apresentado por Teerã como resposta à agressão lançada pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã. O controle mais rígido foi reforçado depois de Washington anunciar bloqueio contra navios e portos iranianos, medida denunciada pelo governo iraniano como ilegal e equivalente a pirataria marítima.
A disputa sobre Ormuz já provocou abalos no fluxo internacional de energia e forte instabilidade nos preços. Nas últimas semanas, navios de guerra dos Estados Unidos que tentaram se aproximar das águas iranianas foram, segundo o relato iraniano, repelidos por disparos diretos. Nesse quadro, a definição do estreito como um arco operacional de 500 quilômetros consolida a intenção iraniana de transformar sua defesa naval em ferramenta permanente de soberania, dissuasão e controle sobre uma das passagens mais estratégicas do mundo.




