O Irã entregou aos Estados Unidos uma proposta de 14 pontos para encerrar a guerra imposta pelo imperialismo norte-americano e pela ocupação israelense. O documento foi enviado por intermédio do Paquistão, que atua como mediador nas conversações indiretas entre os dois países, segundo informaram as agências iranianas Fars e Tasnim.
A proposta iraniana responde a um plano de nove pontos apresentado pelos EUA. De acordo com a Fars, o texto estabelece um plano claro para o fim completo da guerra e reafirma as linhas vermelhas do Irã para qualquer acordo. A agência informou que as trocas de mensagens entre o governo iraniano e o governo norte-americano continuam por meio de Islamabade, apesar da desconfiança do Irã em relação aos EUA.
A Tasnim também confirmou o envio da resposta iraniana. Segundo a agência, o plano apresentado pelos EUA previa um cessar-fogo de dois meses. O Irã, por sua vez, defendeu que todos os temas centrais sejam resolvidos em até 30 dias, para evitar a simples prorrogação de uma trégua temporária e buscar um acordo geral.
A proposta iraniana inclui garantias contra novas ações militares, a retirada das forças norte-americanas de áreas próximas ao Irã, o fim do bloqueio marítimo, o desbloqueio de bens iranianos congelados e o pagamento de indenizações. O documento também exige o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a criação de um novo mecanismo para administrar o Estreito de Ormuz.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharib Abadi, afirmou neste sábado (2) que a proposta oficial tem como objetivo encerrar de forma permanente a guerra imposta pelos EUA e por “Israel”.
Em reunião realizada em Teerã com embaixadores estrangeiros residentes no país, Gharib Abadi afirmou que “a bola está agora no campo dos norte-americanos”. A frase foi usada para destacar que cabe aos EUA escolher entre a via diplomática e a continuidade da guerra.
O dirigente iraniano afirmou ainda que o país sempre defendeu a diplomacia baseada em interesses mútuos para resolver questões pendentes e que cumpriu plenamente seu papel nesse terreno. No entanto, ressaltou que o Irã mantém “pessimismo e falta de confiança” em relação aos EUA e à sinceridade de qualquer iniciativa diplomática norte-americana.
Gharib Abadi também enviou uma mensagem direta sobre o terreno militar. Segundo ele, o Irã está completamente preparado para responder de maneira decisiva a qualquer agressão contra o país ou contra sua população. O vice-ministro afirmou que o Irã está pronto tanto para a hipótese de um acordo político quanto para o caso de uma nova confrontação imposta pelo imperialismo.
A movimentação diplomática iraniana ocorreu em paralelo a contatos do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, com autoridades europeias. Na sexta-feira (1º), Araghchi conversou por telefone com Kaja Kallas, chefe da política externa da União Europeia, e apresentou as propostas iranianas para encerrar a guerra e restabelecer a estabilidade regional.
Em outra ligação, Araghchi conversou com o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã, as conversas trataram das iniciativas iranianas para interromper a guerra imposta pelos EUA e pela ocupação israelense, além das negociações sobre cessar-fogo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que analisa a proposta iraniana, mas expressou dúvidas sobre a possibilidade de aceitá-la. Ao falar com jornalistas antes de embarcar no Air Force One, Trump disse: “vou informar vocês sobre isso depois”. Em seguida, afirmou que seus auxiliares deveriam lhe apresentar a redação exata do documento.
Pouco depois, Trump publicou em sua conta na Truth Social que “não consegue imaginar que isso seja aceitável”. O presidente norte-americano acrescentou que o Irã “ainda não pagou um preço alto o suficiente” pelo que chamou de ações contra “a humanidade e o mundo” nos últimos 47 anos.
Embora as hostilidades diretas estejam suspensas por um cessar-fogo de três semanas, os EUA mantêm forte pressão militar contra o Irã. O governo norte-americano conserva destacamentos navais na região e um bloqueio voltado contra portos e embarcações iranianas.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, indicou que o bloqueio continuará até que as condições marítimas voltem ao que chamou de “liberdade de navegação anterior a 27 de fevereiro” no Estreito de Ormuz. A passagem é uma das áreas mais importantes para o comércio mundial de energia, por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido no planeta.
As forças navais norte-americanas também intensificaram ataques piratas para abordar à força embarcações iranianas, incluindo navios petroleiros e cargueiros em diferentes regiões, inclusive em águas asiáticas. Essas ações fazem parte de uma ofensiva mais ampla contra portos iranianos e contra navios acusados de violar o regime de sanções dos EUA.
Trump chegou a comparar as operações navais dos EUA contra o Irã a atos de pirataria, numa declaração que expõe o caráter agressivo da campanha imperialista. O governo norte-americano tem realizado sequestro de navios após sua saída de portos iranianos e operações contra embarcações submetidas às sanções impostas unilateralmente pelos EUA.
Dados reunidos pela Lloyd’s List Intelligence apontam que pelo menos 26 navios de carga entraram ou saíram de portos iranianos após a imposição do bloqueio em 13 de abril. O dado indica que, apesar da pressão norte-americana, o Irã manteve parte de sua movimentação marítima e segue resistindo à tentativa de estrangulamento econômico e militar.





