A Marinha do Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica anunciou nesta terça-feira (8) a captura de um submarino não tripulado dos Estados Unidos na entrada do Estreito de Ormuz. O equipamento foi identificado pela imprensa iraniana como um Dive-LD, fabricado pela norte-americana Anduril Industries.
A operação foi realizada ao amanhecer por forças de inteligência e unidades militares iranianas. O aparelho, entregue à Marinha dos Estados Unidos em 2025, é um dos veículos subaquáticos autônomos mais recentes utilizados pelo Pentágono.
O Dive-LD possui aproximadamente 5,8 metros de comprimento, pesa quase três toneladas e pode permanecer submerso durante até dez dias. Segundo as especificações divulgadas por seu fabricante, alcança profundidades de até 6.000 metros.
O aparelho pode receber diferentes sensores e equipamentos de acordo com a missão. Entre suas funções estão reconhecimento, vigilância, coleta de informações, preparação de áreas para operações militares, guerra de minas e instalação de equipamentos submarinos.
A captura coloca nas mãos do Irã um equipamento de inteligência recentemente incorporado ao arsenal norte-americano. A Guarda Revolucionária informou que divulgará imagens do submarino apreendido.
Horas antes, o Exército iraniano havia anunciado a derrubada de um drone MQ-1 dos Estados Unidos sobre Bandar Abbas, cidade próxima ao Estreito de Ormuz.
Os episódios ocorreram no mesmo dia em que a agência iraniana Tasnim informou que forças norte-americanas atingiram um pequeno petroleiro do Irã nas proximidades da ilha de Kharg. Fontes locais informaram que a tripulação estava sendo retirada e que não havia registro de mortos.
O ataque levou o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, comando conjunto das Forças Armadas iranianas, a advertir que novas ações contra embarcações do país terão como resposta ataques contra bases e demais posições dos Estados Unidos na região.
A advertência foi divulgada depois de ameaças norte-americanas contra três petroleiros iranianos. O Irã deixou claro que a rede militar mantida pelo imperialismo norte-americano no Golfo Pérsico será considerada alvo caso o Pentágono prossiga com os ataques aos navios do país.
As tensões também aumentaram depois que os Estados Unidos anunciaram uma nova rodada de sanções contra a aviação iraniana, incluindo medidas contra 27 companhias aéreas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reagiu: “depois de 47 anos de sanções, os EUA foram à guerra contra o Irã em nome de ‘Israel’. As consequências foram desastrosas para os Estados Unidos, inclusive para sua posição mundial.”
Araghchi também ironizou a insistência da Casa Branca nas sanções: “depois de não conseguir atingir seus objetivos por meio das sanções ou da guerra, a solução ‘inovadora’ de Washington é… mais sanções. Sério?”
A captura do Dive-LD e a derrubada do MQ-1 mostram a capacidade iraniana de atingir equipamentos empregados pelos Estados Unidos em operações de inteligência e militares junto ao território do país. Ao mesmo tempo, Teerã advertiu que ataques contra sua navegação não ficarão sem resposta e poderão atingir diretamente as instalações mantidas pelos norte-americanos na região.




