Oriente Próximo

Irã cobra ONU por reconhecimento de crime de guerra dos EUA

A cobrança se refere ao ataque contra o destróier iraniano Dena, atingido por um submarino norte-americano perto da costa sul do Sri Lanka

O Alto Conselho de Direitos Humanos do Irã cobrou que a ONU reconheça autoridades dos Estados Unidos como criminosos de guerra, em Teerã, na segunda-feira (11). A cobrança se refere ao ataque contra o destróier iraniano Dena, atingido por um submarino norte-americano perto da costa sul do Sri Lanka, na quarta-feira (4 de março). Na ocasião, dois torpedos foram disparados contra a embarcação, matando 104 tripulantes.

O Dena voltava para o Irã após participar, a convite da Marinha indiana, dos exercícios International Fleet Review 2026 e Milan 2026, no porto de Visakhapatnam. O navio estava em águas internacionais quando foi atacado. Para Teerã, o fato de a embarcação estar retornando de uma atividade naval regular e pública reforça o caráter deliberado e ilegal da ação norte-americana.

A nota iraniana afirma que o submarino USS Charlotte disparou dois torpedos contra o Dena durante a guerra ilegal de agressão conduzida por Estados Unidos e “Israel” contra o Irã. O conselho sustenta que o ataque violou a proibição do uso da força fora do direito de autodefesa previsto na Carta da ONU. Também afirma que os princípios de distinção, precaução e proporcionalidade do direito humanitário foram rompidos. 

Segundo o pedido do Irã, o crime foi agravado pela forma do ataque. Houve  uma ação em duas etapas, com objetivo de aumentar o número de vítimas depois que o navio já havia sido incapacitado. Além disso, o submarino norte-americano teria deixado a área sem realizar operação de resgate, violando direitos fundamentais dos marinheiros feridos e afogados. Teerã também acusa Washington de impedir o retorno dos corpos de seus mártires de forma desumana. 

O balanço divulgado pelo Irã aponta 104 marinheiros mortos, 32 tripulantes resgatados por forças do Sri Lanka e 20 corpos nunca encontrados. Esses números sustentam a acusação de que não se tratou de um ataque ou batalha naval comum, mas de um crime de guerra contra uma embarcação identificável, fora de cenário de autodefesa e sem socorro posterior aos sobreviventes. A destruição do Dena reúne os elementos de um crime de guerra: alvo militar em deslocamento regular, ataque deliberado, mortes em massa e abandono dos feridos.

O Alto Conselho pediu ao Conselho de Direitos Humanos e ao secretário-geral da ONU que condenem oficialmente o ataque, abram um caso independente e registrem os nomes das autoridades militares e políticas norte-americanas responsáveis como criminosos de guerra. O Irã também exige pedido oficial de desculpas e pagamento integral de indenização às famílias dos mortos, ao governo e ao povo iraniano. Teerã afirma ainda reservar seu direito legítimo de resposta proporcional e de busca jurídica em instâncias nacionais e internacionais.

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