Oriente Próximo

Imprensa imperialista reconhece danos causados pelo Irã em nova resposta

CGRI anunciou nova fase da retaliação contra a agressão norte-americana; ataques atingiram posições dos EUA no Golfo, na Jordânia, no Cuaite e no Barém

O Irã ampliou sua resposta militar contra os Estados Unidos. Nesta quinta-feira (9), o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou uma nova fase da retaliação iraniana aos ataques norte-americanos contra o território do país.

Segundo comunicado do CGRI, a segunda fase da operação destruiu um centro de comando e controle dos EUA no Oriente Próximo e atingiu a base aérea Muwaffaq Salti, conhecida como base de Azraq, na Jordânia. A ação teria sido realizada com 10 mísseis balísticos, às 14h20, horário local.

A Jordânia confirmou que sirenes de ataque aéreo foram acionadas em todo o país após a detecção de mísseis iranianos em seu espaço aéreo. A Embaixada dos Estados Unidos em Amã também emitiu alerta orientando cidadãos norte-americanos a buscarem abrigo por causa da presença de mísseis e drones sobre o território jordaniano.

Em seu comunicado, o CGRI advertiu que novos ataques dos EUA levarão a uma resposta ainda mais ampla. “Se o Exército norte-americano repetir sua agressão, nenhuma base norte-americana na região será poupada de nosso fogo intenso”, afirmou a força iraniana.

A primeira fase da resposta havia ocorrido horas depois dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã. Nessa operação, forças navais e aeroespaciais do CGRI atingiram instalações norte-americanas no Cuaite e no Barém. Entre os alvos estavam as bases de Arifjan e Ali Al Salem, no Cuaite, e posições militares dos EUA no Barém.

A respota iraniana também se estendeu a posições norte-americanas no Golfo. A televisão iraniana informou que navios de guerra dos EUA próximos à costa do Barém foram alvo de mísseis de cruzeiro. Segundo a mesma fonte, um destróier e outras embarcações norte-americanas teriam sido atingidos.

A nova escalada começou após ataques norte-americanos contra cinco províncias iranianas ao longo de dois dias. De acordo com o Ministério da Saúde do Irã, 14 pessoas foram mortas e 78 ficaram feridas. A República Islâmica acusa os EUA de violar o memorando de cessação de hostilidades e de tentar ampliar a guerra no momento em que o país realizava os funerais do mártir Aiatolá Saied Ali Khamenei.

A agressão dos EUA também atingiu uma ponte ferroviária iraniana ligada a rotas usadas por Rússia e China. Segundo a agência Fars, a estrutura faz parte de um corredor de transporte importante para o comércio regional. A Rússia utiliza essa rota para transporte de cargas desde novembro de 2025, e o tráfego de trens chineses teria aumentado após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

O ataque mostra que a ofensiva norte-americana não se limita a objetivos militares imediatos. O imperialismo também mira a articulação econômica entre Irã, Rússia e China. É uma tentativa de pressionar o país justamente no setor em que sua posição estratégica mais incomoda o imperialismo.

O Estreito de Ormuz voltou a ocupar o centro da situação. A Marinha do CGRI orientou embarcações de todo o mundo a utilizarem a rota definida pelo Irã no Golfo e no Estreito de Ormuz. A força iraniana afirmou que potências estrangeiras não têm qualquer direito de determinar a segurança da região.

Segundo o CGRI, a interferência militar norte-americana poderá atrapalhar a reabertura normal da passagem. A força afirmou que a aventura dos EUA coloca em risco os interesses dos países que dependem do Estreito de Ormuz.

O movimento de navios caiu fortemente depois da nova escalada. Dados de rastreamento citados pela Al Mayadeen indicam que a maior parte das embarcações se concentrou na rota autorizada pelo Irã, enquanto uma rota defendida pelos EUA permaneceu praticamente inativa. Alguns petroleiros voltaram a navegar com transponders desligados, uma tentativa de reduzir sua exposição em meio ao risco de novos ataques.

A versão norte-americana de que os danos seriam pequenos também começa a ser contestada. O Wall Street Journal, citando autoridades dos EUA, informou que as defesas norte-americanas e aliadas não conseguiram interceptar todos os ataques iranianos recentes contra bases no Cuaite e no Barém.

O jornal norte-americano afirmou que não houve mortos e que os danos teriam sido limitados. Ainda assim, o reconhecimento de que nem todos os ataques foram interceptados é um sinal do problema enfrentado pelos norte-americanos. Em outras fases da guerra, declarações iniciais dos EUA e de governos aliados também minimizaram os danos, antes que imagens de satélite revelassem crateras e instalações atingidas.

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