Polêmica

Imprensa burguesa amplia pressão por eutanásia

A campanha pela eutanásia, que a imprensa burguesa vende como um direito humano, nada mais é que um meio de lucrar ainda mais

Eletro

Na matéria “Medicina moderna tirou a morte de dentro de casa e perdemos a familiaridade com ela, diz médica referência em eutanásia”, publicada neste domingo (9) na Folha de S. Paulo, a imprensa burguesa, a mando dos bancos e das seguradoras de saúde, dá mais um passo em sua campanha pela eutanásia. Mas, obviamente, é dito que se trata da vontade individual e da dignidade humana.

Desta vez, a Folha de S. Paulo entrevista a médica canadense Stefanie Green, apresentada como “pioneira” e “uma das primeiras médicas a oferecer o MAiD (sigla em inglês para assistência médica para morrer) no Canadá, logo após a prática ser legalizada, Green já acompanhou mais de 300 mortes assistidas no país. Ela é presidente fundadora da Camap (Associação Canadense de Avaliadores e Provedores de MAiD).”

Ironicamente, Green passou mais de 20 anos como obstetra antes de se transferir para o outro lado da linha.

A médica também se autodeclara “guia em dois dos momentos mais intensos da vida”, e diz “enxergar a morte assistida como um direito humano e rebate críticas de que a prática desrespeita a inviolabilidade da vida humana.”

Green diz também: “Vejo médicos como pessoas que ajudam pessoas”, e ela mesma também não percebe “conflito entre esse trabalho e [seus] deveres profissionais e éticos.” A médica completa dizendo: “Eu durmo bem à noite.” O que, na prática, não quer dizer nada.

A campanha se aprofunda no Brasil, “a canadense participará do primeiro simpósio internacional da Eu Decido, organização brasileira dedicada a pautar o debate no país, que ainda não tem legislação nem projeto de lei em tramitação sobre o tema.”

Rigorosamente falando, as pessoas poderiam ter o direito sobre suas vidas. O que ocorre, na prática, é uma campanha de convencimento. Portanto, falar em livre escolha quando se é alvo de propaganda constante é muito temerário.

O problema todo é o dinheiro. Com a ampliação do MAiD, o governo canadense divulgou que está economizando quase 150 milhões de dólares por ano. No sistema privado de saúde, a economia será infinitamente maior. Pacientes com doenças graves requerem maior cuidado, remédios caros, etc. Fica muito mais barato levar o paciente para uma sala de “cuidados paliativos” que, basicamente, deveria garantir que a pessoa morresse sem sofrimento.

A ‘Justiça’

Na entrevista, é dito com a maior naturalidade que “na maioria dos países que regulamentaram a morte assistida, foi o Parlamento quem aprovou a lei diretamente. Mas o Canadá é uma exceção — veio de uma decisão da Suprema Corte, que deu ao Parlamento um prazo de 12 meses para legislar.” Conforme a própria Stefanie Green relata, “isso não aconteceu porque eleitores exigiram, nem porque algum governo achou que era uma boa ideia. Foi porque a Suprema Corte disse que, se certas pessoas em certas situações não tivessem a capacidade de pedir e receber isso, seria uma violação de seus direitos.”

O imperialismo tem utilizado sistematicamente os judiciários de diversos países para impor sua política, mas a médica torce o problema dizendo que “No Canadá, a morte assistida é uma questão de direitos humanos, e isso é muito diferente de uma pauta parlamentar de qualquer partido — opiniões políticas podem mudar com o tempo, mas uma decisão judicial baseada em direitos constitucionais é mais sólida.”, o que é completamente falso. Por que uma decisão de um punhado de juízes seria mais sólida que uma proposta por centenas de deputados?

Chantagem

A entrevista dá uma pista de como se pode convencer uma população a aprovar a eutanásia. Pega-se um caso de uma pessoa sofrendo e se faz disso um debate nacional. No caso de Sue Rodriguez, “pesquisas nacionais, antes e depois da decisão da Corte, mostram consistentemente forte apoio popular — números na casa dos 80% e acima.” Utilizam um caso para fazer uma generalização.

Outra deturpação é colocar a rejeição à eutanásia como um problema religioso, uma espécie de atraso, e não um problema ético.

Ao ser questionada sobre “especialistas” terem dito que no Brasil, debates envolvendo autodeterminação tendem a ser especialmente difíceis, Green diz que “pressões culturais e religiosas em certos lugares que têm uma voz muito forte na população, historicamente e ainda hoje.”

No Brasil, deve ser assim em outros países, os “cuidados paliativos” já são uma realidade. Há sempre um profissional do hospital explicando para os parentes que um paciente não tem cura, que está sofrendo, que o melhor é sedar e deixar que passe ‘naturalmente’, seria mais humano, etc.

O mundo real

Apesar de tudo o que Stefanie Green diz sobre o quão importante e moral é sua atividade, é preciso rever alguns fatos sobre o que vem acontecendo especificamente no Canadá e escrevemos em uma matéria anterior:

Segundo dados oficiais do governo canadense, até o final de 2024, o total acumulado ficou em torno de 76 mil mortes.

A evolução mostra um crescimento constante:
• Começou com cerca de 1.000 casos em 2016.
• Chegou a 13.241 em 2022. (aumentou 13 vezes em 6 anos)
• Atingiu um recorde de 16.499 mortes em 2024, o que representou aproximadamente 5,1% de todos os óbitos registrados no país naquele ano (cerca de 1 em cada 20 mortes em um país de 40 milhões de habitantes).

A esmagadora maioria dos casos (cerca de 95%) entra na chamada Track 1, voltada para pessoas cuja morte natural é “razoavelmente previsível” (como pacientes terminais de câncer). No entanto, a aprovação da Track 2 passou a permitir o procedimento para pessoas com doenças crônicas ou deficiências graves que não estão em fase terminal.

Relatórios recentes têm levantado preocupações de que fatores socioeconômicos — como o isolamento social, a falta de moradia adequada, a dor crônica mal assistida e falhas no acesso a cuidados paliativos de qualidade — estejam pesando na decisão de algumas pessoas vulneráveis ao solicitarem o MAiD.

Além disso, em alguns estados canadenses, o avanço das taxas médicas para o MAID tornou o procedimento financeiramente atraente em comparação com consultas de rotina da medicina de família, o que pode “estimular” os médicos a convencerem as pessoas de que o melhor é uma “morte digna”.

A burguesia já deixou claro que acredita que existe gente demais no mundo. Portanto, está pondo em prática um procedimento que, além de cumprir o desejo da burguesia, ainda aumenta seus lucros.

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