Futebol

Impedir craques que jogam na Europa de entrar na Seleção é ataque ao Brasil

Projeto apresentado na Câmara excluiria os melhores jogadores brasileiros e obrigaria a Seleção a disputar a Copa com uma equipe de segunda linha

Um deputado quer impedir os melhores jogadores brasileiros de defender a Seleção. Nesta quarta-feira (8), Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) protocolou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3.582/2026, que proíbe a convocação de atletas e integrantes de comissões técnicas vinculados a clubes do exterior.

Pelo projeto, as seleções masculina, feminina e de base somente poderiam convocar jogadores registrados em clubes brasileiros que disputem competições oficiais no Brasil. A proibição alcança também treinadores, auxiliares, preparadores físicos e os demais membros da comissão técnica. A única exceção prevista é para amistosos e eventos promocionais, mediante autorização do órgão competente.

O projeto mistura essa proibição com um veto aos contratos entre entidades esportivas e empresas de apostas. Clubes, federações e confederações ficariam impedidos de firmar acordos de patrocínio, publicidade, promoção, licenciamento e direito de nome com essas empresas.

As marcas também não poderiam aparecer em uniformes, estádios, centros de treinamento, transmissões e meios digitais. Os contratos atuais teriam de ser encerrados em até 180 dias. O descumprimento poderia levar à perda de recursos federais, incentivos fiscais e convênios, além de outras sanções.

O deputado ainda sugere este veto sob o pretexto de proteger crianças e adolescentes. A campanha contra as casas de apostas se apresenta como defesa da população, mas ataca o direito de apostar. Essas empresas devem ser regulamentadas, mas isso é completamente diferente de proibir as apostas e tratar o apostador como um incapaz que precisa da tutela do Estado. É o moralismo dos bem-pensantes que, em nome da defesa dos costumes, reduz os direitos da população. Ao mesmo tempo, é uma forma de sufocar os times que dependem dessas empresas.

Na justificativa, Hauly afirma que a saída precoce dos jogadores para o exterior enfraqueceu os clubes brasileiros e diminuiu a identificação dos torcedores com a Seleção. A conclusão não corresponde ao problema apresentado.

Os craques brasileiros atuam na Europa porque os clubes europeus possuem mais dinheiro e pagam salários superiores aos oferecidos no Brasil. Grande parte dos jogadores vem de famílias trabalhadoras e encontra no futebol uma oportunidade de melhorar suas condições de vida. É natural que procure os contratos mais vantajosos.

Atuar em um clube estrangeiro não elimina a qualidade do jogador nem o torna menos brasileiro. Também não apaga sua formação no futebol nacional. A transferência para outro país pode influenciar determinados aspectos do seu jogo, mas não transforma automaticamente o atleta em um jogador europeu.

A proposta de Hauly não impede a saída de ninguém. Apenas proíbe que os melhores jogadores sejam convocados. Na prática, o Brasil disputaria a Copa do Mundo com uma equipe de segunda linha.

Por trás do projeto está a fantasia de que a Seleção poderia vencer uma Copa sem os principais atletas do País. O deputado não afirma isso diretamente, mas essa é a consequência inevitável da medida: retirar os titulares e entregar a responsabilidade aos reservas.

Durante anos, os inimigos do futebol brasileiro afirmaram que a Seleção havia acabado, que o País já não produzia craques e que seu futebol perdera todo o valor. Agora aparece um projeto para impedir o Brasil de convocar justamente os principais jogadores que ainda produz.

Isso não fortalece os clubes brasileiros. Apenas enfraquece a Seleção, favorece seus adversários e amplia a campanha contra um dos maiores patrimônios do povo brasileiro.

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