O presidente do Parlamento sediado em Saná, Iahia Ali al-Rai, advertiu neste sábado (17) o governo egípcio contra a participação na agressão saudita ao Iêmen. Em carta urgente ao presidente do Parlamento do Egito, Hixam Badaui, afirmou que uma intervenção ameaçaria a segurança nacional e a estabilidade interna do próprio Egito.
A advertência responde ao presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi, que pediu autorização parlamentar para uma possível intervenção militar em apoio à monarquia saudita. A Câmara dos Representantes anunciou uma sessão extraordinária para este domingo (18), destinada a examinar o pedido.
Durante uma cerimônia de formatura na Academia Militar egípcia, al-Sisi declarou que o país está disposto a agir militarmente caso Riade solicite ajuda formalmente. Apresentou a proposta como uma operação de “defesa” da Arábia Saudita, e não como o que de fato é: uma agressão contra o povo iemenita em nome dos interesses do imperialismo na região.
Na carta divulgada pela agência de notícias Saba, al-Rai ressaltou os laços históricos entre os dois povos e pediu que o Cairo não se submeta à política saudita. “Rejeitamos categoricamente que o Egito, com sua herança e sua história árabes, seja arrastado para uma guerra que contradiz seus valores”, declarou.
O dirigente alertou que a intervenção agravaria os confrontos na região e contrariaria o papel histórico do Egito na defesa das causas árabes. Advertiu também contra o alinhamento com as forças que agridem o Iêmen, entre as quais incluiu “Israel” e grupos armados apoiados pela monarquia saudita.
Bombardeios e bloqueio
Al-Rai responsabilizou a Arábia Saudita pela guerra e pelo bloqueio impostos ao país há mais de uma década. Denunciou que Riade abandonou os compromissos previstos na proposta de acordo de paz e impediu o avanço das negociações.
Apontou os ataques ao Aeroporto Internacional de Sanaa e a retomada dos bombardeios contra diversas províncias como ações deliberadas da monarquia para interromper a redução dos confrontos. Denunciou ainda a destruição de infraestrutura civil e o apoio saudita a grupos que atuam contra o Iêmen, entre eles o Estado Islâmico.
A alegação de al-Sisi de que prepara uma operação defensiva encobre a responsabilidade saudita pela guerra. Os ataques iemenitas com mísseis e aeronaves não tripuladas contra instalações estratégicas da monarquia respondem à renovação dos bombardeios contra o país. A ajuda militar egípcia reforçaria o agressor.
O Egito participou da coalizão comandada pela Arábia Saudita desde o início da intervenção, em março de 2015. Seu envolvimento concentrou-se principalmente em operações marítimas no Mar Vermelho. Agora, al-Sisi busca autorização para ampliar essa participação.
Na carta, al-Rai reafirmou as reivindicações iemenitas: fim da agressão, suspensão do bloqueio, respeito à soberania nacional e encerramento da ingerência estrangeira. Pediu ao governo egípcio que atue diplomaticamente por um acordo de paz.





