Copa do Mundo 2026

Identitários delirantes e picaretas inventam a afro-Argentina

A esquerda identitária, que não perde oportunidade para jogar lama no Brasil e acusar o País de racista, tem muita boa vontade com a Argentina

Messi retinto e Maradona negão

A esquerda identitária, que não mede esforços para criticar e escorraçar o Brasil, concede em tudo para o país vizinho, como no artigo “A argentina antirracista é maior”, assinado por Maré e publicado no sítio Esquerda Online, ligado ao MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) em 17 de julho.

O parágrafo inicial diz que “a chegada da Argentina à final da Copa do Mundo tem um sabor agridoce. Donald Trump fez do evento na América do Norte um show de horrores – que a FIFA poderia ter feito sozinha. Foram inúmeras expressões xenofóbicas, racistas, realmente imperialistas. E o sentimento de ser latino-americano ou africano e mostrar seu futebol contra os supostos donos do mundo, como brilhantemente fez Cabo Verde, foi o que permitiu a milhares seguir até aqui, agora através da latino-americana Argentina, acompanhando a copa mais empresarial da história. Do lado europeu que restou da copa, também é impossível não vibrar com o jovem jogador que exibe orgulhosamente a bandeira Palestina, Lamine Yamal.”

Por que um sabor agridoce? Molhos agridoces agradam a muita gente, enquanto a seleção argentina conseguiu desagradar a todos, exceto, é claro, para os próprios argentinos e inimigos do futebol, especialmente o brasileiro.

Qual torcida esteve particularmente envolvida nas “inúmeras expressões xenofóbicas, racistas”? E qual seleção acabou sendo favorecida para retirar Cabo Verde da Copa? O árbitro da partida, enquanto apitava falta para qualquer contato em Messi, deixou os argentinos baterem à vontade. Sem falar no pouco acréscimo após a conhecida catimba dos hermanos, etc.

A autora achou a torcida argentina “impressionantemente branca”. Impressionante, na verdade, seria se aparecesse um negro ali, pois no país apenas 0,34% da população é negra. Por mais que forcem para dizer que tem gente com algum resquício africano no DNA.

Como diz o texto, “jogadores argentinos avalizando as comemorações. O presidente de extrema direita Javier Milei… desnecessário detalhar suas posições asquerosas. Isso despertou um corretíssimo repúdio massivo ao racismo expresso por essa parcela da Argentina.” Se fosse um jogador brasileiro, com certeza estaria até hoje nas manchetes e toda a esquerda pequeno-burguesa teria cancelado o infeliz e exigido sua cabeça.

Chama a atenção o terceiro parágrafo, que diz textualmente: “Mas, como disse Philippe Alcoy, ‘Essa estranha acusação [de ‘país racista’] se apoia, em parte, em um certo racismo real existente no país. Porém, ela também serve para ocultar, atrás de um espesso véu de hipocrisia, o racismo dos outros, a começar pelas outras burguesias latino-americanas e pelas potências imperialistas.’ Vimos, além do repúdio obrigatório ao racismo, torcedores brasileiros lembrando que há um certo tipo de brasileiros que se apoiam no racismo deles – argentinos – para se esconder do seu próprio. Talvez pela velha rivalidade no futebol, além da hipocrisia.”

Como se vê, se utilizam brasileiros, se não para justificar, pelo menos para amenizar o racismo que a torcida argentina expressou, já que não seriam os únicos. É claro que não se pode tomar um país por uma torcida. No entanto, as manifestações depreciativas contra os brasileiros no país vizinho têm pelo menos um século, e remontam aos anos 1920, quando se classificava os brasileiros como “macacos”.

Dentro do país, as pessoas com traços indígenas e mestiços reclamam de sofrer discriminação e o termo “cabecita negra” é uma das expressões pejorativas mais marcantes desse preconceito na Argentina. Quer dizer que isso seja generalizado? Não, mas é um fato.

Na Guerra das Malvinas, não existem estatísticas étnicas oficiais, mas registros históricos, relatos de veteranos e reportagens da época confirmam que uma parte muito expressiva dos soldados combatentes e mortos nas Malvinas vinha das províncias mais pobres do interior da Argentina, apresentando fortes características indígena e mestiça.

Ocultando o problema

Para tentar apagar a questão da discriminação no país vizinho, a autora diz que “precisamos ver que a Argentina antirracista é maior e é nossa hermana.” A justificativa é que lá existem lutas sociais, pois “se mobiliza todos os anos massivamente pela punição aos genocidas da ditadura militar. Que tem um movimento feminista que arrancou a legalização do aborto.” Logo, um país assim não pode ser racista. Agora, o Brasil, que teve manifestações massivas como o movimento pelas eleições diretas, as greves no ABC Paulista, que já elegeu o PT cinco vezes para a presidência do País, é racista, fruto da escravidão e do estupro. Um verdadeiro erro histórico.

Se esforçando para criar um país que só existe em sua imaginação, Maré escreve que “Essa Argentina não faz inexistir a outra. Existiu um “branqueamento” forçado lá para apagar o passado de luta dos povos racializados, assim como aqui, mas em ambos os países, apesar de suas diferenças demográficas e seus diferentes tons de pele, negros e indígenas seguem firmemente existindo. Essa Argentina multiétnica existe e pulsa, protagoniza a luta de classes, que é a luta verdadeiramente antiracista.”

A autora do texto chega ao absurdo de dizer que “na Argentina existe uma esquerda forte que, como Zumbi dos Palmares legou às futuras gerações, não concilia.” Realmente, o papel aceita qualquer coisa.

O artigo falou tudo, não quer que odiemos os argentinos por causa do futebol, só não falou do essencial: o favorecimento que a seleção argentina recebeu da FIFA. É aí que está a crítica.

As redes sociais mostraram à exaustão a enorme quantidade de irregularidades em favor do time argentino, além do jogo violento e desleal, vendido como uma das maravilhas do futebol.

O selecionado argentino foi um instrumento do imperialismo, isso que tem de ser discutido, não se existe uma Argentina “afro-platina”, que só pode ser fruto da imaginação de certas pessoas.

Agora, a esquerda identitária tem que explicar: Por que tratam um país como o Brasil, que tem mais da metade da população de negros e pardos, como o mais racista do planeta; enquanto em outro país, onde 0,34% é negra, conseguem até enxergar um Zumbi dos Palmares?

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