Líbano

Hesbolá aumenta operações diante de matança perpetrada por ‘Israel’

Ataques israelenses atingiram vilas, prédios residenciais, escolas técnicas, equipes de resgate e uma patrulha do Exército libanês no sul do país

O Hesbolá ampliou nesta terça-feira (28) suas operações militares contra forças israelenses no sul do Líbano, após uma nova escalada de ataques de “Israel” contra cidades e vilas libanesas, mesmo após o acordo de cessar-fogo. Segundo autoridades libanesas e correspondentes locais, os bombardeios israelenses deixaram ao menos nove assassinados no último dia, incluindo integrantes da Defesa Civil, além de dezenas de feridos.

Desde 17 de abril, o cessar-fogo no Líbano permanece sob ataques constantes da ocupação israelense. Nesta terça-feira, uma ofensiva atingiu diferentes pontos do sul do país e do Vale do Becá, com ataques aéreos, disparos de artilharia, VANTs e bombardeios com fósforo.

A emissora Al Mayadeen informou que um ataque de VANT atingiu uma motocicleta em Majdal Zoun. Ao mesmo tempo, bombardeios israelenses atingiram Baraachit, Tibnine e Shaqra. A região entre Baraachit e Shaqra foi alvo de artilharia, incluindo projéteis de fósforo.

A ofensiva também atingiu Zawtar Oriental, Toulin, Kherbet Selm e Bayyout al-Sayyad. Jabal al-Batm foi bombardeada em outro ataque aéreo, enquanto um VANT atingiu terras agrícolas entre Burj al-Shamali e al-Housh, no distrito de Tiro.

Ainda nesta terça-feira, o porta-voz das forças de ocupação israelenses emitiu uma ameaça de “evacuação” contra moradores de várias localidades do sul do Líbano. A lista incluiu Ghandourieh, Burj Qalaouiyah, Qalaouiyah, Al-Souwaneh, Jmeijmeh, Safad al-Battikh, Baraachit, Shaqra, Aita al-Jabal, Tebnine, Sultaniyeh, Bir al-Sanasil, Kfar Dounine, Khirbet Selm, Selaa e Deir Kifa.

A ordem determinou que os moradores deixassem imediatamente suas casas e seguissem em direção ao distrito de Sidon. Na prática, a ameaça abriu uma nova operação de expulsão forçada da população do sul do Líbano, apesar do cessar-fogo firmado em abril.

No distrito de Bint Jbeil, aviões israelenses lançaram ataques sucessivos contra Tebnine, onde um corpo foi retirado dos escombros. A cidade de Kafra também foi atingida, enquanto uma operação de demolição foi realizada em Rshaf. Segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano, “Israel” bombardeou ainda o instituto profissional e o Instituto de Ensino Superior de Bint Jbeil, destruindo completamente os dois prédios.

Baraachit e Shaqra estiveram entre as áreas mais atingidas. Um ataque israelense contra um prédio residencial em Shaqra assassinou duas pessoas. Bombardeios com fósforo também foram registrados em Yohmor al-Shqeif.

Em Kherbit Selm, as forças de ocupação bombardearam casas e lojas na área de Bir al-Salasil. Outras ofensivas atingiram Jebal al-Botm, Touline, Qabrikha, Yater, al-Shahhabiyeh e al-Tiri. Um VANT também atacou um pomar entre Borj al-Shamali e al-Housh.

A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que houve vítimas em Jwaya e Tayr Debba, no distrito de Tiro, após bombardeios israelenses contra as duas localidades.

Um dos ataques mais graves ocorreu em Majdal Zoun. O Exército libanês anunciou que as forças de ocupação israelenses atacaram equipes da Defesa Civil e uma patrulha do Exército enquanto retiravam vítimas de um bombardeio anterior na cidade. Dois soldados foram feridos, segundo o comunicado militar.

Em outro balanço, a Defesa Civil libanesa informou que três de seus integrantes foram assassinados enquanto prestavam socorro à população. A Cruz Vermelha libanesa retirou cinco corpos do local do ataque em Majdal Zoun, três deles de membros da Defesa Civil.

A patrulha do Exército libanês estava acompanhada de equipes de resgate e dois tratores, utilizados para retirar civis dos escombros. Segundo uma fonte de segurança ouvida pela Al Mayadeen, o Exército não aguardou os mecanismos de coordenação estabelecidos e decidiu avançar imediatamente para a operação de resgate.

No distrito de Nabatieh, o Ministério da Saúde do Líbano informou que duas pessoas foram assassinadas e 13 ficaram feridas em um ataque israelense contra Jibshit. Mulheres e crianças estavam entre as vítimas. O bombardeio provocou grande destruição na área, incluindo o desabamento de pelo menos quatro prédios residenciais.

Correspondente da Al Mayadeen informou que o ataque a Jibshit fez parte de uma ofensiva mais ampla contra o sul do Líbano. As forças israelenses bombardearam Majdal Zoun, al-Mansouri, al-Shahabiya, al-Tiri, Jouya, Toulin e Khirbet Selm, além de uma área entre al-Bazouriyeh e Tayr Dibba. A cidade de Yahmar Shaqif também foi atingida com fósforo.

Diante dos ataques, a Resistência Islâmica no Líbano, o Hesbolá, anunciou uma série de operações contra posições e equipamentos israelenses no sul do país. O partido afirmou que as ações foram realizadas em defesa do Líbano e em resposta às violações israelenses do cessar-fogo.

Às 13 horas, combatentes do Hesbolá atingiram com um VANT de ataque um trator militar israelense que demoliu casas civis na cidade de Bint Jbeil. O partido afirmou que o alvo foi atingido diretamente.

No mesmo horário, um agrupamento de tropas israelenses na praça de al-Qantara foi atacado com precisão por outro VANT. O Hesbolá declarou que a operação ocorreu em resposta aos ataques israelenses contra o sul do Líbano, que provocaram assassinatos e ferimentos entre civis.

Às 14 horas, o Hesbolá atingiu um tanque Merkava na praça de al-Qantara, também com VANT de ataque. Segundo o comunicado da resistência, o veículo foi atingido diretamente.

O Exército israelense confirmou ainda que um contratado de uma empresa ligada ao Ministério da Guerra de “Israel” morreu durante operações no sul do Líbano, após o Hesbolá atingir com um VANT explosivo a máquina de engenharia que ele operava. O ataque ocorreu por volta das 11 horas, próximo à cidade fronteiriça de Aitaroun.

O VANT atingiu uma retroescavadeira usada pelas forças de ocupação e por seus contratados para demolir prédios civis e infraestrutura em cidades libanesas de fronteira. O filho do contratado, empregado pela mesma empresa, foi ferido por estilhaços e levado ao hospital.

Segundo o jornal israelense Haaretz, dezenas de trabalhadores “civis” foram enviados por “Israel” para demolir casas e infraestrutura no sul do Líbano. Alguns desses contratados recebem bônus financeiros por prédio destruído e já participaram da demolição de casas palestinas em Gaza.

A utilização de VANTs explosivos pelo Hesbolá preocupou o aparato militar israelense. Um alto funcionário de segurança israelense afirmou ao canal i24News que o uso desse tipo de armamento pela resistência libanesa foi uma “grande e verdadeira surpresa” para o exército israelense. Segundo ele, as tropas não estavam “suficientemente preparadas para essa ameaça”.

De acordo com o funcionário israelense, dezenas de VANTs de ataque estão sendo empregados semanalmente em diferentes frentes. Alguns são projetados para lançar munições, enquanto outros explodem diretamente contra forças israelenses.

O mesmo funcionário afirmou que o Ministério da Guerra de “Israel” e empresas de segurança do país passaram a trabalhar em ritmo acelerado para desenvolver formas de interceptar os VANTs. Ele também defendeu uma revisão militar interna para explicar por que o perigo só recebeu maior atenção após a morte de soldados.

O canal i24News citou ainda uma operação em Taybeh, no sul do Líbano. Segundo a emissora, quatro VANTs do Hesbolá penetraram na área onde estava posicionada a 36ª Divisão israelense. Dois chegaram aos alvos. Um deles atingiu a tripulação de um tanque do 77º Batalhão, matando o sargento Idan Fox e ferindo seis soldados.

Os VANTs utilizados pelo Hesbolá representam um avanço em relação aos empregados na guerra de 2024. Alguns operam com sistemas de orientação por fibra óptica, o que dificulta a interferência eletrônica israelense.

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