Genocídio em Gaza

Hamas: cessar-fogo não é mais viável após 200 dias de violações

Dirigente do partido palestino afirmou que a Resistência cumpriu suas obrigações, enquanto “Israel” prossegue com ataques, bloqueio e restrições à entrada de ajuda

Basem Naim, membro do birô político do Hamas, afirmou, no sábado (2), em entrevista à emissora Al Mayadeen, que já não é possível falar em cessar-fogo na Faixa de Gaza depois de 200 dias de violações israelenses. A declaração foi feita em meio a novos ataques de “Israel” contra o território palestino, incluindo um ataque com VANT que assassinou um palestino nas imediações das torres al-Qastal, a leste de Deir al-Balah, no centro de Gaza.

No sul da Faixa de Gaza, forças israelenses também realizaram uma grande operação de demolição a leste de Khan Iunis, segundo o correspondente da emissora. Os ataques ocorreram apesar do acordo anunciado anteriormente como cessar-fogo, que vem sendo desrespeitado por “Israel” desde sua entrada em vigor.

Naim afirmou que, passados 200 dias, a situação em Gaza deve ser tratada como continuidade da “guerra de extermínio” promovida pela ocupação israelense. Segundo o dirigente do Hamas, a Resistência cumpriu todas as obrigações exigidas pelo acordo, fato confirmado pelos mediadores, enquanto os ataques israelenses continuaram.

O dirigente também declarou que o futuro da Faixa de Gaza e da causa palestina em seu conjunto é um assunto exclusivamente palestino. A afirmação foi feita diante das pressões externas para impor condições ao povo palestino e à Resistência, sobretudo no que diz respeito ao controle político de Gaza e às armas dos grupos que combatem a ocupação.

De acordo com Naim, a passagem de Rafá não foi aberta conforme previa o acordo. O número de pessoas autorizadas a atravessar a fronteira permaneceu limitado, o que impediu a normalização mínima do deslocamento de feridos, doentes e demais palestinos submetidos ao cerco. O dirigente afirmou ainda que os mediadores foram informados da necessidade de revisar a execução da primeira fase do acordo antes de qualquer avanço para uma segunda etapa.

Naim denunciou os Estados Unidos por fornecerem cobertura política para que “Israel” continuasse violando o acordo. Segundo ele, uma comissão técnica formada por mediadores e pelas partes envolvidas recebe diariamente documentação das violações cometidas pela ocupação.

A posição da delegação palestina, conforme explicou o dirigente, permanece baseada nos acordos anteriores e nos direitos do povo palestino. Entre as exigências está a implementação integral da primeira fase, incluindo a entrada de ajuda humanitária e de materiais para a reconstrução da Faixa de Gaza.

Naim afirmou ainda que o acordo possui uma via política ligada aos direitos nacionais palestinos, inclusive a criação de um Estado palestino com capital em al-Quds. Ao mesmo tempo, destacou que a resistência armada é um direito legítimo do povo palestino e que as armas da Resistência são parte essencial desse direito.

O dirigente do Hamas também ressaltou a unidade entre as facções palestinas e a coordenação em andamento entre elas. Segundo ele, a Cisjordânia ocupada enfrenta uma “guerra silenciosa e contínua”, com aumento dos ataques contra lugares religiosos e avanço da política israelense de anexação.

Nesse sentido, Naim declarou que “Israel” trabalha para consolidar a anexação da Cisjordânia como fato consumado. A ocupação também restringe o trabalho de organizações internacionais em Gaza, permitindo sua atuação apenas sob condições impostas pelo próprio regime israelense.

A delegação palestina, segundo Naim, permanece no Cairo e trata com seriedade a continuidade das negociações. O dirigente, no entanto, reforçou que a principal exigência segue sendo a implementação completa da primeira fase do acordo.

Naim afirmou que a Resistência não busca a guerra e não se opõe a vias políticas, desde que elas conduzam ao fim da ocupação. Ao mesmo tempo, rejeitou discutir a questão das armas da Resistência separadamente de um cessar-fogo permanente.

O membro do birô político do Hamas também saudou os ativistas internacionais que manifestam solidariedade ao povo palestino e condenou os ataques contra embarcações que tentam furar o bloqueio imposto a Gaza. Segundo ele, a Faixa de Gaza necessita de um corredor humanitário internacional diante da continuidade do cerco e das restrições à entrada de suprimentos.

Enquanto as negociações prosseguem, o número de vítimas aumenta. O Ministério da Saúde de Gaza informou, no domingo (3), que duas crianças palestinas foram assassinadas e outras três pessoas ficaram feridas em 24 horas, em meio à continuidade do genocídio israelense contra o território.

O boletim diário do ministério também informou que várias vítimas permanecem sob os escombros e nas ruas, sem que equipes de ambulância e defesa civil consigam alcançá-las. Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, o número de palestinos assassinados chegou a 830, com 2.345 feridos.

Desde 7 de outubro de 2023, a ofensiva israelense contra Gaza já assassinou 72.610 palestinos e deixou 172.448 feridos, segundo o Ministério da Saúde. A destruição de hospitais, centros de atendimento e demais instalações de saúde agravou o colapso do sistema médico, que segue operando sob falta de combustível, remédios, equipamentos e materiais básicos.

As restrições impostas por “Israel” à entrada de combustível e suprimentos médicos mantêm hospitais, salas de emergência e unidades de terapia intensiva em situação crítica.

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