O município de Tomé-Açu, no nordeste paraense, vive um clima de extrema tensão devido ao aumento da atuação de homens fortemente armados na região, relatada com provas pelos índios ao portal SMG neste mês de abril. Os relatos apontam para ameaças, intimidações e episódios de violência em áreas próximas a plantações de dendê, colocando em risco as comunidades que habitam o território.
Segundo os portais de notícias que tiveram acesso às informações repassadas por lideranças locais, os suspeitos fariam parte de uma milícia privada, supostamente comandada por um empresário identificado como Luciano Rodrigues. O grupo estaria tentando expandir seu domínio sobre territórios onde vivem comunidades de índios, o que tem provocado medo generalizado entre moradores e trabalhadores da região.
Um dos episódios mais graves teria ocorrido na comunidade Pinu’a, onde cinco índios foram feitos reféns por homens armados. O fato elevou ainda mais o nível de preocupação na região e expôs a vulnerabilidade das comunidades de índios frente à ação de grupos armados ilegais. Lideranças afirmam que, até o momento, não houve resposta efetiva das autoridades diante da escalada dos conflitos.
Há relatos de que, em determinadas ocasiões, a presença da Polícia Militar fez com que os suspeitos deixassem o local temporariamente. No entanto, o grupo teria retornado posteriormente, mantendo o clima de insegurança e instabilidade. A intermitência da presença policial demonstra a anuência do aparato de segurança estatal à atuação desse grupo contra as comunidades ameaçadas.
As denúncias também envolvem áreas que anteriormente pertenciam à empresa Brasil BioFuels (BBF), atualmente desativada no município. Segundo as informações disponíveis, o empresário citado teria assumido o controle dessas terras de forma irregular, utilizando-as como base de atuação para a milícia. Essa ocupação ilegal impacta diretamente as comunidades de índios que vivem nas proximidades e que dependem do território para sua sobrevivência.
Diante do cenário de violência crescente, lideranças de índios cobram providências urgentes das autoridades do Estado. O temor é de que novos episódios de violência ocorram caso não haja uma intervenção rápida e eficaz para conter o avanço das ameaças e garantir a segurança das populações tradicionais da região.
A grande força dos jagunços, como demonstram os relatos, está na proteção que recebem da polícia. Quando a PM aparece, eles se retiram; quando a PM vai embora, eles retornam. Esse jogo de cena revela a cumplicidade do aparato de segurança com os interesses do latifúndio e do agronegócio. Por isso, não se deve contar com a polícia para a proteção dos índios — a mesma polícia que historicamente tem servido aos interesses dos grandes proprietários rurais.
A única alternativa real que resta aos índios é a formação de comitês armados de autodefesa. Somente a organização das próprias comunidades, preparadas para defender seu território e sua vida, pode garantir a segurança que o Estado brasileiro se recusa a oferecer.





