Em seu primeiro ato de campanha no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou a segurança pública entre os principais temas de seu discurso. Ao lado de Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo estadual, prometeu criar o Ministério da Segurança Pública e aumentar os recursos destinados à Polícia Federal (PF) e à Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O comício aconteceu neste sábado (22), no Estádio Moça Bonita, em Bangu, Zona Oeste da capital. Também estavam no palanque Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), candidatos ao Senado.
Lula voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que aumenta a participação da União no setor. A criação do novo ministério, já incluída em seu programa eleitoral, dependeria da aprovação da medida.
“A União hoje tem um papel muito fraco. Eu enviei uma PEC da Segurança Pública e, quando ela for votada, criarei o Ministério da Segurança Pública, vou preparar mais a Polícia Federal, mais a Polícia Rodoviária.”
O presidente também prometeu retirar o crime organizado dos territórios sob seu controle.
“Nós vamos tirar o bandido do território de vocês e vamos devolver o território ao povo do Rio de Janeiro. Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 1,2 mil, vamos prender e dizer que a rua é do povo e não dos bandidos.”
Lula procurou diferenciar sua proposta das grandes operações policiais marcadas por matanças. Ainda assim, a política anunciada mantém a repressão policial como eixo da resposta do Estado à situação do Rio, agora com participação maior do governo federal.
O petista elogiou ainda o governador interino Ricardo Couto e empregou a palavra “limpeza” para descrever as medidas tomadas desde que o desembargador assumiu o Estado.
“Ele está começando essa limpeza, você vai chegar e pegar o Estado já com a limpeza boa. Você vai encontrar o Estado mais limpo”, disse Lula a Paes.
As declarações foram feitas no ato que consolidou a aliança eleitoral entre Lula e Eduardo Paes. O candidato ao governo pertence ao PSD, partido que nacionalmente apresenta Ronaldo Caiado à Presidência e Gilberto Kassab como vice. No Rio, Paes não pretende dividir o palanque com a chapa presidencial de sua própria legenda.
O ex-prefeito apresentou a união com Lula como necessária para “salvar o Rio”.
“O que nos une hoje, respeitando as nossas diferenças, é o desejo de salvar o Rio e a compreensão de que o Brasil não se salva se o Rio não se salvar.”
Paes lembrou que mantém uma aliança com Lula desde 2008 e declarou estar ao lado do presidente há mais da metade de sua vida pública.
A composição com o PSD também chegou à disputa pelo Senado. Pedro Paulo discursou no comício e recebeu vaias de uma parcela dos petistas presentes. Apesar de a direção estadual do PT ter aprovado seu apoio, setores do partido defendiam a vereadora Mônica Benício para a vaga.
Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21) colocou Paes na liderança da eleição estadual, com 41% das intenções de voto. Douglas Ruas (PL) apareceu com 19% e Anthony Garotinho (Republicanos), com 9%.
Paes também fez da segurança um dos principais temas de seu discurso. Ao atacar a administração de Cláudio Castro (PL), afirmou que “o crime organizado sentou no Palácio Guanabara” e elogiou a atuação da Polícia Federal: “a situação não é pior por ação da Polícia Federal”.
A política apresentada por Lula acompanha essa orientação. Diante de uma crise que atinge principalmente a população pobre do Estado, a promessa feita no palanque da frente ampla foi ampliar o papel da União na segurança, fortalecer a PF e a PRF e criar mais uma estrutura federal destinada à repressão.



