Iêmen

Fantoches do sionismo apoiam agressão saudita contra o povo iemenita

Após Paquistão e Turquia prestarem auxílio a Riade, seis governos do Golfo invocam pacto de defesa enquanto os sauditas bombardeiam o Iêmen

As monarquias do Golfo se colocaram ao lado da Arábia Saudita na guerra contra o Ansar Alá. Reunidos no domingo (18), em Manama, no Barein, os ministros das Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) condenaram os ataques iemenitas ao território saudita e invocaram o pacto de defesa entre seus integrantes. Sem conseguir vencer o movimento desde 2015, Riade procura ampliar a intervenção estrangeira.

Arábia Saudita, Barein, Catar, Cuaite, Emirados Árabes Unidos e Omã declararam que um ataque a qualquer integrante do CCG atinge todos os demais. Os chanceleres pediram a aplicação mais rigorosa do embargo de armas contra o Ansar Alá e sua inclusão em listas internacionais de organizações terroristas. Embora não tenham anunciado o envio de tropas ao Iêmen, a declaração pode justificar uma intervenção mais ampla.

No mesmo dia, o brigadeiro Iahia Saré, porta-voz das Forças Armadas do governo de Saná, denunciou 110 ataques aéreos e com mísseis sauditas em 24 horas. Segundo ele, foram atingidas a capital e oito províncias: Hodeida, Taiz, Amrã, Haja, Saada, Al-Jaufe, Al-Dálea e Maribe. O comando iemenita informou mais de 30 mortos e feridos, principalmente mulheres e crianças. Segundo Saré, foram empregados caças F-15 e Typhoon e mísseis lançados de Najrã.

Saré afirmou que o número de bombardeios e ataques com mísseis desde a escalada chegou a 2.652. Em Saada, autoridades locais atribuíram a um ataque saudita a morte de nove civis, incluindo crianças, e 19 feridos. Em Taiz, a OMS alertou que 12 hospitais estavam perto de ficar sem combustível e suprimentos cirúrgicos. A Organização Internacional para as Migrações calcula que mais de 233 mil pessoas tenham deixado suas casas durante esta fase do conflito.

A decisão das monarquias segue o pedido saudita de auxílio ao Paquistão e à Turquia, que ativaram há poucos dias um acordo de defesa firmado em agosto. O ministro paquistanês da Defesa, Khawaja Asif, afirmou que forças dos dois países estavam no reino. Ancara, porém, não confirmou o envio de soldados no âmbito do acordo: suas autoridades mencionaram equipamentos, informações e sistemas defensivos. O Paquistão, que mantém militares na Arábia Saudita há décadas, negou relatos sobre o uso de seus caças contra os iemenitas.

O reino dispõe de armamentos modernos fornecidos pelos Estados Unidos. Em 2015, reuniu uma coalizão para expulsar o Ansar Alá de Saná, tomada pelo movimento revolucionário no ano anterior. Bombardeou cidades, impôs um bloqueio econômico e financiou grupos armados no interior do Iêmen. Não conseguiu destruir a resistência. A trégua de 2022 diminuiu a intensidade dos combates, mas as forças sauditas e seus mercenários não recuperaram o controle do país.

A nova fase da guerra trouxe outras dificuldades para Riade. Em setembro, o Ansar Alá avançou na costa do mar Vermelho, perto do estreito de Babelmândebe, passagem entre o oceano Índico e a rota do canal de Suez. Também demonstrou capacidade de atingir o território saudita. Em 11 de outubro, anunciou operações contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, e instalações da petrolífera Aramco. O avanço também ameaçou uma rota fundamental para o petróleo saudita.

Para as famílias reinantes do Golfo, o perigo não se resume às perdas militares sauditas. Riade é um dos sustentáculos da ordem regional protegida pelos Estados Unidos. Uma crise revolucionária ameaçaria regimes enriquecidos pelo petróleo e ligados ao capital estrangeiro. A resistência de um povo pobre contra a principal monarquia da península poderia encorajar movimentos de oposição também nos países vizinhos.

Em 2011, tropas sauditas entraram no Barein para ajudar a família reinante a reprimir manifestações populares. A operação sustentou a monarquia, mas a oposição ao regime não desapareceu. Os governos do CCG sabem que o êxito de uma resistência armada e popular no Iêmen poderia repercutir nos países onde a organização política independente é severamente restringida.

O Ansar Alá faz parte do Eixo da Resistência, ligado à luta dos palestinos e de organizações que enfrentam “Israel” e os Estados Unidos no Líbano, no Iraque e no Irã. Desde o início da ofensiva sionista contra Gaza, em outubro de 2023, os iemenitas atacaram embarcações ligadas a interesses israelenses no mar Vermelho e enfrentaram bombardeios norte-americanos. Uma vitória iemenita fortaleceria seus aliados em toda a região.

Sua política diante da Palestina agrava o desgaste político. Emirados Árabes Unidos e Barein mantêm relações diplomáticas com “Israel”. O Barein abriga a Quinta Frota dos Estados Unidos; o Catar, a base de Al Udeid; o Cuaite, outras instalações militares norte-americanas. Enquanto os palestinos enfrentam a destruição de Gaza, essas dinastias preservam os acordos que permitem a Washington intervir na região. A colaboração com o sionismo alimenta o sentimento de traição nas massas árabes e islâmicas.

A guerra contra o Irã mostrou os limites da proteção norte-americana. Em resposta à agressão dos Estados Unidos e de “Israel”, Teerã atacou instalações militares dos EUA espalhadas pelo Golfo. Uma investigação do Washington Post, baseada em imagens de satélite, identificou pelo menos 228 estruturas e equipamentos danificados ou destruídos em 15 instalações usadas pelos norte-americanos. Foram atingidos depósitos, radares, aeronaves e sistemas de comunicação. A presença norte-americana transformou os países anfitriões em alvos.

Investigação da Reuters publicada em 15 de outubro identificou pelo menos 135 ataques com mísseis e drones contra 84 instalações de infraestrutura no Golfo desde fevereiro. Entre os alvos estavam portos, aeroportos e instalações de petróleo e gás. Em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, a agência documentou graves danos às operações portuárias. Os aliados de Riade já sofrem os custos de uma guerra que pode se ampliar.

As contradições internas agravam o risco. A riqueza do petróleo e do gás alimenta as famílias reinantes e os grupos empresariais associados a elas. Milhões de trabalhadores, especialmente imigrantes, enfrentam exploração intensa e grandes restrições de direitos. Uma intervenção exigiria novos gastos e envolveria a população numa guerra para salvar as dinastias.

O comunicado de Manama revela o temor das famílias reinantes diante da resistência iemenita. Elas podem oferecer dinheiro, aviões e instalações militares a Riade, mas nenhuma dessas vantagens resolveu a guerra iniciada em 2015. Uma intervenção direta poderia levar os ataques para dentro de seus territórios e aprofundar o descontentamento popular com governos já comprometidos pela colaboração com os Estados Unidos e “Israel”.

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