Leste Europeu

Ex-assessora de Zelensqui revela detalhes chocantes sobre a ditadura ucraniana

Entre as informações divulgadas por Iuliia Mendel está a de que cerca de 10 milhões de pessoas deixaram o país

A ex-secretária de imprensa de Vladimir Zelensqui, Iuliia Mendel, fez uma série de denúncias sobre o funcionamento interno do regime ucraniano em entrevista ao jornalista norte-americano Tucker Carlson. Segundo ela, o presidente ucraniano sustenta sua posição por meio de propaganda, repressão política, corrupção e prolongamento da guerra, enquanto o país enfrenta uma crise demográfica, social e econômica cada vez mais grave.

Mendel afirma que a imagem internacional de Zelensqui como líder democrático, corajoso e inabalável diante da Rússia é pura propaganda. Para a ex-assessora, o apoio que o presidente obteve do imperialismo em 2022 se deveu muito mais à sua experiência como ator do que a uma orientação política consistente.

“Ele é um ator absolutamente, insanamente excelente, e isso nos trouxe muito apoio em 2022. Mas sua atuação não tem substância e tudo o que ele diz está desconectado da realidade”, afirmou.

Segundo Mendel, Zelensqui trabalha com “máscaras”, alternadas de acordo com o público e com a presença das câmeras. Nos bastidores, diz ela, o presidente seria emocionalmente instável e trataria aliados e subordinados como “descartáveis”. A ex-porta-voz resumiu essa diferença com uma metáfora:

“Ele interpreta esse ‘urso de pelúcia’ (teddy bear) na frente das câmeras, mas quando a luz apaga, ele é um ‘urso pardo’ (grizzly bear) e destrói as pessoas.”

A ex-assessora afirmou ainda que as lideranças imperialistas, antes da guerra, tratavam Zelensqui como um político sem experiência, de “baixa profundidade” e “pouco instruído”. Com a operação militar especial russa de 2022, porém, essa avaliação teria sido substituída por uma campanha internacional que transformou o presidente ucraniano em símbolo da chamada “democracia ocidental”.

Para Mendel, a empatia exibida por Zelensqui em visitas a zonas de guerra e em pronunciamentos públicos é parte dessa encenação. “Ele não tem a empatia que interpreta. Ele é emocionalmente incontrolável… frequentemente histérico”, disse.

A ex-porta-voz também descreveu uma crise populacional sem precedentes. Segundo Mendel, a Ucrânia não realiza um censo desde 2001. Antes de 2022, os números oficiais falavam em cerca de 42 milhões de habitantes, mas estimativas internas do próprio governo já apontariam para algo entre 34 e 37 milhões. Hoje, ela calcula que restem cerca de 25 milhões de pessoas no território controlado por Zelensqui.

Mais de 10 milhões teriam deixado o país, enquanto outros permaneceriam em regiões controladas pela Rússia ou teriam ido para território russo.

“A Ucrânia é o maior país da Europa, mas estamos sendo eliminados como nação. Não se trata mais apenas de números, trata-se de demografia e de todo o sofrimento que está acontecendo”, afirmou.

O quadro é agravado, segundo Mendel, pelo envelhecimento da população. Dos cerca de 25 milhões que permaneceram no país, aproximadamente 11 milhões seriam aposentados, muitos sobrevivendo com pensões entre 75 e 200 dólares mensais. Ela relatou o caso de um diretor de cinema ucraniano que teria morrido em casa, vítima de frio e fome, por não ter condições de aquecer a residência nem comprar alimentos.

“Eu me pergunto se algum dia saberemos as estatísticas de quantas pessoas morreram de frio e de não terem oportunidades de esperar pelo fim da guerra”, declarou.

A base produtiva do país também estaria em colapso. Descontados idosos e crianças, Mendel estima que restem apenas cerca de 10 milhões de pessoas em idade ativa sustentando a economia, a previdência e o esforço militar. Ela também contesta os números oficiais de baixas. Enquanto organismos internacionais verificam milhares de mortes civis, a ex-assessora afirma que o total real, somando civis e militares, pode chegar a centenas de milhares.

Segundo ela, há casos em que soldados mortos na frente de batalha são devolvidos às famílias com a causa da morte registrada como “ataque cardíaco”, o que evitaria a contabilidade oficial de baixas e o pagamento de compensações.

Mendel também afirmou que um conhecido seu, cogitado para assumir o Ministério da Política Social durante a guerra, teria ouvido de Zelensqui e de seu chefe de gabinete, Andriy Yermak, que sua função incluiria criar esquemas de lavagem de dinheiro dentro da pasta. A denúncia chama a atenção porque se trata do ministério administra programas sociais e pensões. Segundo Mendel, a estrutura que deveria proteger os idosos e os mais pobres estaria sendo usada para sustentar redes paralelas de financiamento político.

A ex-assessora também descreveu pagamentos não oficiais em espécie, chamados de “dinheiro sombrio”. Em um episódio, um ministro que recebia salário oficial de cerca de 12 mil dólares por ano teria pedido 5 mil dólares mensais para não depender de corrupção. Zelensqui e Yermak, segundo Mendel, teriam colocado um pacote de dinheiro sobre a mesa e oferecido o pagamento mensal em notas de dólar, sem registro formal, para manter a aparência pública de austeridade.

Ela acusou ainda o governo de desmontar reformas exigidas pelo FMI e pelos Estados Unidos para retomar o controle de empresas estatais, entre elas a Naftogaz. Conselhos independentes teriam sido substituídos por aliados diretos do presidente, abrindo espaço para desvios por meio de empresas offshore.

Mendel mencionou ainda um escândalo no setor energético envolvendo cerca de 112 milhões de dólares que deveriam ser usados na proteção da infraestrutura. Segundo ela, o ministro da Energia teria recebido 12 milhões de dólares, cerca de 10% do valor. A ex-assessora questiona quem teria ficado com o restante dos recursos.

A ex-secretária recordou que Zelensqui foi eleito em 2019 como o “candidato da paz”, prometendo negociar para encerrar o conflito no Donbas. Sua base inicial, segundo ela, incluía muitos ucranianos de língua russa e setores favoráveis à normalização das relações com a Rússia.

Mendel afirmou que, em dezembro de 2019, durante encontro em Paris, Zelensqui prometeu reservadamente a Vladimir Putin que a Ucrânia não buscaria aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Na avaliação dela, o próprio presidente sabia que a entrada na aliança militar era inviável, mas passou a usar a questão como instrumento de pressão política.

A principal oportunidade de acordo, segundo Mendel, ocorreu em abril de 2022, nas negociações de Istambul, na Turquia. Com base em conversas com integrantes da delegação ucraniana, ela afirmou que um acordo estava “quase concluído”. Naquele momento, Zelensqui estaria disposto a aceitar concessões no Donbas e discutir neutralidade militar e linguística para encerrar o conflito.

A situação teria mudado após a visita do então primeiro-ministro britânico Boris Johnson a Kiev. De acordo com Mendel, fontes ucranianas lhe disseram que Johnson estimulou Zelensqui a abandonar a negociação, prometendo armas, apoio político internacional e a possibilidade de se tornar o líder que derrotaria a Rússia.

Para a ex-assessora, desde então o presidente passou a apresentar condições impossíveis para negociar, como entrada imediata na OTAN e fornecimento de mísseis de longo alcance. Essas exigências, na avaliação dela, serviriam para impedir a mesa de negociações e transferir a responsabilidade do impasse aos aliados ocidentais. O fim da guerra, disse Mendel, significaria o fim da lei marcial, a necessidade de eleições e uma prestação de contas sobre a destruição do país, cenário que Zelensqui veria como “suicídio político”.

Mendel afirmou que o controle da informação é um dos pilares do governo. Ela relatou uma reunião entre 2019 e 2020, quando a popularidade de Zelensqui caía e a equipe de comunicação discutia a falta de notícias positivas. Segundo ela, ao ouvir que o problema era a ausência de resultados concretos, o presidente respondeu exigindo uma máquina de propaganda.

“Eu preciso da propaganda de Goebbels… eu preciso de milhares de ‘cabeças falantes'”, teria dito Zelensqui, segundo Mendel. A referência era a Joseph Goebbels, chefe da propaganda nazista.

A ex-secretária disse que esse sistema se ampliou após 2022, com especialistas, influenciadores e conferencistas financiados por subsídios europeus e oligarcas para sustentar uma imagem positiva da Ucrânia no exterior. Ao mesmo tempo, pesquisas internas do gabinete apontariam queda acentuada da popularidade de Zelensqui.

A repressão também atingiria jornalistas, blogueiros e parlamentares. Mendel acusou o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) de intimidar críticos, convocando-os para “conversas” e ameaçando-os com acusações de traição ou colaboração com a Rússia. “Qualquer um que critica Zelensqui é rotulado como pró-Rússia”, afirmou.

Ela citou o caso de um parlamentar que, após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos em 2024, publicou um apelo para que Zelensqui parasse a guerra. Três dias depois, teria sido preso por traição, embora, segundo fontes de Mendel, não houvesse prova recente de contato com o governo russo. A lei marcial, afirmou, virou um instrumento para suspender direitos, congelar contas, fechar empresas e perseguir opositores.

A guerra também teria transformado o recrutamento militar em instrumento de coerção. Mendel afirmou que, no início da invasão, havia mobilização voluntária e sentimento de unidade. Hoje, porém, civis seriam “agarrados nas ruas” e colocados em veículos militares para serem enviados ao fronte sem treinamento adequado.

Segundo ela, Zelensqui chegou a afirmar publicamente que “se alguém fizer algo ruim, devemos puni-los e enviá-los para a frente”. A ex-assessora disse que essa política foi aplicada contra funcionários, integrantes dos serviços de segurança e opositores.

Mendel contrastou essa realidade com a existência de “soldados blogueiros”, protegidos pelo governo e usados para propaganda, enquanto soldados comuns sofrem com falta de uniformes, luvas, alimentos e equipamentos. Ela relatou que sua mãe tratou combatentes que tiveram dedos e membros amputados por congelamento, depois de serem enviados para posições expostas sem roupas adequadas de inverno.

Segundo a ex-porta-voz, a sobrevivência das tropas depende em grande medida de voluntários. Mulheres cozinham para batalhões e civis fazem campanhas para comprar aeronaves, armas, equipamentos de comunicação e até Starlink, enquanto bilhões em ajuda externa são absorvidos por uma estrutura estatal marcada por desvios.

Mendel também denunciou uma política de banimento cultural e religioso. Sob a bandeira da “desrussificação”, o governo teria promovido o cancelamento de escritores, poetas e artistas ligados ao passado imperial ou soviético, mesmo quando também fazem parte da história cultural ucraniana. A perseguição a igrejas e instituições religiosas, segundo ela, enfraquece a vida social do país.

Ela citou ainda medidas de patriotismo obrigatório, como a regra de que carros parem nas estradas às 9h para ouvir o hino nacional. Para Mendel, a prática cria uma estética artificial de unidade e funciona como teste de obediência civil.

A permanência de Zelensqui no poder se apoia, segundo a ex-assessora, na lei marcial, que suspendeu eleições por quatro anos. Ela afirmou que, quando o governo cogitou realizar votação, a ideia seria “manufaturá-las” em turno único, sob controle do regime.

Mendel afirmou ainda que pessoas ligadas ao funcionamento interno do governo correm riscos. Ela citou um banqueiro que “caiu de uma janela” em Milão e a morte do ex-governador de Kherson, em setembro de 2023, tratada oficialmente como suicídio. Segundo fontes citadas por ela, o ex-governador teria negociado com russos sob ordens de Yermak e se tornado um elo inconveniente. A própria Mendel disse que não pode voltar à Ucrânia por risco de vida.

Ao encerrar seu relato, a ex-porta-voz afirmou que Zelensqui e Yermak agem como “adolescentes” ou “crianças de sete anos” que têm poder sobre o destino de milhões de pessoas.

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