O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, denunciou neste domingo (17) que os Estados Unidos e o Estado de “Israel” procuram dividir os países muçulmanos por meio de “projetos divisionistas” e da criação artificial de desconfiança entre os povos da região. A declaração foi feita em Teerã, durante reunião com o ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi.
Segundo Pezeshkian, a política da República Islâmica é ampliar relações amistosas, estáveis e duradouras com os países vizinhos, em particular com os países do Golfo Pérsico. O dirigente iraniano afirmou que os EUA e “Israel” procuram jogar uns países muçulmanos contra os outros para abrir caminho à intervenção estrangeira.
A denúncia expõe um dos métodos tradicionais do imperialismo: fomentar conflitos internos, explorar diferenças religiosas e nacionais e impedir que os países da região atuem de maneira independente. Para o Irã, a unidade entre os países muçulmanos é uma condição para barrar novas agressões da ocupação israelense e de seus patrocinadores norte-americanos.
Pezeshkian também agradeceu o papel desempenhado pelo Paquistão na mediação do cessar-fogo temporário entre o Irã e os Estados Unidos, firmado após 40 dias da agressão militar dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. O acordo entrou em vigor em 8 de abril, tendo o Paquistão como intermediário.
O presidente iraniano classificou a agressão militar norte-americana e sionista como um crime grave contra todas as normas humanas, jurídicas e internacionais. Ele citou o martírio do líder da Revolução Islâmica, Aiatolá Saied Ali Khamenei, além de comandantes, ministros, estudantes e civis mortos nos ataques.
De acordo com Pezeshkian, o objetivo central da agressão era provocar instabilidade interna, enfraquecer a República Islâmica e tentar derrubar o regime. O plano, no entanto, fracassou diante da reação do povo iraniano, que se manteve unido em defesa do país.
A ofensiva contra o Irã começou em 28 de fevereiro, com bombardeios que assassinaram autoridades e comandantes iranianos. As Forças Armadas iranianas responderam com operações diárias de mísseis e veículos aéreos não tripulados (VANTs) contra alvos nos territórios ocupados por “Israel” e contra bases e ativos militares dos Estados Unidos na região. Além da resposta militar direta, o Irã fechou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas estratégicas do petróleo mundial, provocando forte impacto nos preços internacionais.
Pezeshkian afirmou ainda que os agressores tentaram infiltrar elementos terroristas armados pelas fronteiras noroeste e sudeste do Irã. Segundo ele, esses grupos receberam apoio financeiro, militar e de inteligência, mas a cooperação dos países vizinhos impediu que seus territórios fossem utilizados contra a República Islâmica. O presidente iraniano agradeceu especialmente ao Paquistão, Afeganistão e Iraque por essa postura.
Na reunião, o dirigente iraniano também destacou a importância de ampliar a cooperação econômica, comercial, científica, cultural e regional com o Paquistão. Para Pezeshkian, apesar dos custos da guerra, os acontecimentos recentes aproximaram ainda mais os países, abrindo uma oportunidade para elevar as relações bilaterais.
Mohsin Naqvi, por sua vez, afirmou que o Paquistão continuará atuando para reduzir tensões e fortalecer as relações fraternas com o Irã. O ministro paquistanês chegou a Teerã no sábado (16), em viagem não anunciada, e também se reuniu com o ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, e com o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf.





