Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) convocaram marcha ao Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, para quarta-feira (20), em defesa da permanência estudantil. O ato faz parte da greve que começou na USP há mais de um mês, avançou na Unicamp e na Unesp e pressiona o governo estadual por moradia, bolsas, restaurantes universitários, financiamento e autonomia das universidades.
A mobilização reúne estudantes das três universidades estaduais paulistas contra a precarização das condições de estudo. As principais reivindicações são ampliação da permanência estudantil, reajuste de bolsas, aumento de vagas em moradia universitária, melhoria dos restaurantes universitários, fim das terceirizações em serviços essenciais e mais recursos para as instituições. Também há cobrança por revisão do repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), base do financiamento das universidades estaduais.
Na USP, o movimento ganhou força após ocupações e confronto com a administração universitária. Estudantes afirmam que a reitoria interrompeu o diálogo e adotou medidas unilaterais. Uma invasão da reitoria realizada pela Polícia Militar no domingo (10) de forma totalmente ilegal e não solicitada pela adminstração universitária, mas pelo governo estadual, terminou com quatro detenções e feridos, segundo relatos citados pelas entidades estudantis. A universidade criou uma comissão de resolução de conflitos, mas setores do movimento dizem não confiar no mecanismo enquanto não houver negociação direta sobre as pautas de permanência.
Na Unicamp, ao menos 20 cursos aderiram à greve, com cobranças por moradia, reajuste de bolsas e condições adequadas para estudar. A administração informou que atividades administrativas e de pesquisa seguem em funcionamento e apontou a compra de uma área de 44 mil metros quadrados, por R$ 20 milhões, para futura expansão da moradia estudantil. Na Unesp, a paralisação envolve unidades como Bauru, Marília e o Instituto de Artes, na capital, com críticas ao valor dos auxílios, à falta de estrutura e aos problemas de permanência nos campi.
As reitorias afirmam manter investimentos em assistência. A Unesp declarou que sua dotação para permanência estudantil em 2026 é de R$ 110,7 milhões e que, em 2025, 7.746 estudantes receberam auxílios, além da existência de restaurantes universitários em 17 unidades, embora o valor do auxílio seja insuficiente, haja campi sem restaurantes e uma parcela dos alunos que precisa de auxílio não tenha acesso ao benefício. Ao mesmo tempo, a própria universidade informou déficit de R$ 189 milhões, com despesas de R$ 4,98 bilhões e receitas de R$ 4,79 bilhões, dado usado por estudantes para reforçar a cobrança por mais financiamento público.
A paralisação também recebeu apoio de trabalhadores. O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) aprovou, em assembleia na terça-feira (19), paralisação na quarta-feira (20) e participação no ato chamado pelos estudantes. A pauta dos servidores inclui defesa da educação e dos serviços públicos, aumento do repasse de ICMS para 11,6%, permanência estudantil, autonomia universitária, fim da repressão e rejeição a punições contra quem participa das mobilizações.
O ato em direção ao Palácio dos Bandeirantes busca deslocar a pressão das reitorias para o governo Tarcísio de Freitas, responsável pela política estadual que define o ambiente de financiamento das universidades. Para os estudantes, a greve expressa a impossibilidade de permanecer no ensino superior público sem moradia, alimentação, bolsa e transporte suficientes. A marcha, convocada para a sede do governo paulista, tenta transformar reivindicações de cada campus em cobrança unificada por investimento público e garantia do direito de estudar.



