O MES-PSOL, que se diz trotskista, fica promovendo em suas páginas ideias reacionárias, e de teor místico, como o artigo Quem disse que a Terra é nossa?, de Vanderlei Tenório, publicado no sítio Revista Movimento nesta quinta-feira (20).
Tenório afirma que “em ‘Caminhos para a cultura do Bem Viver’, Ailton Krenak questiona a ideia de que a humanidade está separada da natureza e propõe outra maneira de habitar o mundo”.
A esquerda pequeno-burguesa fica brigando por palavras, chama de racista quem fala índio em vez de indígena, mas promove uma figura como Ailton Krenak, ligado a ONGs patrocinadas pelo Itaú, Fundação Ford (fachada da CIA), Open Society de George Soros, dentre outros. Ou seja, setores do grande capital e do imperialismo que ajudam a oprimir os índios e a roubar suas terras.
Entre os anos de 2003 e 2010, Krenak atuou como assessor especial para assuntos indígenas do governo de Minas Gerais nas gestões do golpista Aécio Neves.
Enquanto a maioria está mergulhada na pobreza, no subemprego, no endividamento, surge o questionamento pequeno-burguês de quem já está com a vida ganha: “O que significa viver bem? A pergunta parece simples, mas talvez tenha se tornado difícil justamente porque aprendemos a respondê-la olhando quase exclusivamente para nós mesmos. Pensamos em conforto, segurança, saúde, dinheiro, tempo livre. Calculamos o que nos falta e imaginamos o que precisaríamos conquistar para que a vida finalmente pudesse ser considerada boa. Raramente incluímos nessa conta aquilo que está ao nosso redor.” A maioria da população mundial não está nesse nível de questionamento; a luta é ainda pelo básico.
Para o autor, “Krenak é uma das principais vozes do pensamento indígena contemporâneo. Escritor, jornalista, poeta, ativista socioambiental e líder indígena, participou da organização da Aliança dos Povos da Floresta, que reuniu comunidades indígenas e ribeirinhas na defesa da Amazônia.”
Ocorre que “defender a Amazônia”, no Brasil, é sinônimo de defender os interesses do imperialismo. Os supostos defensores das matas, na verdade, tentam impedir quaisquer melhorias na região amazônica; até mesmo uma simples hidrelétrica é alvo de sabotagem por uma esquerda vendida, de modo que as populações dessas áreas ficam alijadas de um mínimo de conforto.
Esquerda ‘gratiluz’
Enquanto as pessoas vivem amontoadas em bairros distantes, e perdem a maior parte do tempo dentro de conduções superlotadas, “em Caminhos para a cultura do Bem Viver, Krenak propõe interromper esse automatismo. No capítulo “Conexão”, sugere uma experiência: aproximar-se de algum elemento da natureza, observá-lo, tocá-lo, percebê-lo. A proposta pode parecer polianesca diante da dimensão dos problemas ambientais, mas é precisamente aí que está a sua força. Antes de discutir políticas ambientais ou modelos econômicos, é preciso recuperar a capacidade de perceber que existe uma relação anterior ao uso.”
Essa proposta não é “polianesca”, não tem nada a ver com a personagem Pollyana; é uma proposta que diz respeito apenas à classe média; é coisa de pequeno-burguês, para não dizer que se trata de um idealismo barato.
Nessa esquerda cirandeira, não falta nunca a mania de diminuir a humanidade, como se esta representasse a personificação do mal. Então, sempre aparece algo do tipo: “O planeta não precisa de nós.” A Terra, ou a vida, só fazem sentido para a humanidade uma vez que esta existe. De que adianta para os seres humanos um planeta repleto de vida em que eles não estejam? É ridículo.
A indigência intelectual surge com força quando se afirma que “há uma ironia na maneira como costumamos falar da crise ambiental. Dizemos que precisamos salvar o planeta, como se a Terra estivesse à espera da nossa intervenção para continuar a existir. A frase soa litúrgica, mas parte de uma premissa bastante humana: a de que somos os protagonistas da história e que o destino do planeta depende das nossas decisões.” O fato é que nós somos os protagonistas no sentido em que transformamos a natureza e, ao mesmo tempo, nos transformamos. A “salvação do Planeta” é a pregação eterna de uma gente que, apesar de falar, não está disposta a largar o conforto em que vive.
O ser humano transforma a natureza; os próprios índios, ou indígenas, o fazem, apenas que estacionaram em determinado ponto de seu desenvolvimento técnico.
Contrariando completamente o materialismo dialético, o texto avança na sua ladainha de seres humanos nocivos, como aqueles expulsos do Paraíso, e diz que “a questão, por isso, não é saber se a Terra sobreviverá à humanidade. A questão é quanto tempo conseguiremos continuar a tratá-la como se não houvesse consequências para a nossa própria existência.”
Na ânsia de criticar o Brasil, como é costume da esquerda identitária, o artigo aponta que “a colonização impôs uma nova maneira de organizar o território. A terra passou a ser dividida, apropriada e incorporada a um sistema econômico baseado na exploração de seus recursos. A natureza foi sendo transformada em propriedade e matéria-prima, enquanto outros modos de relação com o território eram tratados como obstáculos ao desenvolvimento.”
Talvez quem escreveu o artigo tenha se esquecido, ou não saiba, da revolução agrícola. É sempre bom lembrar do livro “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, de Friedrich Engels, infinitamente mais útil que um livreto repleto de ideias reacionárias que em nada desenvolve a classe trabalhadora.





