Três anos depois da morte de Vinícius Rosa do Nascimento, sua família ainda enfrenta a Enel na Justiça. O jovem, que trabalhava como motoboy e promotor de vendas, tinha 25 anos quando pisou em um fio solto numa rua da zona sul de São Paulo e recebeu uma descarga de 13 mil volts.
O acidente aconteceu em novembro de 2023, depois de um temporal que deixou 2,1 milhões de consumidores sem eletricidade na capital paulista e na região metropolitana. Vinícius voltava para casa de moto com a namorada, Beatriz, quando encontrou o cabo atravessado na Rua José Catarino dos Santos, no Guacuri. Ao parar e apoiar o pé no chão, pisou no fio e caiu. A namorada também sofreu uma descarga, mas conseguiu se soltar.
Segundo testemunhas, o cabo já estava no local havia horas e a Enel havia sido informada do problema sem tomar as providências necessárias. A companhia alegou no processo que o rompimento teria sido provocado por uma linha de pipa com cerol e negou responsabilidade pela morte. A família, porém, venceu a disputa judicial sobre a responsabilidade da concessionária.
Vinícius não morreu por uma fatalidade inevitável. Morreu em contato com uma instalação elétrica que deveria estar sob controle de uma empresa responsável por prestar um serviço essencial e garantir a segurança da população.
É esse o resultado da entrega do sistema elétrico aos capitalistas. A eletricidade deixa de ser organizada segundo as necessidades da população e passa a ser explorada como fonte de lucro. Economiza-se em pessoal, manutenção e capacidade de atendimento enquanto as concessionárias arrecadam bilhões.
Quando os fios ficam caídos, quando milhões permanecem sem eletricidade e quando um trabalhador morre eletrocutado no meio da rua, aparece em toda a sua brutalidade a política de privatização. O sistema elétrico precisa ser retirado das mãos dos monopólios e colocado sob controle dos trabalhadores.




