O presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensqui, anunciou neste domingo (12) uma ampla reformulação do governo. A primeira-ministra Iúlia Sviridenko confirmou que deixará o cargo para assumir outra função na nova composição governamental.
Em uma publicação no Telegram, Zelensqui afirmou que “mudanças de pessoal começarão na Ucrânia para garantir a aplicação da estratégia política atualizada”. Segundo ele, as alterações no gabinete foram discutidas com Sviridenko.
A primeira-ministra e seus ministros tomaram posse em julho do ano passado, quando substituíram o governo de Denis Xmigal.
A reforma ocorre em meio à deterioração da situação das forças ucranianas na frente de batalha, ao agravamento dos problemas econômicos e a um escândalo de corrupção que atingiu integrantes do círculo próximo de Zelensqui.
Mudanças no gabinete
Zelensqui afirmou que áreas consideradas prioritárias da política externa serão entregues a funcionários específicos. Entre elas estão as relações com os EUA, a União Europeia, a China e os países do Oriente Médio.
O presidente ucraniano apontou como principais objetivos do novo governo a obtenção de novos carregamentos de armas e a aceleração do processo de entrada da Ucrânia na União Europeia.
Segundo informações divulgadas na Ucrânia, Sviridenko pode ser nomeada embaixadora do país nos EUA, em substituição a Olga Stefanixina.
O nome mais cotado para assumir o posto de primeiro-ministro é Serguei Koretsqui, presidente do conselho de direção da empresa estatal de petróleo e gás Naftogaz.
O deputado Iaroslav Jelezniak afirmou que Koretsqui possui 99% de possibilidade de comandar o novo gabinete e que a decisão está praticamente concluída.
Também são mencionados para o posto o ministro da Defesa, Mikhail Fedorov, o ex-primeiro-ministro Denis Xmigal e o prefeito de Carcóvia, Igor Terekhov.
Jelezniak afirmou ainda que mudanças devem ocorrer no comando do Serviço de Segurança da Ucrânia e do Departamento Estatal de Investigações.
Escândalo de corrupção
Koretsqui é apontado por publicações ucranianas como uma pessoa próxima do empresário ucraniano-israelense Timur Mindich, conhecido como “a carteira de Zelensqui”.
Mindich fugiu para “Israel” após ser acusado de envolvimento no escândalo de corrupção na empresa estatal de energia Energoatom.
O esquema, descoberto em novembro por órgãos anticorrupção apoiados pelos países ocidentais, envolve cerca de US$100 milhões. Além de Mindich, são citados o ex-ministro da Energia German Galuchenko e o ex-vice-primeiro-ministro Aleksei Chernixov.
As investigações provocaram a saída de vários funcionários de alto escalão, entre eles Andrei Iermak, antigo chefe de gabinete de Zelensqui.
Iermak deixou o cargo em novembro, depois que agentes do Departamento Nacional Anticorrupção da Ucrânia e da Procuradoria Especializada Anticorrupção realizaram buscas em suas propriedades durante as investigações sobre o esquema na Energoatom.
O antigo chefe de gabinete também foi acusado posteriormente em outro processo, relacionado à lavagem de dinheiro.
Pressão externa
O embaixador especial da Rússia, Rodion Miroxnik, afirmou à agência Tass que Zelensqui decidiu reformar o governo sob pressão externa.
Segundo o diplomata, a medida atende à necessidade de retirar do governo pessoas ligadas a Iermak, que passou a ser associado aos escândalos de corrupção.
Miroxnik declarou ainda que a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte resistem à entrega de novos pacotes de ajuda financeira a funcionários vinculados ao antigo chefe de gabinete.
Zelensqui não informou todos os nomes que deixarão o governo nem anunciou oficialmente quem substituirá Sviridenko.





