Europa

Ucrânia ataca gasoduto russo para sufocar a Turquia

Ataque contra estação do Blue Stream tentou interromper o fornecimento de gás russo ao país; Gazprom afirma que fluxo foi mantido

A Ucrânia tentou cortar o gás russo enviado à Turquia. A Gazprom informou, nesta quarta-feira (8), que aeronaves não tripuladas ucranianas atacaram uma estação de compressão ligada ao gasoduto Blue Stream, responsável por abastecer o país com gás russo.

O alvo foi a estação de bombeamento Crasnodarskaia, na região russa de Crasnodar, no sul do país. Segundo a empresa russa, o ataque ocorreu na manhã de terça-feira (7) e tinha como objetivo interromper o envio de gás para a Turquia.

A operação fracassou. A Gazprom informou que medidas emergenciais tomadas pelos trabalhadores da estação impediram qualquer interrupção no fluxo de gás pelo gasoduto. Equipes de reparo foram mobilizadas para corrigir os danos provocados pelo ataque.

O ataque mostra a política do regime de Vladimir Zelensqui. A Ucrânia, armada e financiada pela OTAN, não combate apenas a Rússia no campo militar. Ataca também a infraestrutura energética que abastece outros países, atingindo diretamente interesses de nações que dependem do gás russo.

A Turquia é o alvo político imediato. Ao atacar uma estrutura ligada ao Blue Stream, o governo ucraniano tenta sufocar o abastecimento energético turco e criar uma crise entre a Rússia e um país fundamental para o equilíbrio regional.

O gasoduto Blue Stream transporta gás russo pelo Mar Negro até a Turquia. Ele é uma das rotas centrais para o abastecimento turco. Não é um alvo militar comum. É uma infraestrutura econômica de caráter internacional, usada para garantir energia à população e à indústria.

A ofensiva também ocorre após uma série de ataques ucranianos contra instalações de exportação de gás. Em março, a Gazprom informou ter repelido ataques contra três estações de compressão ligadas aos gasodutos TurkStream e Blue Stream. Na ocasião, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que o ataque contra a estação Russkaia tinha como finalidade interromper o envio de gás pelo TurkStream a consumidores europeus. Em abril, a mesma estação voltou a ser alvo.

O porta-voz do Crêmlin, Dmitri Peskov, afirmou que a Rússia está tomando o máximo de medidas possíveis para reduzir a ameaça de ataques terroristas ucranianos contra o sistema energético mundial. Peskov também declarou esperar que a Turquia e outros países usem sua influência para impedir que a Ucrânia continue realizando esse tipo de ação.

A política de Quieve acompanha a deterioração da situação militar ucraniana. Nas últimas semanas, as forças russas avançaram no Donbass. O Ministério da Defesa da Rússia informou, na semana passada, a tomada de Constantinovka, posição importante que abre caminho em direção ao eixo Eslaviansk-Cramatorsk, uma das últimas áreas urbanas sob controle ucraniano na região.

Quanto mais o regime ucraniano perde terreno, mais recorre a ataques contra alvos econômicos e civis em território russo. A Ucrânia ampliou os ataques de média e longa distância contra refinarias, estações de compressão de gás, veículos civis e rotas de transporte entre a Rússia continental e a Criméia.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou, em reunião com integrantes do governo, que esses ataques não vão desestabilizar a economia russa nem criar pânico na população.

“É absolutamente claro que o adversário procura prejudicar a nossa economia, mas, acima de tudo, criar uma atmosfera de ansiedade na sociedade. Entendemos que esse objetivo é impossível de alcançar”, disse Putin.

O presidente russo afirmou ainda que “o sistema energético da Rússia tem uma das maiores margens de resistência do mundo” e orientou o governo a atuar junto às empresas de energia para resolver rapidamente problemas locais de abastecimento.

A Rússia também acusa a Ucrânia de atacar veículos civis. Segundo Rodion Miroshnik, responsável no Ministério das Relações Exteriores da Rússia por documentar crimes de guerra ucranianos, ataques da Ucrânia mataram 38 civis, incluindo uma criança, e feriram outros 270 apenas na semana passada.

Na região de Zaporíjia, uma aeronave não tripulada ucraniana atingiu um ônibus de passageiros, segundo o governador Ievguêni Balitski. O veículo pegou fogo, mas os 11 passageiros e dois motoristas conseguiram sair sem ferimentos. Balitski chamou o ataque de golpe deliberado contra um ônibus regular com civis a bordo.

Outro ataque atingiu um ônibus turístico que levava 19 passageiros de Belarus para Anapa, no litoral russo do Mar Negro, perto da fronteira na região de Briansk. Dois motoristas e um passageiro ficaram feridos. No mês passado, uma aeronave não tripulada ucraniana atingiu um ônibus que transportava uma equipe juvenil de futebol de Belarus na mesma região, matando a esposa do técnico e ferindo passageiros, incluindo crianças.

A Ucrânia atua como instrumento militar do imperialismo. Quando não consegue derrotar a Rússia no campo de batalha, tenta atingir gasodutos, refinarias, ônibus, caminhões de combustível e rotas civis. A guerra da OTAN contra a Rússia passa a atacar também países que mantêm relações econômicas com Moscou.

O ataque contra o Blue Stream deixa isso claro. A ofensiva não tinha apenas a Rússia como alvo. Ao tentar interromper o gás destinado à Turquia, o regime ucraniano procurou transformar a população turca em vítima da guerra imperialista. O fracasso da operação não muda o caráter da política: Quieve está disposto a atacar a infraestrutura energética internacional para servir aos interesses da OTAN.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.