A campanha eleitoral revela um dado que a imprensa burguesa tenta esconder: o bolsonarismo continua sendo a força política mais dinâmica da direita brasileira. Apesar da ofensiva diária contra Flávio Bolsonaro, sua candidatura não foi demolida e permanece próxima de Lula nas pesquisas.
O ataque é aberto. O Globo pediu que Flávio desistisse da disputa. O Estado de S. Paulo apresentou a eleição como uma oportunidade para a direita se livrar do bolsonarismo. Ao mesmo tempo, multiplicam-se notícias e especulações destinadas a desgastar o candidato.
O objetivo é substituir o bolsonarismo por uma direita mais confiável para a burguesia, semelhante ao antigo PSDB. É a política que procura ressuscitar uma terceira via, seja por meio de Ronaldo Caiado, seja por outro nome disposto a aplicar o programa dos grandes capitalistas.
Mesmo sob fogo cerrado, Flávio Bolsonaro continua competitivo. Uma pesquisa Datafolha colocou Lula apenas cinco pontos à frente. Considerada a margem de erro, a diferença não permite tratar a eleição como definida.
O dado mais importante é que a pesquisa também expõe a fraqueza de Lula. Enquanto Flávio oscila e conserva um núcleo mobilizado, o candidato petista permanece praticamente parado.
Lula depende, em grande medida, do voto antibolsonarista. Uma parcela importante de seus eleitores não é atraída por um programa ou por uma expectativa de mudança. Vota no PT apenas para impedir a vitória de Bolsonaro.
Esse voto defensivo é acompanhado pelo voto de aparato. O PT controla o governo federal, governos estaduais, prefeituras, sindicatos e uma extensa burocracia. Essa máquina garante uma base eleitoral, mas não produz movimento político. É um voto conservador e vegetativo.
A dificuldade de Lula em abrir vantagem não representa um desgaste passageiro. Ela expressa o esgotamento histórico do petismo. O PT perdeu a capacidade de despertar esperança entre os trabalhadores e passou a depender do apoio de setores da burguesia e do medo da volta do bolsonarismo.
A política antibolsonarista tornou-se sua tábua de salvação. Sem ela, a fragilidade da candidatura governista apareceria com mais nitidez.
Fora do terreno eleitoral, o problema seria maior. Em um período de mobilização de massas, greves e enfrentamentos políticos, o PT teria menos capacidade de controlar a situação. As eleições amortecem a crise porque concentram a disputa no voto e favorecem os partidos com maior aparato.
Ainda assim, refletem a evolução da relação de forças: uma esquerda governista sem iniciativa e um bolsonarismo que preserva militância popular ativa.
União Brasil, Republicanos e PP possuem dinheiro, parlamentares e apoio empresarial, mas não contam com um movimento popular real. São organizações artificiais, dependentes do Estado e das máquinas eleitorais.
O bolsonarismo é diferente. Embora represente uma política reacionária, desenvolveu uma base mobilizada e uma identidade própria. Por isso, a burguesia tenta discipliná-lo ou substituí-lo por uma candidatura mais dócil.
A insistência da imprensa em declarar Flávio Bolsonaro derrotado mostra mais um desejo do que uma realidade. O próprio Globo, após a pesquisa Datafolha, foi obrigado a reconhecer a “resiliência” do bolsonarismo. Admitiu que a campanha para destruir a candidatura não produziu o resultado esperado.
PT chega à disputa com um programa atraente para a burguesia e pouco capaz de mobilizar as massas trabalhadoras. Lula se sustenta menos pelo entusiasmo popular do que pela rejeição ao adversário.
Flávio Bolsonaro atravessa uma ofensiva sem perder sua posição central no campo da direita. A candidatura pode sofrer golpes, mas o movimento que a sustenta continua em ascensão.





