Literatura

Editora Democritos lança edição de bolso do Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente

Novo volume de bolso traz o clássico Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente, texto fundamental para os artistas que lutam contra o imperialismo e o fascismo

A Editora Democritos acaba de lançar uma nova edição de bolso do Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente, um dos textos mais importantes já escritos sobre a relação entre arte, revolução e liberdade de criação.

A obra, que acaba de chegar ao público, está disponível no estoque da editora e em seu estande na feira do livro da Unesp, realizada no Memorial da América Latina, na Barra Funda. A atividade começou na quarta-feira (13) e segue até este domingo (17), reunindo mais de 200 editoras e oferecendo livros com desconto mínimo de 50%.

O Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente foi publicado originalmente em 1938, no México. Assinado por André Breton, fundador do surrealismo, e pelo muralista mexicano Diego Rivera, o texto é atribuído, em sua elaboração política central, a Breton e Leon Trótski. Trata-se de um programa revolucionário para os artistas, escrito em um momento em que a humanidade caminhava para a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e em que a arte se via esmagada, de um lado, pelo fascismo, e de outro, pela burocracia stalinista.

A nova edição da Democritos recoloca em circulação uma ideia decisiva: a arte verdadeira não pode ser submetida nem ao mercado capitalista, nem ao Estado policial, nem às conveniências de uma burocracia qualquer. Para os autores do manifesto, a criação artística precisa estar ligada à luta pela transformação radical da sociedade, mas essa ligação só pode existir plenamente quando o artista cria de maneira livre, sem censura, sem comandos administrativos e sem a imposição de modelos oficiais.

O centro do manifesto está sintetizado em sua palavra de ordem final: “a independência da arte — para a revolução; a revolução — para a liberação definitiva da arte”. Essa formulação expressa uma posição oposta tanto à falsa “arte pura”, que costuma servir à reação sob a aparência de neutralidade, quanto à arte oficial, domesticada, transformada em propaganda mecânica e sem vida.

O texto denuncia o fascismo hitlerista, que expulsou, perseguiu ou transformou artistas em servidores do regime, mas também denuncia a degeneração burocrática da União Soviética sob José Stálin. Para Breton, Rivera e Trótski, uma revolução verdadeira não teme a liberdade artística. Pelo contrário: precisa dela. A emancipação do homem exige também a emancipação da imaginação, da criação intelectual, da pesquisa estética e da experimentação.

Por isso, o manifesto tem enorme atualidade. Em uma época em que a arte é cada vez mais controlada pelos monopólios e pelas fundações imperialistas, a defesa de uma arte revolucionária independente volta a aparecer como uma necessidade política de primeira ordem.

A publicação também tem importância para a juventude, para os artistas e para todos aqueles que se preocupam com a cultura. O capitalismo em decomposição transforma a arte em mercadoria, submete a produção cultural ao gosto dos patrocinadores e tenta reduzir o artista a um funcionário da indústria cultural. O manifesto publicado pela Democritos aponta em sentido contrário: a arte deve se voltar para as grandes tarefas históricas da humanidade, mas sem abrir mão de sua liberdade interna, de sua experimentação e de sua capacidade de antecipar o futuro.

O lançamento reforça a linha editorial da Democritos, que vem publicando obras de grande importância política, histórica e cultural, muitas delas ausentes no mercado editorial tradicional. A editora tem se dedicado a colocar à disposição do público brasileiro livros ligados à luta dos povos oprimidos e ao marxismo.

A presença da editora na Feira do Livro da Unesp também permite ao público conhecer outros lançamentos recentes. O principal destaque é O Espinho e o Cravo, romance do dirigente palestino Iahia Sinuar, escrito nas prisões sionistas e publicado no Brasil pela Editora Democritos em dois volumes, com cerca de 800 páginas. A obra foi lançada inicialmente no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP) e apresentada novamente na feira, na Biblioteca Latino-Americana do Memorial da América Latina.

O Espinho e o Cravo acompanha a história recente da Palestina por meio da vida de uma família palestina, desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, até a Segunda Intifada. O romance trata da ocupação de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, da vida nos campos de refugiados, das prisões sionistas, das greves de fome, da formação política dos militantes palestinos e do desenvolvimento das organizações da resistência.

Assim como o livro de Sinuar, o Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente cumpre uma função política e cultural: apresentar ao público textos que ajudam a compreender a luta contra o imperialismo e contra todas as formas de opressão. No primeiro caso, por meio de um romance histórico sobre a resistência palestina; no segundo, por meio de um programa para os artistas revolucionários.

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