Nesta sexta-feira (1º), o Partido da Causa Operária (PCO), em conjunto com os Comitês de Luta, realizou uma manifestação nacional em São Paulo pelo Dia Internacional de Luta do Trabalhador. A concentração ocorreu no Theatro Municipal, onde lideranças políticas e operárias realizaram discursos em cima do carro de som.
Entre os oradores, esteve presente Antônio Carlos Silva, coordenador nacional da Corrente Sindical Nacional Causa Operária (CSNCO) e membro da Direção Nacional do PCO. Em sua fala, Antônio Carlos cobrou uma postura combativa das direções sindicais, em especial da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e denunciou a omissão diante do achatamento dos salários, da elevada taxa de juros e do endividamento que atinge mais de 80 milhões de brasileiros. O dirigente também saudou a vitória do Irã sobre o imperialismo, defendeu a redução da jornada de trabalho e criticou o governo Lula pela paralisação da reforma agrária.
Confira, abaixo, o discurso na íntegra:
Em nome da Corrente Sindical Nacional Causa Operária e de todos os companheiros dos vários Comitês de Luta que estão aqui presentes, gostaria de destacar a importância deste nosso ato.
Nós tivemos que chamar este ato meio em cima da hora, não estava no nosso planejamento de longo prazo. O lógico, como é de costume, seria que a gente estaria nas ruas, como sempre, participando, honrando a luta dos mártires, dos heróis da classe trabalhadora, levantando as reivindicações da classe trabalhadora. Mas nós, que somos integrantes, que militamos na Central Única dos Trabalhadores, tínhamos a esperança, a expectativa de que a direção da CUT convocasse um grande ato neste momento de enorme crise, de dificuldades da classe trabalhadora.
Quando a burguesia, quando a direita vai para cima de toda a classe trabalhadora, os salários estão sendo achatados, a população está sofrendo com as maiores taxas de juros do mundo, roubando parte daquilo que ganha o povo brasileiro. Mais de 80 milhões de brasileiros estão endividados. É o momento de levantar a mobilização dos trabalhadores.
Nós entendíamos e entendemos a importância também da mobilização no dia de hoje, porque a classe trabalhadora em todo o mundo, os povos oprimidos, estão diante de uma luta gigantesca. E, pela primeira vez em muitos anos, nós temos o que celebrar. Nós temos para celebrar a luta vitoriosa, combativa, revolucionária dos nossos irmãos do Irã, que estão impondo uma derrota gigantesca ao imperialismo norte-americano.
Nós temos a necessidade de nos mobilizar para defender também, neste Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora, os demais povos oprimidos, como Cuba, como Venezuela, como foi dito aqui, e saudar também o esforço vigoroso e vitorioso da Rússia, que vem derrotando a provocação e a agressão da OTAN.
A gente esperava que a nossa central, a Central Única dos Trabalhadores, chamasse também um ato para colocar o problema da redução da jornada de trabalho. Porque, como disseram aqui companheiros que me antecederam, nós vivemos numa situação em que o Brasil tem uma das maiores jornadas de trabalho do mundo, um dos salários mínimos mais miseráveis. Segundo o Dieese, hoje o salário mínimo necessário seria de 7.500 reais. E, no entanto, nós temos hoje a miséria de 1.500 reais, que não dá nem para o trabalhador e sua família comerem.
Reivindicação é que não falta. Dias atrás, o MST disse que no governo Lula — prestem atenção — houve menos desapropriações para a reforma agrária do que nos anos miseráveis do governo de Michel Temer. É uma situação absurda. O governo se vê encurralado e, mais do que nunca, as organizações dos trabalhadores, como a CUT, o MST, precisavam fazer um chamado a uma grande mobilização nas ruas. E nós, com certeza, estaríamos lá juntos para participar dessa mobilização.
Esse chamado não aconteceu, por isso nós chamamos este ato próprio, importante, que estamos transmitindo pela Causa Operária TV, e milhares de pessoas vão ver em todo o País e no mundo, para levantar as bandeiras de luta da classe trabalhadora.
Então, eu queria parabenizar todos os companheiros que estão presentes, que apoiaram esta iniciativa, que tornaram possível, mesmo em cima da hora, que nós levantássemos este debate. É preciso uma nova posição das direções, é preciso quebrar a paralisia. Sindicalista não pode ser para ficar com a bunda na cadeira e ficar batendo palma para aquilo que o governo faz. Sindicalista tem que organizar a luta dos trabalhadores. Então, por isso, companheiros, nós estamos muito de parabéns.





