A última semana foi marcada por uma euforia no campo popular provocada pelo vazamento da vinculação do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O primeiro entrou em contradição após ter falado publicamente que não tinha ligação com o banqueiro que está preso por conta dos escândalos que envolvem o seu banco. O jornal The Intercept divulgou um áudio revelando a relação íntima do presidenciável da extrema direita com o banqueiro, no qual ele solicitava um repasse de incríveis R$ 164 milhões para a realização de um filme sobre a história de seu pai, Jair Bolsonaro. Esse valor é várias vezes maior do que o de filmes que disputam o prêmio do Oscar. Já o atual senador Ciro Nogueira foi alvo de uma operação de busca e apreensão em sua casa por conta das suspeitas de seu envolvimento no caso do Banco Master. Esses ocorridos devem ser explorados pelas forças populares para comprovar que esses elementos de extrema direita, que querem passar uma imagem de antissistema, na realidade são os mais ferozes defensores do sistema político e econômico atual, sendo financiados, inclusive, da maneira mais podre e corrupta pelos grandes capitalistas. Juntos, eles saqueiam o orçamento do país – que deveria ser destinado a políticas públicas – com objetivos individualistas e de enriquecimento ilícito, deixando o povo à deriva.
Pois bem. Dito isso, vamos ao que interessa efetivamente. Esse tipo de situação não comove de forma contínua o conjunto dos trabalhadores , muitos dos quais, inclusive, se encontram na base social do bolsonarismo. As circunstâncias em que os trabalhadores estão submersos são drásticas, uma vida muito dura. É esse o problema que precisa ser confrontado se o governo e a candidatura do presidente Lula quiserem ser devidamente respaldados pela população. O povo quer saber quem é que vai, de maneira efetiva e de forma concreta, mudar a sua realidade ; retirá-lo da circunstância de asfixia financeira provocada pelos juros abusivos impostos pelos banqueiros ; reduzir a jornada de trabalho sem redução salarial e acabar com a escala 6×1 ; quem vai implementar uma verdadeira política de industrialização, tendo como carro-chefe um programa de reestatização de empresas estratégicas como a Petrobras, Eletrobras, Telebras e Vale ; quem vai reduzir o preço dos combustíveis, da energia e da alimentação; quem vai implementar a tarifa zero na mobilidade ; quem vai reajustar o salário mínimo com a efetivação do salário mínimo vital ; quem vai derrubar o ajuste fiscal responsável pela precarização dos serviços de saúde, de educação e de infraestrutura.
Os trabalhadores querem saber quem vai representar uma perspectiva de mudança na ordem que hoje está estabelecida no país e que não consegue mais dar respostas efetivas às mazelas sociais que o país vive desde sua fundação. Os grandes temas nacionais – que são os responsáveis por nos amarrar ao capitalismo atrasado, pelo subdesenvolvimento do país e pela miséria do nosso povo – são as verdadeiras raízes da impopularidade do atual governo democrático-popular, porque são eles que nos engessam e nos impedem de possuir um raio de ação mais amplo para atender às reivindicações políticas e econômicas do nosso povo. São amarras que só permitem realizar entregas de baixa intensidade, que não causam comoção alguma em nossa base social e não permitem que efetuemos um processo de desagregação nas fileiras inimigas, apenas amenizando, de maneira muito reduzida, a situação desesperadora.





