São Paulo

É hoje! Participe do ato de abertura do XII Congresso do PCO

Congresso Natália Pimenta começa nesta quinta-feira (4) e reunirá militantes de todo o País para discutir situação política, eleições e construção do Partido

Começa nesta quinta-feira (4) o XII Congresso Nacional do Partido da Causa Operária (PCO). O encontro será realizado até domingo (7), no Auditório Paraíso, localizado na Rua Abílio Soares, 245, no bairro do Paraíso, em São Paulo.

O Congresso, que reunirá dirigentes, militantes, simpatizantes, apoiadores e convidados de todo o País, receberá o nome de Congresso Natália Pimenta, em homenagem à dirigente histórica do Partido, falecida em novembro do ano passado. Trata-se de uma homenagem a uma das mais importantes militantes da esquerda brasileira de seu tempo, cuja vida foi inteiramente dedicada à construção do partido revolucionário da classe operária.

O ato de abertura, que acontece nesta quinta-feira, contará com a presença de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência da República; Breno Altman, editor-chefe do Opera Mundi; Ahmed Shehada, do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal); Bebel, da Apeoesp; Guido, também da Apeoesp; além de Ric Jones e Zeza Jones.

Em um momento de aprofundamento da crise nacional e internacional, de ofensiva do imperialismo contra os povos oprimidos e de decomposição cada vez mais evidente do regime político brasileiro, o XII Congresso do PCO se apresenta como um marco na organização da esquerda revolucionária no País.

Entre os principais pontos da pauta do Congresso está a discussão sobre a pré-candidatura de Rui Costa Pimenta à Presidência da República nas eleições de 2026. O Partido também debaterá candidaturas aos governos estaduais, ao Senado e aos cargos proporcionais.

A discussão eleitoral, no entanto, não será feita como fazem os demais partidos. Para o PCO, as eleições são um terreno de intervenção política, de denúncia do regime burguês e de apresentação de um programa próprio da classe operária. A pré-candidatura de Rui Costa Pimenta, nesse sentido, expressa a necessidade de uma política independente dos trabalhadores contra a burguesia, o imperialismo e seus representantes no interior do regime.

O Congresso também debaterá a situação política nacional e internacional, o balanço das atividades partidárias, as diretrizes políticas e organizativas do Partido e a eleição dos membros efetivos e suplentes do Comitê Central Nacional (CCN).

Essas discussões são decisivas. O Brasil atravessa uma crise profunda. O imperialismo pressiona o País em todos os terrenos, do controle da Amazônia à política econômica, passando pela censura, pelo Judiciário e pela tentativa de disciplinar toda a esquerda. Ao mesmo tempo, a situação internacional é marcada por grandes derrotas do imperialismo, pela resistência dos povos oprimidos e pelo avanço da crise capitalista mundial.

É nesse quadro que o PCO realiza seu Congresso Nacional, buscando organizar politicamente a vanguarda operária e socialista para intervir nos acontecimentos.

O XII Congresso dá continuidade ao trabalho desenvolvido no XI Congresso Nacional do PCO, realizado em agosto de 2022, na Academia Paulista de Letras, em São Paulo.

Naquele Congresso, o Partido definiu sua lista de candidatos operários em 15 estados, com trabalhadores do campo e da cidade, operários, sem terra e indígenas. O XI Congresso foi um momento de balanço político de toda a situação aberta pelo golpe de Estado de 2016, pela prisão de Lula, pela eleição de Bolsonaro, pela crise do regime e pela luta contra a ofensiva da direita. No informe político daquele ano, Rui Pimenta fez um amplo balanço da situação mundial e nacional. Ele destacou a derrota do imperialismo norte-americano no Afeganistão como um ponto de inflexão da situação internacional, comparável, em certos aspectos, às grandes derrotas imperialistas no Vietnã e no Iraque.

Para ele, a retirada norte-americana do Afeganistão foi a demonstração de que o imperialismo já não consegue exercer sua dominação mundial como antes. Essa derrota abriu uma nova etapa de crise, que logo se expressaria também na operação russa na Ucrânia e nas tensões em torno de Taiuã. No informe, Pimenta chamou a atenção para o fato de que países que não fazem parte do centro da ordem imperialista começaram a desafiar, ainda que de maneira localizada, o domínio dos donos do mundo. Essa situação, segundo ele, revelava um enfraquecimento sem precedentes do imperialismo mundial.

O presidente do PCO também destacou a retomada das lutas operárias em escala internacional. Após décadas de refluxo, provocadas pela ofensiva neoliberal, pela queda da União Soviética e pela incorporação de centenas de milhões de trabalhadores ao mercado mundial sob condições extremamente rebaixadas, começavam a aparecer sinais de uma nova entrada da classe operária em cena.

Greves na França, nos Estados Unidos e em outros países apontavam, naquele momento, para uma mudança na situação. O problema central era compreender que a crise capitalista mundial abria uma etapa de maior instabilidade, em que os trabalhadores poderiam voltar a ocupar um papel decisivo na luta política.

Outro ponto fundamental do informe de Rui Costa Pimenta no XI Congresso foi a denúncia da esquerda pequeno-burguesa pró-imperialista. O presidente do PCO destacou que uma parte significativa da esquerda mundial se encontrava completamente adaptada à política do imperialismo.

Essa análise permanece ainda mais atual. A ofensiva imperialista contra a Palestina, a perseguição contra os setores que defendem a resistência, a censura nas redes sociais, a repressão judicial e a tentativa de transformar a esquerda em correia de transmissão da política da burguesia mostram que o problema da independência política da classe operária é cada vez mais urgente.

O XI Congresso também colocou com força a necessidade de uma ampla frente anti-imperialista. Para o PCO, a luta contra o imperialismo não pode ser subordinada aos critérios morais ou ideológicos da esquerda pequeno-burguesa. A revolução socialista, particularmente em um país atrasado como o Brasil, passa necessariamente pela luta contra o imperialismo.

A decisão de dar ao XII Congresso Nacional o nome de Congresso Natália Pimenta expressa o reconhecimento do Partido à trajetória de uma militante exemplar.

Natália Braga Costa Pimenta faleceu em 22 de novembro do ano passado. Membro do Comitê Central Nacional do PCO e vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina, ela dedicou 28 anos de sua vida à luta revolucionária. Sua militância começou ainda aos 12 anos, em meio à ofensiva neoliberal dos anos 1990 e ao refluxo do movimento operário provocado pela queda da União Soviética.

Desde muito jovem, Natália participou da construção do PCO. Teve papel importante no desenvolvimento da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), na organização do movimento estudantil e na construção da imprensa partidária. Foi uma das responsáveis por mobilizar setores da juventude para colocar de pé o Diário Causa Operária, o primeiro jornal diário da esquerda brasileira na Internet.

Durante mais de uma década, atuou como uma das principais lideranças do Partido na Universidade de São Paulo (USP). Organizou mobilizações, ocupações e enfrentou a repressão. Chegou a ser presa durante uma mobilização na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), expressão de sua disposição de luta contra os ataques aos estudantes e à educação pública.

Entre 2008 e 2012, esteve à frente de importantes mobilizações universitárias e assumiu a edição do jornal USP Livre, que se tornou um dos principais instrumentos das lutas estudantis naquele período.

Natália também teve papel central na organização interna do PCO. Destacou-se por sua enorme capacidade de trabalho, disciplina e talento para organizar pessoas. Foi responsável por estruturar o sistema de células, consolidar métodos de militância e formar uma nova geração de quadros partidários. Praticamente toda uma geração de militantes do PCO foi, de uma forma ou de outra, influenciada por Natália.

Ela também esteve à frente do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, travando uma luta firme contra o identitarismo e contra as ideologias pequeno-burguesas que procuram dividir a classe operária. Para Natália, a emancipação da mulher não poderia ser separada da luta geral dos trabalhadores contra o capitalismo. Essa posição, marxista e revolucionária, marcou toda sua intervenção nesse terreno.

Nos últimos anos, Natália teve papel destacado na luta em defesa do povo palestino. Como vice-presidente do Ibraspal, posicionou-se de maneira firme contra o sionismo e em defesa da resistência palestina.

Desde o início da nova etapa da guerra em Gaza, aberta pela Operação Dilúvio de Al-Aqsa, Natália defendeu sem recuos o direito do povo palestino de resistir à ocupação. Sua atuação incomodou profundamente os setores sionistas, a ponto de sua conta na plataforma X ser suspensa sob pressão da campanha pró-“Israel”.

Natália integrou a comitiva brasileira que visitou a direção do Hamas no Catar em 2024. A viagem resultou em um dos mais importantes trabalhos de esclarecimento sobre a Palestina realizados no Brasil: o livro O Hamas Conta Seu Lado da História, obra que se tornou uma referência para todos os que querem compreender a luta palestina para além da propaganda imperialista e sionista. Mesmo durante o período em que esteve hospitalizada, Natália continuou acompanhando atentamente a situação na Palestina.

Natália enfrentou durante três anos um câncer raro. Seu tratamento exigia medicamentos específicos, que deveriam ter sido garantidos por direito. No entanto, a burocracia estatal, o Judiciário e o sistema de saúde submetido à política neoliberal atrasaram e dificultaram o acesso ao medicamento necessário. Quando finalmente foi liberado, já não havia mais tempo.

O Congresso Natália Pimenta começa hoje. Será uma homenagem a uma militante que dedicou a vida à revolução e, ao mesmo tempo, um chamado à organização da luta contra o imperialismo, contra a burguesia e pela construção de um partido operário no Brasil.

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