Museu Britânico

Diretor de museu diz temer reação popular a exposição sionista

O Museu Britânico alegou ter recebido informações consideradas confiáveis de que entre 25% e 50% das pessoas com ingresso pretendiam interromper a apresentação

O diretor do Museu Britânico, Nicholas Cullinan, defendeu o adiamento de uma palestra sobre os “antigos reinos de ‘Israel’ e Judá”, em Londres, na segunda-feira (1º), após a direção do museu alegar risco de interrupção por manifestantes pró-Palestina. A atividade fazia parte do primeiro mês da cultura judaica no Reino Unido. Cullinan afirmou que instituições culturais estão submetidas a pressões políticas opostas e que a decisão buscou evitar uma ação organizada durante a palestra.

A declaração de Cullinan veio após a polêmica causada pelo adiamento, com menos de 24 horas de antecedência, da palestra conduzida por Paul Collins, responsável pelo departamento de Oriente Médio do museu. O tema seria a arqueologia e a suposta história dos “antigos reinos de ‘Israel’ e Judá” a partir de objetos do próprio acervo. O evento foi criticado por artistas judeus antissionistas, que viram na atividade uma iniciativa de propaganda sionista em uma instituição financiada com recursos públicos.

O Museu Britânico alegou ter recebido informações consideradas confiáveis de que entre 25% e 50% das pessoas com ingresso pretendiam interromper a apresentação. Cullinan afirmou que o museu tinha obrigações concorrentes: garantir que o público pudesse ouvir a palestra, proteger o curador de “tentativas organizadas de silenciamento” e preservar a segurança de visitantes, incluindo grupos escolares que estariam no prédio no mesmo horário. A alegação do diretor ignora que a própria direção do museu não abriu espaço democrático para a apresentação de fontes históricas que desmentem a propaganda sionista.

A decisão provocou reação de figuras políticas e intelectuais britânicas. A líder conservadora Kemi Badenoch pediu intervenção do governo, argumentando que o adiamento prejudicava os objetivos do mês da cultura judaica. Também houve críticas de David Wolfson e dos historiadores Simon Schama e Simon Sebag Montefiore. Para esses setores sionistas, a suspensão representou recuo diante de manifestantes. As falas dos representantes do lobby sionista indicam uma tentativa de impor sua propaganda por meio da máquina estatal, depois da derrota diante da mobilização popular nesse caso.

O diretor sustentou que a palestra não foi cancelada, mas adiada, e que essa distinção era importante. O museu afirmou que o evento será remarcado ainda em junho e transmitido pela Internet.

O museu já havia sido criticado neste ano por retirar a palavra “Palestina” de algumas legendas de galerias. Em meio ao genocídio em Gaza e à ofensiva de “Israel”, qualquer exposição relacionada à história da Palestina, à arqueologia bíblica ou à história antiga da região passou a ser tratada pelo museu como parte de uma disputa política mais ampla de censura. Para grupos antissionistas, a questão não é impedir o debate, mas exigir que uma instituição pública não apresente uma visão unilateral.

A rede Artistas Judeus pela Palestina, em inglês Jewish Artists for Palestine, formada por artistas, escritores e trabalhadores culturais judeus antissionistas no Reino Unido, defendeu que é legítimo esperar que um museu público receba conversas com diferentes pontos de vista. O grupo criticou a ideia de tratar o debate político como ameaça de segurança e afirmou que isso reforça a percepção de que o evento tinha caráter pró-sionista.

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