O artigo “Como são as conversas e códigos de misoginia nos fóruns redpill no Telegram e em mais redes”, de Guilherme Caetano, publicado no Estadão, nesta terça-feira (7), é a comprovação, para quem ainda tinha dúvidas, de que o identitarismo é uma ideologia de direita, cuja função é dividir a esquerda e aumentar o poder repressivo do Estado.
Para criar um ar de gravidade, o olho do texto diz que “Em coletas de mais de 1 milhão de mensagens em chats extremistas, pesquisadores identificam apologia a crimes, vocabulário com humor como ‘estratégia discursiva’ e classificação de hierarquia entre homens e mulheres. YouTube diz ter política contra crimes de ódio, e Meta afirma remover conteúdo sempre que identificado”
Antes de mais nada, é preciso notar que o título ataca o Telegram, enquanto no olho do artigo defendem o YouTube e a Meta. De modo que já existem interesses muito específicos em jogo.
A mulher, no capitalismo, é classificada hierarquicamente, pois, na média, recebe menos que os homens para desempenharem a mesma função. Como o Estadão, e demais órgãos da grande imprensa, defendem o capitalismo, só podemos concluir que são todos misóginos.
Se a ideia é condenar “vocabulário com humor”, dificilmente vai ficar algum homem fora da cadeia. Criminalizar “vocabulário” é típico de ditaduras. Não é à toa que no livro 1984, de George Orwell, criaram a Novilíngua, que o Ministério da Verdade (contra as fake news?) tratava de estabelecer o que e como deveria ser escrito; bem como o Ministério do Amor (contra o discurso de ódio?) que era responsável por manter a lei e a ordem. Era o local mais temido, onde a tortura, a reeducação e a eliminação dos dissidentes ocorriam. Para “reeducar” os misóginos, a direita e a esquerda identitária estão propondo a cadeia, verdadeiras câmaras de tortura, bem como o aumento de penas.
Como exemplo de misoginia, o jornal apresenta uma mensagem que diz o seguinte: “Irmãos Redpill, sugiro atacarmos também as muié com florzinhas tatuadas. Todos sabem que as flores adoram receber muito pólen (ou esperma), que é um simbolismo para muié com fogo na prikita (ou peleleca)”.
O texto segue dizendo que “a mensagem acima, de 20 de abril, é uma das milhares encontradas pelos pesquisadores do Laboratório de Humanidades Digitais (LABHD) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em levantamento feito desde janeiro de 2025 em chats extremistas do Telegram.” Como se pode constatar, uma grande ameaça para a humanidade.
Conforme o texto, “com a Câmara dos Deputados prestes a votar o PL da Misoginia, que equipara o discurso de ódio contra mulheres ao racismo e prevê penas maiores, usuários radicalizados movimentam chats secretos do aplicativo para protestar contra o projeto e manter vivo o discurso que demoniza e prega violência contra mulheres.”
O PL da Misoginia é ideia de Tabata Amaral (PSB-SP), uma sionista que é cria de Paulo Lemann. A mesma deputada quer transformar crime de racismo críticas ao Estado genocida de “Israel”, justamente aquele que vem exterminando mulheres na Faixa de Gaza. Ou seja, os maiores misóginos ficarão protegidos.
Com o aumento da repressão, é óbvio que isso estimula “chats secretos”, ou o que seja, pois é impossível impedir que as pessoas sintam. Se, por algum motivo, um homem não gosta de mulheres, a prisão não o fará mudar de ideia.
A lei em si é uma aberração, pois quer tornar crime algo subjetivo, sendo que no Direito um crime tem que ser objetivo. Caso contrário, o que vai reinar é a arbitrariedade, os juízes estão livres para considerarem um ato como misógino ou racista. O resultado disso não será outro que o de colocar mais gente pobre nas cadeias.
Não existe uma definição clara e objetiva de misoginia. Como este Diário já apontou, o famoso escrito britânico, Bernard Shaw, se dizia misógino, ou seja, considerava as mulheres inferiores, e isso não impediu de criar personagens femininas inteligentes e fortes.
Reação
O aumento da repressão só faz aumentar a reação. No texto aparece uma mensagem de 13 de fevereiro que diz “Bom dia para aquelas pessoas que odeiam mulher, que criticam o Bolsa Família, que falam mal dos programas do governo e que torcem o nariz quando escutam sobre direitos das mulheres, SUS, INSS, Minha Casa Minha Vida, Caixa, Lei Maria da Penha, Enem, Fies, impostos, cotas, escala 6×1 e sub emprego”
Muito do que está escrito acima é contra a esquerda, e foi a grande imprensa, principalmente após o julgamento-farsa do Mensalão que, com uma campanha massiva contra o Partido dos Trabalhadores fez a extrema direita levantar a cabeça.
Por que seria crime alguém odiar alguma coisa? Ninguém é obrigado a gostar de nada. Se esse ódio não se transformar em ação, em algo objetivo, não há motivos para criminalizar. O aumento de repressão é que está estimulando aquele tipo de mensagem.
Tentar proibir, reprimir ou regular de forma muito agressiva uma ideia ou subcultura causa frequentemente o oposto do pretendido. Esse comportamento é impulsionado por algo chamado de reatância psicológica — uma reação natural do ser humano quando sente que sua liberdade de expressão ou de pensamento está sob ameaça. Quando o Estado ou a grande imprensa rotulam agressivamente um grupo ou um termo, os integrantes desse nicho tendem a radicalizar seu discurso como forma de resistência ou “desafio” à autoridade.
Os identitário e imprensa de direita, ao repetirem exaustivamente termos como redpill, machosfera ou fóruns extremistas, estão dando publicidade e estímulo para determinados comportamentos.
Liberdade de expressão
Sobre a PL da Misoginia, “a proposta é tratada nesses chats misóginos como uma lei que colocará os homens na cadeia por ‘tudo e qualquer coisa que for dita contra uma mulher’ e como articulação feminista para transformar ‘todos os homens em potenciais criminosos’. Uma das imagens circulantes sugere que as mulheres começariam a fazer falsas denúncias para levar homens à prisão.”
Para tentar deslegitimar os protestos contra esse PL absurdo, o texto diz que “no Congresso, o PL da Misoginia vem enfrentando oposição de parlamentares bolsonaristas, que temem um cerco à liberdade de expressão caso a lei entre em vigor. Esse grupo tenta impedir a sua votação.”
Transforma automaticamente quem discorda desse aumento de repressão como bolsonarismo. A mesma tática que a esquerda identitária vem utilizando, o que mostra que jogam no mesmo time.





