Na Venezuela existe uma oposição que se diz de esquerda, mas que concorda com o imperialismo naquilo que é fundamental.
O artigo “Venezuela: reconstruir a independência, a democracia e a justiça social”, publicado no sítio Revista Movimento, ligado ao MES-PSOL nesta terça-feira (7), traz em seu título, as concepções e críticas da comuns na esquerda pequeno burguesa e na direita, que dizem que a Venezuela não é uma democracia.
O texto em questão é o “manifesto-comunicado divulgado pela corrente Comunes, da Venezuela”.
No primeiro parágrafo temos uma visão derrotista que alega que “não se pode comemorar o dia da independência, 5 de julho. Não se pode comemorar o que não se tem. Desde 3 de janeiro de 2026, a Venezuela tornou-se um protetorado-colônia de fato dos Estados Unidos.”
Um grupo que se diz socialista deveria utilizar a data da comemoração da independência para reforçar a necessidade da luta popular contra o imperialismo e pressionar o governo pela esquerda.
Em vez disso, se limitam a dizer que “Washington controla o setor petrolífero venezuelano, apropria-se de recursos públicos, decide sobre o orçamento, define a política externa, ordena a reforma de leis de acordo com seus interesses, deixando uma pequena margem de decisão a um governo local, submisso e complacente, que é fruto de uma fraude eleitoral. Trump, como ele mesmo acaba de declarar, “derrotou a Venezuela” e impôs sua vontade colonial sobre toda a nação.” – grifo nosso.
A derrota do pau mandado dos EUA, Edmundo González Urrutia, segundo essa esquerda, teria sido uma fraude eleitoral. A mesma opinião de Joe Biden, de todo o bloco imperialista e seus capachos “democratas”, que contestam as eleições e exigem as atas – exclusivamente para Venezuela, as verdadeiras eleições fraudulentas ocorridas no continente foram, supostamente, democráticas.
Política do “nem-nem”
Para tentar demonstrar isenção, o texto busca criticar situação e oposição. Afirma que “Delcy Rodríguez prefere chamar isso de ‘colaboração’ e ‘caminho diplomático correto’, enquanto María Corina Machado demonstra um ‘agradecimento’ constante por sua contribuição à ‘liberdade’. Ambas são a expressão de elites econômicas e políticas servis, dispostas ao servilismo e à renúncia aberta à independência, em troca de migalhas de poder político.”
Apesar de Nicolás Maduro ter armado e treinado uma enorme quantidade de populares na Venezuela, o texto argumenta que “a história avaliará os múltiplos fatores e a cadeia de responsabilidades que as elites representadas por Machado e Rodríguez/Maduro têm na perda de nossa condição de República independente. Mas, sem dúvida, o apoio constante à invasão por parte da primeira, somado à fraude eleitoral, à repressão, à corrupção e ao desrespeito aos direitos sociais por parte dos segundos, estão entre os fatores mais importantes.”
As acusações de corrupção são uma arma constantemente utilizada pela direita para atacar seus adversários políticos, e não poderia ser diferente com a esquerda pequeno-burguesa, ideologicamente presa à burguesia.
O grupo se utiliza dos terremotos e diz que é o momento para “extrair forças para reconstruir, material e espiritualmente, nossas comunidades; bem como refletir, debater e agir para reconstruir a democracia, a justiça social e o direito à autodeterminação.”
A COMUNES, também considera “que o momento atual [os] obriga a unir forças e mobilizar ao lado de outras forças sociais e políticas, diversas”, para então apresentar uma lista: 1) Recuperar a democracia e a constitucionalidade; 2) Restaurar a vigência dos direitos sociais; 3) Acumular força democrática, popular e nacionalista; e, 4) Recuperar a soberania nacional.
É preciso perguntar o porquê de tantos pontos. O mais importante seria a mobilização pela libertação de Nicolás Maduro e a expulsão de quaisquer elementos dos Estados Unidos no país.
Nenhum agrupamento que se diga comunista pode ignorar essa luta, pois é aceitar o golpe dos EUA contra a Venezuela. Falar em soberania fora desses termos seria uma farsa e uma capitulação.
O fato desse grupo se opor a Maduro não pode servir de pretexto para não exigir sua libertação.
No ponto sobre soberania dizem apenas que “os danos que o governo colonial vem nos causando, soma-se sua pretensão de aproveitar a catástrofe para estabelecer uma presença militar permanente em nosso país (apenas 15% dos 2.000 militares norte-americanos são socorristas) e controlar a reconstrução, de acordo com seus interesses econômicos. Reverter nossa atual condição de protetorado/colônia não será uma conquista imediata”, o que é visivelmente derrotista. De que serve uma frase do tipo “não será uma conquista imediata”, além de desanimar aqueles que estão dispostos a lutar?
A luta na Venezuela tem que se dar no sentido do aprofundamento da Revolução Bolivariana, que está incompleta. É preciso expropriar a burguesia e estatizar o sistema financeiro, o armamento de uma parcela ainda maior da população para expulsar os invasores e garantir a soberania em vez de se ficar repetindo as críticas do imperialismo. Ou frases do tipo “organizemos a rebelião a partir da base” não passarão de esquerdismo pequeno-burguês e capitulador.





