O governo de Abelardo de la Espriella anunciou na quinta-feira (8) que a Colômbia voltou à Declaração de Consenso de Genebra. O pacto, lançado por iniciativa dos Estados Unidos em 2020, reúne governos contrários ao reconhecimento internacional do direito ao aborto. A decisão desfaz a retirada determinada por Gustavo Petro logo após sua posse, em agosto de 2022.
A Colômbia havia ingressado no grupo três meses antes, ainda sob a presidência de Iván Duque. Ao justificar o retorno, a chancelaria de De la Espriella afirmou que os países não têm obrigação internacional de facilitar ou financiar abortos. O governo também reconheceu que a adesão não muda imediatamente a legislação colombiana.
Trata-se de uma escolha política. De la Espriella coloca a diplomacia do país ao lado dos governos que procuram transformar a oposição religiosa e moral ao aborto em acordos de Estado. O novo presidente já havia prometido ampliar as operações militares e estreitar seus vínculos com a direita norte-americana; agora recupera também uma medida adotada por seu antecessor direitista.
O PCO defende a descriminalização e a legalização do aborto. Uma mulher não deixa de interromper uma gravidez porque um governo assinou uma declaração ou proibiu o procedimento. A proibição apenas a expõe à perseguição e a condições mais perigosas. É nessa direção que aponta a campanha internacional à qual a Colômbia voltou a aderir.





