Rio de Janeiro

Diante de escândalo do Master, Cláudio Castro retira candidatura

Ex-governador pretendia a concorrer ao Senado, mas foi surpreendido com revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro

A Polícia Federal (PF) voltou a admitir a possibilidade de negociar um acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja fixado um prazo para encerrar as tratativas. O pedido foi enviado ao ministro André Mendonça, relator das investigações da Operação Compliance Zero no STF, depois de a defesa do banqueiro procurar a Corte para pedir a flexibilização das visitas dos advogados ao preso.

Vorcaro está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A nova movimentação ocorre poucos dias depois de a própria PF rejeitar a primeira proposta de delação apresentada pelo banqueiro. Os investigadores haviam julgado inconsistentes as informações fornecidas por Vorcaro, comparando os relatos com provas e indícios reunidos desde 2024 no inquérito sobre fraudes bilionárias contra o Sistema Financeiro Nacional.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também segue em negociação. Segundo o Correio Braziliense, a defesa de Vorcaro buscava uma reunião com a PGR nesta semana, enquanto os procuradores aguardam novas informações, documentos e provas sobre o esquema. A PF, por sua vez, entendeu que o material não trazia fatos novos, nem provas capazes de avançar a investigação. Por fim, o ministro André Mendonça já havia afirmado, em nota, que uma colaboração premiada precisa ser “séria e efetiva”. A crise em torno da delação de Vorcaro demonstra a extensão do esquema de corrupção. De um lado, Vorcaro busca a preservar aliados importantes, como os ligados ao ministro Alexandre de Moraes; de outro, Mendonça busca utilizar o escândalo para liquidar uma ala do regime político à qual faz oposição.

Enquanto isso, uma nova fase do escândalo ganhou força com a investigação sobre os aportes do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores públicos do Rio de Janeiro, no Banco Master. A Polícia Federal deflagrou, em 26 de maio, a 8ª fase da Operação Compliance Zero. O ex-governador Cláudio Castro foi um dos alvos da operação. A PF apura se a proximidade entre Vorcaro e Castro viabilizou um “alinhamento político” para transações que somam R$3,691 bilhões em aplicações ligadas ao banco.

A investigação encontrou uma sequência de encontros entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro em Nova Iorque, São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo o Poder360, em 11 de maio de 2023, Castro esteve em um jantar em Nova Iorque cuja conta superou US$13 mil, mais de R$60 mil na cotação atual, e foi paga por Vorcaro. No dia seguinte, Castro agradeceu ao banqueiro: “amigo, foi uma experiência incrível. Muito obrigado”.

Ainda segundo os investigadores, o Rioprevidência começou a investir no Banco Master cerca de seis meses depois. Em 1º de novembro de 2023, a autarquia aplicou R$40 milhões. Poucos dias depois, houve novo aporte de R$80 milhões. Em dezembro daquele ano, a PF destaca outro investimento, de R$200 milhões em Letras Financeiras.

Em maio de 2024, outro episódio chamou a atenção da PF. Vorcaro teria convidado Castro para uma degustação exclusiva de uísque em Nova Iorque. A investigação aponta que o encontro custou US$1,013 milhão, mais de R$5 milhões. Segundo a Gazeta do Povo, menos de 24 horas depois, o Rioprevidência realizou um aporte de R$80 milhões em Letras Financeiras do Master. Na sequência, outros dois investimentos foram autorizados, de R$80 milhões e R$70 milhões.

Diante do escândalo, Cláudio Castro desistiu de disputar o Senado em 2026. O ex-governador comunicou ao Partido Liberal (PL) que não disputaria mais a vaga e que decidiu concentrar esforços em sua defesa depois do avanço das investigações e das operações da PF ligadas à sua gestão e ao Banco Master.

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