Eleições 2026

Depuseram Dilma e fizeram o inferno; agora ‘adoram’ as mulheres

Às vésperas das eleições, políticos que apoiaram ataques aos direitos das mulheres tentam conquistar o voto feminino com promessas e demagogia

A disputa pelo voto feminino nas eleições de 2026 está levando candidatos que jamais se destacaram pela defesa das mulheres a aparecerem repentinamente como grandes defensores de seus direitos.

Ronaldo Caiado promete endurecer as penas contra agressores, com o uso de tornozeleiras eletrônicas e até o confisco de bens. Ao mesmo tempo, apresenta-se como candidato de “fora da polarização” e afirma que “a eleição é de quem traz resultado”. Seu histórico político, porém, vai em outra direção. Caiado apoiou o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff e, em 1992, votou contra o impeachment de Fernando Collor de Mello. Antes da atual campanha eleitoral, tampouco se destacou por qualquer atuação em defesa das mulheres.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta reduzir sua rejeição entre o eleitorado feminino. Segundo pesquisas eleitorais, Lula aparece com 52% das intenções de voto entre as mulheres, contra 37% do candidato bolsonarista. Para tentar reverter a situação, Flávio adotou um discurso mais moderado e passou a dar maior destaque à esposa.

O problema é que seu histórico também contradiz a nova propaganda eleitoral. Flávio já chamou a Lei Maria da Penha de “pedaço de papel”, posicionou-se contra a igualdade salarial e afirmou ter votado a favor da lei contra a misoginia por “medo de armadilha do PT”. Ao comentar Michelle Bolsonaro, chegou a declarar: “Se não fosse ela, a gente teria estancado antes”. Agora, a tentativa de reconciliação política com a madrasta serve também para atrair o eleitorado feminino. Michelle criou o PL Mulheres, organização abertamente contrária ao feminismo, mas, quando foi alvo de constrangimentos dentro da própria direita, seus aliados recorreram justamente ao discurso da violência de gênero.

A latifundiária Simone Tebet também aparece agora pedindo o voto das mulheres para Lula, embora tenha sido adversária do petista nas eleições de 2022 e o tenha atacado duramente durante a campanha. Tebet votou a favor da reforma trabalhista, do teto de gastos e do golpe contra Dilma Rousseff, além de ser contrária ao direito ao aborto. Todas essas posições atingem diretamente as mulheres trabalhadoras.

A súbita preocupação desses políticos com as mulheres tem uma explicação bastante simples: elas representam mais da metade do eleitorado brasileiro. À medida que se aproximam as eleições, reivindicações que foram ignoradas durante anos são transformadas em instrumento de propaganda eleitoral.

O Partido da Causa Operária (PCO), por outro lado, apresenta um programa de luta para as mulheres trabalhadoras, desenvolvido também pelo Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo. Entre suas principais reivindicações estão o aborto legal, condições para uma maternidade plena, com creches e ampla licença-maternidade para todas as trabalhadoras, o combate à violência contra a mulher — inclusive a violência policial —, o direito à autodefesa e salário igual para trabalho igual.

O Partido também combate o chamado identitarismo, política que procura separar a luta das mulheres da luta geral da classe trabalhadora e transformar reivindicações legítimas em instrumento da política do imperialismo.

Nas eleições, o PCO procura utilizar a campanha como uma tribuna para divulgar esse programa e organizar os trabalhadores. Como explica Izadora Dias, coordenadora do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo e pré-candidata ao governo de São Paulo, o Partido apresenta “candidaturas de luta”, e não candidaturas voltadas simplesmente para a disputa eleitoral.

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