A crise de combustíveis atingiu o Equador e elevou os preços em Quito e em outras províncias, com filas em postos, falta de gasolina Extra e Ecopaís e aumento também no valor do diesel na última semana. A situação se agravou nos últimos dias enquanto o governo de Daniel Noboa minimizou a gravidade do problema, apesar das dificuldades enfrentadas pela população para abastecer veículos e manter gastos cotidianos.
A escassez aparece de forma concreta nos postos de serviço. Em Quito, estações localizadas na avenida 6 de Diciembre e em Gaspar de Villarroel registraram longas filas e dificuldades de abastecimento. O problema também se estendeu a outras províncias, indicando que não se trata de uma situação localizada. A população passou a procurar combustível em diferentes pontos sem encontrar gasolina de menor preço, enquanto, em algumas estações, restava apenas gasolina super.
Os aumentos atingiram diretamente os principais combustíveis consumidos no país. A gasolina Extra e a Ecopaís passaram de 3,02 para 3,16 dólares por galão, equivalente a 3,8 litros. A super subiu de 4,57 para 4,81 dólares por galão, enquanto o diesel avançou de 2,96 para 3,10 dólares. O reajuste foi explicado por dois fatores principais: o aumento do preço internacional do petróleo e o sistema de bandas de ajuste mensal, que permite variações de até 5%. Com isso, as gasolinas de menor octanagem subiram 14 centavos por galão, e a super, que tem preço liberalizado, aumentou 24 centavos.
A combinação de falta de abastecimento e alta nos preços pesa sobre a vida diária dos equatorianos. A gasolina super chegou a ser vendida por cerca de 5 dólares o galão, enquanto Extra e diesel continuavam ausentes de grande parte dos postos. Para quem depende de veículo para trabalhar, transportar mercadorias ou se deslocar diariamente, a crise representa aumento imediato de custos. O efeito tende a se espalhar para o transporte, os alimentos, os serviços e os produtos básicos.
Os testemunhos colhidos nas filas revelam o alcance do problema. Um morador de Quito, identificado como Jorge, afirmou que não encontrava combustível “em nenhuma parte” e que havia vindo do sul da cidade sem conseguir abastecer. Segundo ele, em alguns postos havia apenas gasolina super, sem Extra disponível. Outro cidadão, Cristian, percorreu várias estações de serviço sem conseguir combustível. Nas proximidades do Estádio Olímpico Atahualpa, postos avisaram que o abastecimento disponível só chegaria até as seis da tarde, sinal de que os estoques estavam insuficientes para atender a demanda.
A crise coloca o governo Noboa diante de uma pressão social crescente. O aumento dos combustíveis tem impacto direto e indireto: direto porque encarece o abastecimento, e indireto porque pressiona o custo do transporte e das mercadorias. Em uma economia dependente de deslocamentos rodoviários, a alta do diesel e das gasolinas se transforma rapidamente em aumento de preços para famílias trabalhadoras. Por isso, a tentativa oficial de reduzir a gravidade da crise contrasta com a realidade das filas, dos postos sem combustível e dos valores mais altos nas bombas.
O sistema de reajuste mensal também se torna um ponto de tensão. Ao permitir aumentos de até 5%, ele repassa ao consumidor parte das oscilações internacionais do petróleo. Em um momento de alta no mercado internacional, o mecanismo funciona como uma porta aberta para reajustes sucessivos, sem que a população tenha controle sobre os preços. A liberalização da gasolina super aprofunda esse quadro, pois deixa esse combustível ainda mais exposto ao movimento dos preços.
A crise equatoriana mostra como a política de combustíveis pode afetar rapidamente a estabilidade social. Quando o abastecimento falha e os preços sobem ao mesmo tempo, a população enfrenta uma dupla punição: paga mais caro quando encontra combustível e perde tempo em longas filas quando não encontra. O resultado é uma pressão generalizada sobre o orçamento das famílias, sobre o transporte e sobre a circulação de produtos essenciais.





