Luta pela terra

Cresce violência do latifúndio contra os índios

Dados do Atlas mostram que questão central é policial e também da estrutura agrária brasileira, que continua tratando a terra dos índios como oportunidade para especulação

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgaram, na terça-feira (26), o Atlas da Violência 2026, que aponta aumento dos homicídios contra índios no Brasil. O levantamento registra alta de mortes em estados marcados por disputa de terras, grilagem, extração ilegal de madeira e pressão de fazendeiros sobre áreas ocupadas por comunidades de índios.

O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, com taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes, o menor patamar da série iniciada em 2014. Entre os índios, a taxa chegou a 24,6 por 100 mil, 22% acima da média nacional. A queda geral dos assassinatos no País não se repetiu entre essa parcela da população.

Em números absolutos, os assassinatos de índios subiram de 227 em 2023 para 248 em 2024, alta de cerca de 9,25%. O Amazonas registrou 36 homicídios em 2023 e 73 em 2024, dobrando o número de mortes em um ano. A taxa de homicídios no estado passou de 21,4 para 47,8 por 100 mil, aumento de 123,4%.

O Amazonas reúne a maior população de índios do Brasil. Roraima também manteve índice elevado. Em 2024, o estado registrou taxa de 172,9 homicídios por 100 mil índios, uma das maiores do País, mesmo após queda em relação ao pico do ano anterior. O Acre teve aumento de 50% na taxa, com casos passando de três para seis. Na Bahia, os assassinatos cresceram 84,6% no período.

A violência contra mulheres índias também aumentou. Os registros de agressão física passaram de 359 em 2014 para 1.330 em 2024. Os casos de violência sexual subiram de 115 para 669 no mesmo intervalo, alta de cerca de 481%.

O Atlas utiliza dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos vinculados ao Ministério da Saúde. Os responsáveis pelo levantamento alertam para a possibilidade de registros inferiores ao número real de casos. Em áreas distantes, sob controle de fazendeiros ou grupos armados, denúncias dificilmente chegam às estatísticas oficiais.

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