Teve início neste domingo (5) a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), em Brasília. Desde as primeiras horas do dia, caravanas vindas de diversas regiões do país começaram a ocupar o espaço do Eixo Cultural Ibero-Americano, antiga Funarte, no centro da capital federal. A expectativa dos organizadores é reunir entre 7 mil e 8 mil participantes ao longo da semana, com atividades programadas até sábado (11).
O evento é promovido pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e reúne representantes de centenas de povos do país, além de participantes de outros países. A programação inclui debates, reuniões, atividades culturais e mobilizações políticas. O eixo central segue sendo a questão da terra, com a reivindicação de novas demarcações e a regularização de áreas já ocupadas.
Segundo informações divulgadas pelos organizadores, há cerca de 110 áreas em análise pelo Estado brasileiro, consideradas como terras da União de usufruto dos índios. Nos últimos anos, o governo federal homologou cerca de 20 territórios, somando aproximadamente 2,5 milhões de hectares em diferentes estados. Ainda assim, o passivo de demarcação permanece elevado.
O cronograma do acampamento prevê uma série de marchas pela Esplanada dos Ministérios. A primeira delas está marcada para terça-feira (7), com críticas a projetos em discussão no Congresso Nacional, como propostas de liberação da mineração em terras ocupadas por índios e o chamado marco temporal. Também estão previstas mesas de debate sobre saúde, educação e participação eleitoral.
O evento também marca o chamado Abril do Índio, período em que entidades buscam dar visibilidade a pautas relacionadas à situação dos povos no país. Entre os temas abordados estão a ampliação de serviços públicos, a situação nas áreas ocupadas e o papel das candidaturas nas eleições de 2026.
Neste ano, o Partido da Causa Operária (PCO) e o Coletivo Terra Vermelha participam novamente do acampamento, dando continuidade a uma atuação que já ocorre em edições anteriores. As organizações intervêm no evento com a proposta de reforçar a luta dos índios pela posse da terra, pela formação de comitês populares de autodefesa contra a violência policial e de jagunços, além da defesa do fim da polícia e do acesso efetivo a recursos básicos como transporte, medicamentos e bens de consumo.
A atuação dessas duas organizações também busca levantar a necessidade de unidade entre os índios e a classe trabalhadora urbana, apontando que a luta pela terra e pelas condições de vida deve se conectar com as demais reivindicações populares. Nesse sentido, defendem que o acampamento deve servir como instrumento de luta real, superando o caráter limitado das discussões institucionais predominantes no evento.





