Hoje (23), ocorre o primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República. Estão confirmados Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou que o candidato não participará de nenhum debate no primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, condicionou sua presença à participação do petista e, portanto, também não comparecerá.
Lula rompe, também nesse ponto, com a tradição da esquerda de comparecer aos debates e criticar os candidatos, geralmente da direita, que fogem da possibilidade de confrontar suas posições com as de seus adversários, quase sempre temerosos de serem desmascarados.
Além do golpe representado pelas ausências, o eleitor sofre com as manobras dos monopólios de comunicação, que convidam apenas os candidatos que pretendem apresentar como “principais”, mesmo quando alguns deles estão em empate técnico com Rui Costa Pimenta, do PCO, e com outras candidaturas de esquerda, a depender da pesquisa.
É o caso da Quaest/Globo, abertamente anti-PCO, que só incluiu o nome do candidato do Partido depois de promover ampla campanha em torno da invasão de sua casa pela Polícia Federal. Ainda assim, apresentou Rui Costa Pimenta com 0%, embora ele tenha pontuado na maioria das demais pesquisas.
Dessa forma, a campanha eleitoral relâmpago, de apenas 45 dias, não terá nem sequer debates entre os candidatos escolhidos pela burguesia para serem apresentados como os “principais”.
Ao mesmo tempo, nesse e em outros eventos, os monopólios dos meios de comunicação decidiram convidar candidatos que não atingem sequer o critério antidemocrático de possuir pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional.
A campanha de 2026 também começou marcada pela demora do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em liberar os recursos do Fundo Eleitoral, que ficaram disponíveis para alguns partidos apenas no último dia 20, quatro dias após o início da campanha.
Os valores são distribuídos de maneira profundamente desigual e antidemocrática, com base em uma legislação aprovada pelos partidos que possuem maioria no Congresso e reservaram para si mesmos a maior — e muito maior — fatia do Fundo. O PL, por exemplo, receberá mais de R$ 880 milhões, quase 267 vezes o valor destinado ao PCO, que, assim como outros dez partidos, deverá receber R$ 3,3 milhões. Pelas regras atuais, esse montante não é suficiente para realizar uma campanha com chances de eleger um único deputado na quase totalidade dos estados do País.
Sem horário eleitoral na televisão, sem tempo e recursos para a campanha e sob regras draconianas — que vão do registro dos candidatos à propaganda, à votação e à apuração, impossível de ser auditada por organizações operárias e populares —, as eleições estão longe de constituir um processo democrático.
Elas são feitas sob medida para permitir uma manipulação destinada a impedir a manifestação da soberania popular e favorecer todo tipo de mutreta, como se viu nos últimos processos eleitorais. Isso ocorre principalmente em benefício de candidatos sem apoio popular, como os da chamada terceira via, que setores da burguesia ainda procuram impor artificialmente contra a tendência à polarização política expressa pelas candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro.
A pré-campanha já indicava que a eleição seria dominada por fortes intervenções do aparato policial e judicial, claramente controlado por setores ligados à terceira via e ao imperialismo, como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal.
Isso ficou evidente na perseguição aos bolsonaristas, incluindo a prisão política do ex-presidente e a condenação de centenas de seus apoiadores, repetindo o que foi feito contra Lula em 2018. Também se manifestou nas denúncias contra o filho do presidente Lula, o “Lulinha”, e pessoas próximas a ele.
Esses setores procuram desgastar os dois polos para abrir caminho a uma alternativa própria da direita golpista, disfarçada de “centro” ou terceira via, ou para impor a um dos polos — Lula ou Bolsonaro — um acordo que deixe o próximo governo ainda mais comprometido com a ofensiva preparada pelo grande capital contra os trabalhadores diante do avanço da crise capitalista: mais ajustes, cortes nos gastos sociais, entrega do patrimônio nacional e favorecimento do mercado financeiro.
Outro exemplo notório da intervenção desses aparatos golpistas nas eleições foi o ataque contra o PCO. Três dias depois do lançamento da chapa presidencial do Partido, a Polícia Federal invadiu a casa de seu presidente e candidato à Presidência da República, Rui Costa Pimenta. O inquérito pretende transformar em crime a contratação de militantes para prestar serviços ao próprio Partido, prática autorizada pela legislação eleitoral e adotada por todas as legendas.
Após uma enorme campanha persecutória e eleitoreira da imprensa capitalista contra o PCO e seus candidatos, faltando cinco dias para o início da campanha eleitoral “democrática”, o juiz das garantias bloqueou contas de militantes que jamais receberam recursos públicos, em valores que ultrapassam seus saldos e somam mais de R$ 4,5 milhões. A medida retirou da campanha do PCO suas condições materiais de funcionamento antes mesmo que qualquer denúncia fosse recebida por um tribunal.
Em sua campanha contra o PCO, a imprensa apresentou como um repasse único R$ 1,4 milhão gasto ao longo de oito anos e quatro eleições e retratou a operação como o desbaratamento de uma quadrilha. Procura apresentar o presidente do PCO, dirigente revolucionário há mais de quatro décadas, como se fosse um político da burguesia e o Partido como uma seita.
De longe, porém, o Partido da Causa Operária é o que mais realiza plenárias, conferências e congressos para deliberar coletivamente sua política e sua atuação. É também o que mais procura mobilizar os trabalhadores e a juventude em defesa de suas reivindicações mais sentidas, dos direitos democráticos de todo o povo e da luta dos povos oprimidos contra o imperialismo, como se viu nos casos da Palestina — sob a palavra de ordem “1000% Hamas!” —, de Cuba, da Venezuela, da Rússia e do Irã, entre outros.
Oito anos de investigação não localizaram patrimônio nem qualquer sinal de enriquecimento. O próprio delegado que dirigiu a busca constatou que a residência do investigado corresponde ao padrão de um trabalhador comum. Mesmo assim, a “fábrica de mentiras” montada pela imprensa e pelos órgãos de repressão e de “justiça” controlados pelos golpistas não encontrou dificuldade para produzir acusações infundadas e calúnias contra o partido revolucionário e seu dirigente.
Transformar em crime o funcionamento partidário ordinário fornece à classe dominante um instrumento contra qualquer organização que ela decida retirar do quadro político. Sindicatos, associações e entidades que dependam de estruturas próprias para existir terão diante de si o precedente que está sendo aberto agora.
Tudo isso distancia o atual processo eleitoral, por muitas léguas, de um processo verdadeiramente democrático. Semear a ilusão de que ele seja democrático é prestar um desserviço e desarmar a classe trabalhadora, que precisará, como em outros momentos decisivos da história do País, reagir ao aprofundamento do golpismo e aos ataques preparados contra o povo brasileiro por trás da chamada “festa da democracia”.





